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Em meio a pressão de mulheres, PT expulsa vereador Ronivaldo Maia

| Justiça | Mulheres do PT fizeram pressão pela expulsão, mas houve tentativa de substituir punição por suspensão
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RONIVALDO foi expulso após votação apertada: 27 a 26 (Foto: Thaís Mesquita)
Foto: Thaís Mesquita RONIVALDO foi expulso após votação apertada: 27 a 26

Em reunião tensa que terminou em votação apertadíssima, o diretório estadual do PT no Ceará decidiu expulsar o vereador Ronivaldo Maia, acusado de tentativa de feminicídio no fim de novembro do ano passado. O placar foi de 27 votos pela expulsão e 26 por uma punição alternativa, de suspensão, apresentada em um relatório paralelo ao da Comissão de Ética do partido, que propunha a desfiliação de Ronivaldo.

O desempate coube então ao voto de Minerva do presidente estadual da sigla, Antônio Filho, o Conin. O vereador ainda pode recorrer ao diretório nacional do PT no prazo de dez dias. "O diretório, por unanimidade, reconheceu que houve falta grave de Ronivaldo, que poderia ser punida de duas formas, pela expulsão ou suspensão até janeiro de 2025, com impedimento de candidatura", disse Conin, acrescentando que, "nas circunstâncias de hoje, a falta que ele cometeu deve ser punida como foi".

"Não é uma posição unânime, dividiu o partido. O PT está sangrando muito com essa situação", lamentou o dirigente petista, para quem o partido ainda pode readmitir Ronivaldo entre seus quadros caso fique "provado na Justiça que ele não teve responsabilidade nesse fato".

Advogado de Ronivaldo no processo disciplinar, Deodato Ramalho afirmou que irá conversar com o parlamentar para decidir sobre os próximos passos no caso. "Minha orientação como advogado é que há, sim, que recorrer, inclusive por conta do descumprimento de regras (no trâmite interno)", disse à reportagem do O POVO.

Iniciada no meio da tarde, a reunião do PT se estendeu até as 23 horas de ontem, num endereço no Bairro de Fátima, e não na sede da legenda, como costuma acontecer.

Ao final de quase oito horas de discussões, o parecer da Comissão de Ética recomendando a expulsão do vereador foi aprovado, superando um relatório alternativo apresentado por Raimundo Ângelo, o Raimundinho, próximo à deputada federal Luizianne Lins.

Esse documento, que acabou sendo incluído de última hora na votação, sugeria a substituição da expulsão de Ronivaldo pela aplicação de uma pena mais branda, a suspensão, que seria válida até janeiro de 2024.

Réu por tentativa de feminicídio, Ronivaldo participou do encontro e fez defesa oral. Por usar tornozeleira eletrônica como medida judicial, o parlamentar se retirou do local antes das 20 horas. Ele não deu declarações.

Mesmo após a saída do vereador, a reunião foi bastante tensa, com falas exaltadas, gritos e choro. As mulheres presentes, integrantes do diretório, chegaram a se retirar da sala onde o processo transcorria, em protesto contra as posições manifestadas por correligionários.

Secretária de Mulheres do PT e integrante do diretório estadual, Fátima Bandeira havia se posicionado antes pela expulsão. "O Coletivo Estadual de Mulheres tem posição definida de que não é possível a convivência com o PT de um agressor. Nossa posição, como coletivo estadual, é pela expulsão", declarou.

Já com o resultado anunciado e a expulsão aprovada, Fátima reconheceu que o partido saía muito dividido do episódio e que "isso mostra que temos muito trabalho a fazer com nossa base".

"Porque a questão da violência contra a mulher é cultural, fruto do sistema patriarcal. Muitas mulheres sequer se percebem vítima de violência", criticou.

Ainda segundo ela, "aconteceram coisas terríveis nesse processo, mas felizmente prevaleceu o bom-senso e a maioria do diretório percebeu que nós tínhamos que ter uma posição muito clara para a nossa base partidária de que nós não aceitamos violência contra a mulher e de nenhum tipo". (colaborou Erico Firmo)

 

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