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Bolsonaro ataca Camilo, se compara a Pe. Cícero e faz tentativa de "vaia cearense"

| NO CEARÁ | Em sua terceira visita ao Ceará, Jair Bolsonaro disse que, assim como Padre Cícero, defende a família e a propriedade privada. O presidente criticou o governador Camilo Santana por ações durante a pandemia, chamando-as de "atos criminosos"
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Última viagem de Bolsonaro ao Ceará foi em agosto, quando ele visitou Juazeiro do Norte (Foto: Aurelio Alves)
Foto: Aurelio Alves Última viagem de Bolsonaro ao Ceará foi em agosto, quando ele visitou Juazeiro do Norte

Em visita ao Ceará ontem para entregar 2,8 mil casas de um conjunto habitacional em Juazeiro do Norte, no Cariri, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez duras críticas ao governador Camilo Santana (PT), comparou-se a Padre Cícero e encerrou discurso com uma tentativa de imitar a famosa "vaia cearense".

Ao lado de deputados do estado e de ministros da República, Bolsonaro atacou medidas de enfrentamento à pandemia, como decretação de lockdown e outras, adotadas por Camilo nos últimos meses.

"Essas medidas de alguns governadores, entre eles o deste estado, foram, além de impensadas, muito mal recebidas pela população. Mandar ficar em casa sem prover ganho para subsistência é mais do que uma maldade, é um ato criminoso", declarou o mandatário.

Na sua terceira passagem pelo Ceará desde que se elegeu chefe do Executivo, Bolsonaro estava acompanhado de uma comitiva menor de parlamentares locais do que nas agendas anteriores: inauguração de trecho da transposição do São Francisco, em junho de 2020, e assinatura de ordem de serviço de obras viárias em Tianguá e Caucaia, em fevereiro deste ano.

Mesmo o número de pessoas que o seguiam, entre curiosos e apoiadores no local, era menor comparativamente ao verificado em outras ocasiões.

Participaram do evento dessa sexta-feira o general Augusto Heleno (GSI), o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), o presidente da Caixa Pedro Guimarães e os deputados federais Pedro Bezerra (PTB), Jaziel Pereira (PL) e Capitão Wagner (Pros).

Ao anunciar a presença de Wagner, o presidente fez aceno para 2022, antecipando apoio à pré-candidatura do deputado ao Governo do Estado: "Tenho certeza de que, assim como o Brasil tem um capitão, o Ceará terá brevemente um capitão também".

Entre deputados estaduais e vereadores, estavam ainda Silvana Oliveira (PL), Delegado Cavalcante (PTB) e André Fernandes (Republicanos), que cumprem mandato na Assembleia Legislativa (AL-CE), além de Priscila Costa (PSC) e Carmelo Neto (Republicanos), com assento na Câmara Municipal de Fortaleza.

Ao público presente, Rogério Marinho defendeu que "o Brasil era cemitério de obras inacabadas". Em seguida, traçou paralelo entre Bolsonaro e Padre Cícero: "O senhor defende os mesmos valores do padre".

Em sua fala, o chefe da nação reiterou que, assim como Cícero, um dos marcos da religiosidade nordestina, era também um defensor da família e da propriedade privada. "Hoje vocês têm um presidente que acredita em Deus, que respeita seus militares, que defende a família, que deve lealdade a seu povo", acrescentou.

Bolsonaro foi então presenteado com uma réplica do "padim", entregue pelo prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos), que desfiou fartos elogios ao capitão da reserva e foi muito aplaudido por quem acompanhava os pronunciamentos.

À menção do nome do deputado Pedro Bezerra (cujo pai, Arnon Bezerra, é ex-prefeito da cidade), a plateia vaiou, chegando a interromper o discurso de Bolsonaro, que emendou: "As manifestações vindas do povo são sempre bem-vindas".

"Dificilmente um político não passou por situações antagônicas", continuou o presidente. "Isso serve para redimensionar muitas vezes o nosso trabalho. Isso faz parte da regra do jogo."

Na agenda, a segunda no Ceará em menos de seis meses, Bolsonaro foi recepcionado no Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes por grupo de aliados, que se juntaram à comitiva presidencial, realizando motociata até o local da cerimônia de entrega das residências, dentro do programa Casa Verde e Amarela.

Realizado no pátio de um dos conjuntos inaugurados, o evento se estendeu por quase duas horas, ao fim das quais Bolsonaro, finalizando discurso, tentou imitar uma "vaia cearense". Do Ceará, o presidente seguiu para Resende, no Rio de Janeiro, onde tinha agenda ainda nessa sexta-feira, 13. (Henrique Araújo/enviado a Juazeiro do Norte)

 

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