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O cenário cearense para 2022

PDT antecipa discussões em torno de quatro nomes para sucessão a Camilo Santana enquanto Wagner aposta em aliança cada vez mais firme com o bolsonarismo
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O cenário a um ano da eleição para o Governo do Estado sugere que o pleito de 2022, a exemplo do que se espera em nível federal, será de acirramentos e polarização. Dois grupos despontam pela sucessão a Camilo Santana (PT).

O governismo, representado pelo núcleo dos irmãos Ciro e Cid Gomes (PDT) e a oposição, encabeçada pelo deputado federal Capitão Wagner (Pros) que tem apoio do senador Eduardo Girão (Podemos).

Já iniciando as movimentações, o PDT começou a realizar no mês passado encontros para apresentar quatro nomes para a disputa: o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), Evandro Leitão, a vice-governadora Izolda Cela, o secretário Mauro Filho (Planejamento e Gestão) e o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio,  Ao antecipar a agenda de discussões eleitorais, o grupo dos Ferreira Gomes passa alguns recados.

O primeiro deles é que não cogita deixar de ser protagonista em 2022. Apesar da aliança com alas do PT, da qual Camilo faz parte, o PDT terá candidato próprio, segundo falas de seus próprios membros. E caso o PT lance candidato, é possível que haja fragmentação.

Outra mensagem é que o grupo viu a necessidade de se articular com mais antecedência para ampliar a chance de garantir a sucessão após quase 16 anos no poder. O movimento quebra uma tradição dos Ferreira Gomes de só apresentar nomes de véspera ou mais próximos da eleição.

Monalisa Torres, pesquisadora do Laboratório de Política, Eleições e Mídia (Lepem-UFC), avalia que é do interesse do PDT manter aliança com a ala petista que tem Camilo.

“O Camilo se autonomizou, de certa forma, da imagem dos Ferreira Gomes. Ele vai sair do governo com avaliação positiva, então, claro, que com voz forte na mesa de negociação”, diz. Para ela, em termos de cenário nacional, é possível reeditar as eleições de 2018, com Camilo figurando tanto em palanques petistas (Lula) quanto pedetistas (Ciro).

A oposição se movimenta há mais tempo. Desde maio, Wagner colocou-se publicamente como pré-candidato ao governo. Voz forte contra os Ferreira Gomes na última década, o deputado federal deve figurar novamente como principal opositor.

Dessa vez, o grupo político de Wagner tem como carta na manga o diferencial de ter conquistado prefeituras em colégios eleitorais importantes em 2020: Caucaia, Juazeiro do Norte e Maracanaú dentre eles.

Fator que pode aumentar a força da oposição é a fusão entre PSL e DEM. Prestes a migrar para o PSL, Wagner pode pleitear o comando do novo partido até então chamado de União Brasil.

No Ceará, as articulações entre PSL e DEM devem passar por caminhos ainda incertos. Isso porque, enquanto o primeiro faz parte da oposição ao governo, o DEM cearense é base dos Ferreira Gomes.

Há ainda nomes que orbitam Camilo Santana e pedem atenção: Eunício Oliveira (MDB) e Domingos Filho (PSD), podem ser cortejados e ter peso importante na definição de rumos.

Outro ponto levantado por Torres é que Wagner assumiu de vez a aliança com o Governo Federal e com Bolsonaro. "Foi aos atos de 7 de setembro e dialoga com lideranças que fazem parte do bloco bolsonarista: Dr. Jaziel, Dra. Silvana, André Fernandes", afirma, apontando que em 2020 Wagner já se colocava com proximidade a Bolsonaro, mas pregava certa independência. "Agora vai ficar mais difícil descolar essa imagem e o candidato governista vai tentar colar as questões negativas de Bolsonaro nele".

Para além das articulações, a pesquisadora projeta um tema que terá ampla repercussão no cenário eleitoral. “A segurança pública entrará muito forte na discussão de 2022. Isso já está sendo feito pelo Wagner, quando fala que o Estado é dominado pelas facções e questiona a eficácia dos programas de segurança pública. A CPI do Motim também já está aí. Ou seja, situação e oposição já estão discutindo o tema”.

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