A saída do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil para o PSD poderá ter impactos no cenário político nacional, além de possíveis movimentações no cenário local. Nesta semana, Caiado anunciou que deixaria o partido presidido nacionalmente por Antônio Rueda para ter espaço para uma possível candidatura à Presidência da República neste ano.
Ao O POVO, o ex-deputado federal Capitão Wagner, presidente do União Brasil no Ceará, destacou que a saída de Caiado foi consensual e sem atrito. Wagner também considerou a justificativa do governador como “extremamente legítima”.
“O Caiado tem um projeto que não abre mão de lançar a candidatura dele a presidente da República, é extremamente legítima. A gente está muito tranquilo, até porque foi uma saída consensual, sem atrito, sem briga. A gente fica feliz que isso tenha ocorrido de forma pacífica”, disse.
O governador de Goiás contou que esteve com o senador Flávio Bolsonaro (PL), também pré-candidato ao cargo de presidente, e que o “filho 01” de Jair Bolsonaro (PL) teria defendido um número maior de pré-candidatos no primeiro turno. Além de Caiado, o PSD conta ainda com dois pré-candidatos ao Palácio do Planalto: o governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD-PR), e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD-RS).
No Ceará, o presidente estadual do PSD e secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Domingos Filho, que integra a gestão do governador Elmano de Freitas (PT), indicou que vê a articulação da legenda para a disputa presidencial de forma positiva e afirmou que, no cenário nacional, o candidato do partido terá o apoio do PSD Ceará.
Ele destacou, no entanto, que "não existe mais verticalização partidária, o que permite que as composições estaduais possam existir sem, necessariamente, vincular-se à coligação nacional".
“Acho positiva a articulação do nosso Presidente Nacional Gilberto Kassab procurar encontrar uma alternativa de forças de centro para a disputa presidencial. Não existe mais verticalização partidária, o que permite que as composições estaduais possam existir sem, necessariamente, vincular-se à coligação nacional. Se o nosso partido tem candidato a Presidente da República, contará, naturalmente, com o apoio do PSD do Estado do Ceará”, afirmou ao O POVO nesta quarta, 28.
O deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE), presidente do PSD em Fortaleza, avaliou que a chegada de Caiado fortalece o projeto nacional da sigla. Além disso, destacou que o partido conta com o trio de governadores como pré-candidatos à Presidência da República e que o nome escolhido terá o apoio de todos da legenda.
Apesar disso, ele apontou que a tendência é o apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas. Além de integrar o governo, o partido está presente na esfera municipal, com Gabriella Aguiar (PSD) que é vice-prefeita de Fortaleza.
Capitão Wagner considerou que a decisão de Caiado não traz nenhum impacto para o cenário estadual, “pelo menos por ora”. No Estado, um dos possíveis pré-candidatos é o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) que, apesar de não ter confirmado a participação na disputa, é cotado como nome da oposição e deverá buscar o apoio de partidos.
Além do tucano, o bloco oposicionista no Ceará é formado por uma ala do União Brasil e por deputados estaduais ainda filiados ao PDT. Ciro também afirmou ter esperança em um possível apoio da federação União-PP, que ainda não definiu se ficará na base ou na oposição a Elmano no Ceará.
Já o PL deixará para a véspera das eleições a decisão sobre compor um palanque estadual no Ceará. O partido estava em negociações com Ciro, mas após insatisfação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), as articulações com o tucano foram suspensas.
O atual governador Elmano de Freitas também deverá tentar reeleição e aliados já reforçaram a pré-candidatura do petista. O governador tenta negociar os espaços da chapa em meio a um amplo arco de alianças. Apesar de integrar a gestão petista, a presença do PSD na chapa majoritária ainda é discutida.
Conforme publicado pelo O POVO neste mês, Domingos Filho adiou a discussão sobre o assunto, mas considerou “razoável” o partido pleitear uma das vagas na base do governo petista. A sigla já sinalizou o interesse de integrar a chapa majoritária na eleição deste ano e, no ano passado, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, pediu para o PSD ocupar espaços majoritários.