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"Novos casos de violência em igrejas vão se repetir", diz Jamieson Simões

Entrevista. Jamieson Simões
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JAMIESON Simões foi candidato ao Senado pelo Psol em 2018 (Foto: Aurelio Alves)
Foto: Aurelio Alves JAMIESON Simões foi candidato ao Senado pelo Psol em 2018

Ex-pastor evangélico e membro do Psol no Ceará, o ativista Jamieson Simões diz acreditar que episódios de violência e ameaças em templos religiosos, como os registrados recentemente em Fortaleza contra o padre Lino Allegri, devem continuar a se repetir no País.

"Vão se repetir. Não consigo ver como não, porque não há um limite institucional. As ameaças são feitas na rede social, há grupos de WhatsApp mobilizados para isso, e a resposta institucional é muito tímida. Você não vê uma prisão", disse Simões, durante entrevista ao programa Jogo Político, transmitido pelo O POVO nas redes sociais.

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Sacerdote da Paróquia da Paz, na Aldeota, Lino Allegri vem sendo alvo de ataques desde 4 de julho, quando fez críticas à condução de Jair Bolsonaro da pandemia de Covid-19 no País. Após uma série de ameaças e "vigílias" de bolsonaristas contra sermões do padre, a paróquia decidiu afastar o religioso temporariamente das missas.

"As pessoas postam uma foto na entrada da igreja e ninguém é preso, ninguém é responsabilizado. A impunidade é a mãe da violência. Então, como não há um limite institucional, nós vamos ter um agravamento desses episódios de violência extrema, vindas do fundamentalismo religioso", disse Simões ao Jogo Político.

O ativista, pesquisador em juventude e violência na Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca que o fenômeno não é novo no País. "Nós tivemos um agravamento, alguns anos atrás. Deve ter limite para o poder das igrejas, principalmente de matriz cristã, no acesso à televisão. Nós produzimos milionários, impérios a serviço não da fé, mas do dinheiro. Esses pastores midiáticos promovem a desinformação, o discurso de ódio", destaca.

"As religiões de matrizes africanas são frequentemente atacadas no Brasil, terreiros são apedrejados. Na própria fuga do Lázaro lá em Goiás a Polícia invadiu um terreiro, quebrou tudo, e nada acontece. Aqui no Ceará essa intolerância virou e atingiu um corpo branco, que é o padre Lino", diz. "A resposta do governador foi correta, mas não freará esses episódios. É preciso descer mais profundo, fazer o controle da mídia".

 

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