Reportagem

Capitão Wagner quer controle no Ceará do novo "superpartido"

De malas prontas para o PSL, o deputado e pré-candidato à sucessão de Camilo Santana disputará comando da sigla que será fruto da fusão com o DEM, dirigido no Ceará por Chiquinho Feitosa
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Capitão Wagner (Foto: Aurelio Alves)
Foto: Aurelio Alves Capitão Wagner

Articulada para ser a maior sigla do Brasil na Câmara dos Deputados, fusão entre PSL e DEM já atrai políticos de olho na eleição de 2022 no Ceará. De "malas prontas" para migrar para o PSL no próximo ano, o deputado federal e pré-candidato ao Governo Capitão Wagner (Pros) é um dos que não esconde interesse em comandar o novo partido no Estado.

"Hoje, o PSL já está sob o comando de algumas pessoas ligadas a gente. Nós devemos ter também se filiando ao PSL um grupo muito forte aqui no Ceará, e tem a perspectiva de que a gente possa estar no comando desse partido no próximo ano", diz Wagner, hoje o principal nome da oposição no páreo pela sucessão de Camilo Santana (PT).

Para o deputado, a atual situação do DEM cearense - sigla aliada ao grupo dos Ferreira Gomes tanto no Estado quanto na Prefeitura de Fortaleza - não é qualquer empecilho para a fusão. "A gente tem uma excelente relação com o Chiquinho Feitosa (atual líder do DEM no Ceará), apesar de estarmos em campos opostos nesse momento", afirma.

Em entrevista ao O POVO, Feitosa disse também ter interesse no comando da nova sigla no Ceará. Afirmando que avalia a fusão como "muito positiva" para a competitividade dos partidos, ele destaca, no entanto, que o assunto deve ser decidido "posteriormente" e que, a preço de hoje, o DEM segue "apoiando o Camilo e o prefeito Sarto".

"Vamos aguardar os acontecimentos, ver quem vai ficar no comando do partido. Minha posição é firme ao lado do senador Tasso (Jereissati, do PSDB), de quem sou suplente". Capitão Wagner, no entanto, avalia que todas as questões, inclusive uma migração do antigo DEM para a oposição, ainda podem ser discutidas na nova sigla.

"Continuamos dialogando, antes e depois da eleição de 2020, então não vejo problema em continuar esse diálogo, de realizar a fusão e ele permanecer na legenda conosco. Pelo contrário, torço para que ele fique. A gente vai conversar, já tivemos outros grupos políticos que estiveram ao lado dos Ferreira Gomes, mas que vieram para a oposição", continua.

Prevista para ocorrer nos próximos meses, fusão entre PSL e DEM criaria um dos maiores partidos do Brasil, com 82 deputados federais, sete senadores e quatro governadores. Como o PSL possui bancada maior na Câmara, com 54 deputados contra 28 do DEM, parlamentares consideram que Wagner levaria vantagem na disputa pelo controle da sigla.

Único deputado federal do PSL pelo Ceará, Heitor Freire disse estar "muito satisfeito" com a fusão, destacando impacto da mudança na eleição de 2022. "Ficaremos com a maior bancada na Câmara e seremos o maior partido do Brasil, o que vai garantir que a oposição no Ceará tenha robustez para brigar de igual para igual com o grupo que domina o Estado".

Pelas regras previstas na fusão, Freire continuaria no novo partido e seguiria integrante da executiva nacional da sigla. "Sobre Capitão Wagner, nosso acordo permanece o mesmo, ele fica na liderança do partido e terá meu apoio ao governo", declara o deputado.

Uma das principais lideranças do DEM no Ceará, o deputado estadual João Jaime também destaca que a fusão "fortalecerá ambos os partidos" no Estado. Ele pondera, no entanto, apenas a disputa proporcional para vagas na Assembleia e na Câmara dos Deputados, afirmando que a questão do Governo do Estado em 2022 será discutida em outro momento.

"Isso (discussão sobre a candidatura de Capitão Wagner) é a segunda temporada da série. A primeira é a fusão em si, que nós vemos de um jeito muito positivo. Acho que dá uma condição para nós termos uma chapa proporcional com força muito boa. O partido fica sendo o maior do Brasil, com o maior tempo de televisão", afirma.

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