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Pesquisa mostra que maioria atrela guerra de facções à alta de homicídios no Ceará

Elevação no número de homicídios e paralisação de PMs é pauta no debate político de Fortaleza
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info política 02.11 (Foto: Luciana Pimenta)
Foto: Luciana Pimenta info política 02.11

A segunda pesquisa O POVO/Datafolha, divulgada na última quarta-feira, 28, perguntou aos entrevistados a que se deve a alta no número de homicídios no Ceará em 2020. De acordo com a percepção de 70% das pessoas questionadas, as disputas travadas entre facções criminosas pelo comando dos territórios da Cidade despontam como principal fator. 

Resultado bem mais expressivo do que as que que atribuem o índice negativo à paralisação de policiais militares em fevereiro deste ano: 16%. Segundo o Anuário de Segurança Pública, foi de 96,6% a variação do número de Mortes Violentas Intencionais (MVI) entre o primeiro semestre de 2019 e o primeiro de 2020. 

Entre os eleitores de Wagner, 83% entendem que a guerra entre as organizações criminosas é o principal motivador do crescimento de mortes intencionais. Já entre os adeptos de Luizianne Lins (PT), 23% compartilham da perspectiva de que o motim foi o principal causador, segundo relatório da pesquisa Datafolha encomendada por O POVO. 

O dado amargo para o Ceará está ao centro da disputa política que mais uma vez põe o governador Camilo Santana (PT) e o Capitão Wagner (Pros), candidato a prefeito de Fortaleza, em lados opostos. 

Para o petista, Wagner e aliados promoveram o movimento paredista como modo de desestabilizar a segurança pública do Ceará. A ferramenta retórica tem sido usada pela campanha do PDT de José Sarto ao Paço Municipal.

Wagner, por outro lado, reforça que não participou da paralisação e que somente "mediou os interesses da Cidade." "Meu posicionamento interno e externo foi contra o início do movimento", disse em sabatina no O POVO. 

Ana Letícia Lins, pesquisadora da Rede de Observatórios da Segurança e do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC), analisa que a percepção das pessoas é resultado da consolidação de uma narrativa simplista que coloca as facções, ainda que reais, como elemento único para justificar a violência. 

Leticia destaca que o motim foi um evento que se concentrou em alguns dias, por isso distante de se consolidar na compreensão das pessoas como principal impulsionador da violência.  

"A gente percebe isso (facções) muito forte no imaginário social, porque isso é muito presente nas falas públicas, da Secretaria de Segurança, do próprio governador nos últimos anos. As falas são desse problema muito grave, que é o problema das facções, sempre elaborado como um problema a ser combatido, dessa lógica até mesmo de guerra e tudo mais, e que acabou que esse elemento foi inserido no senso comum", interpreta a pesquisadora. 

Antes de o fenômeno alcançar definitivamente o Nordeste, especialmente o Ceará, Letícia lembra que os antecedentes criminais de uma vítima de homicídio figurava como principal questão a ser esclarecida.

"Essa questão do 'envolvido' deu lugar à ideia da pessoa faccionada. Hoje, se você pega a própria cobertura midiática, por exemplo, da segurança pública, existe de alguma forma a ideia de filiação das vítimas às facções criminosas, de entender se aquela pessoa vitimada tem envolvimento com alguma organização."

 

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