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Vazamento e divergências adiam votação do relatório da CPI da Covid no Senado

Votação deverá ocorrer no dia 26. G7 usará tempo para reduzir divergências sobre texto, especialmente no ponto relacionado à acusação contra o presidente Bolsonaro
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Renan Calheiros tenta ampliar apoio ao seu relatório (Foto: AFP)
Foto: AFP Renan Calheiros tenta ampliar apoio ao seu relatório

O relatório da CPI da Covid não será mais lido nesta terça-feira e votado no dia seguinte, pois ainda há divergências quanto ao teor do documento no interior do grupo majoritário de sete senadores críticos ao modo como o governo Bolsonaro maneja a pandemia. A nova agenda então envolve os dias 20 e 26 deste mês. A primeira data para a leitura do relatório e a segunda para a votação.

As diferenças de percepção ficaram evidenciadas após o vazamento do parecer de Renan Calheiros (MDB-AL) para o jornal O Estado de S. Paulo, ontem, fator de mal-estar para o chamado "g7". O adiamento servirá para que o grupo possa dirimir as discordâncias e caminhar rumo a um consenso.

Dessa forma, os senadores escutarão hoje familiares de pessoas mortas pela covid-19. Na terça, dia que precede a leitura do relatório, fala à comissão Helton da Silva Chaves, do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM) acrescentou mais uma justificativa para o novo cronograma. Em nota nas redes, disse que conversou com juristas e com o vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), concluindo que a CPI poderia ser acionada judicialmente caso o tempo para análise de um documento extenso, com mais de mil páginas, fosse de somente um dia.

"Para que não caiamos em uma armadilha e possa haver a nulidade de todo o trabalho que nós fizemos, optamos pela cautela", publicou nas redes Aziz, para quem a mudança é "a coisa mais correta e cautelosa a se fazer neste momento".

"O tempo só colabora no sentido de que a gente vai fazer um debate melhor, mais profundo. É um relatório complexo, com muita gente, uma papelada nunca vista. As pessoas não pensam igualmente sobre tudo, é natural que haja divergências", afirmou Renan Calheiros ao O Globo.

O emedebista "bateu" em um dos alvos do relatório, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Ele publicou na tarde de ontem que o general "desfila nos corredores do Planalto arrastando milhares de cadáveres" e que será "indiciado pela CPI por vários crimes."

Há quatro meses Pazuello ocupa cargo de secretário de Estudos Estratégicos na Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos. Foram 59 dias em que os compromissos resumiram-se a "despachos internos", 13 sem compromissos oficiais e nove sem informações.

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