Reportagem

Camilo anuncia novas medidas e faz apelo por isolamento social

| Coronavírus | O governador anunciou compra de insumos no combate à doença, que já registra duas dezenas de casos no Estado. Rede de UTIs ganhará mais 600 leitos emergenciais
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POR MEDIDAS de segurança, Camilo desmarcou coletiva e anunciou novas medidas contra o coronavírus via live nas redes sociais
 (Foto: Thaís Mesquita)
Foto: Thaís Mesquita POR MEDIDAS de segurança, Camilo desmarcou coletiva e anunciou novas medidas contra o coronavírus via live nas redes sociais

O governador do Ceará Camilo Santana (PT) anunciou ontem mais uma série de medidas para conter o avanço do novo coronavírus no Estado. Entre elas, estão o aumento dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com aquisição de 600 unidades, além da compra de 100 mil máscaras de proteção e 400 mil litros de álcool em gel, itens essenciais no combate à pandemia.

"Quando falo 600 novas UTIs, significa: estamos adquirindo respiradores, cama, todos os aparelhos necessários para equipar uma UTI", explicou o petista.

O chefe do Executivo informou ainda a encomenda de cinco mil kits para efetuar o teste rápido da infecção e a disponibilidade de 150 linhas para atendimento telefônico, de modo a evitar que suspeitos procurem de imediato unidades hospitalares e possam verificar antes se se enquadram no perfil sintomático.

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Em boletim divulgado nessa quarta-feira, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) registrou 20 casos de coronavírus confirmados no Ceará, 259 suspeitos e 111 descartados. Na terça-feira, eram 11 confirmados e 159 casos suspeitos. Em menos de 24 horas, o número de infectados praticamente dobrou.

As ações foram anunciadas pelo governador nas redes sociais como parte de um esforço coletivo no enfrentamento ao vírus. Em pronunciamento, Camilo também fez apelo por isolamento social.

"Esses quatro dias não são para ir para a praia. A medida mais acertada no mundo inteiro para diminuir o fluxo do vírus e a contaminação é o isolamento social. Meu apelo é que todos permaneçam em casa", disse o petista na véspera do feriado de São José, comemorado hoje.

O governador demonstrou especial preocupação com o feriadão. "Minha recomendação, meu pedido e apelo é que todos permaneçam em casa nos próximos quatro dias", repetiu. "Que o comércio não funcione, que as academias não funcionem. Saiam apenas em extrema necessidade, extrema urgência."

No Ceará, mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) é resultado do setor de serviços, principal afetado pela crise do coronavírus.

Na última terça-feira, 17, Camilo decretou ponto facultativo no serviço público estadual amanhã, por causa do feriado em homenagem ao padroeiro do Estado.

O expediente, no entanto, também foi incentivado pelas medidas de prevenção ao coronavírus. "Colocamos como ponto facultativo na sexta, e meu apelo é que todos permaneçam em casa nesses dias", repetiu.

Em todo o Brasil, subiu para 428 o número de casos de infecção pelo novo coronavírus, segundo boletim divulgado na noite de ontem pelo Ministério da Saúde. É o maior aumento absoluto observado até agora desde que o surto teve início. Em 24 horas, foram 137 novos registros contabilizados pelo Governo Federal, crescimento de 47%.

Quatro das vítimas infectadas pelo novo coronavírus no Brasil morreram. Todas os óbitos ocorreram em São Paulo. Em comum, as vítimas eram homens com idades acima de 60 anos e doenças pré-existentes. Eles foram atendidos em um hospital privado da capital paulista. (com agência)

 

Calamidade

A Câmara aprovou ontem pedido de reconhecimento de calamidade pública enviado pelo Governo. A proposta segue para o Senado e permite que o Executivo desobedeça às metas fiscais para custear ações de combate à pandemia

Bolsonaro: correria risco de pegar "metrô lotado" e estar "ao lado do povo"

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que não descarta nos próximos dias pegar um "metrô lotado em São Paulo" ou uma "barca no Rio de Janeiro", como demonstração de que ele está "ao lado do seu povo". "É um risco que um chefe de Estado deve correr, tenho muito orgulho disso", disse o presidente em entrevista no Palácio do Planalto ao lado de outros ministros. Todos chegaram de máscaras.

A resposta de Bolsonaro foi a justificativa dele para ter ido aos atos de domingo, 15, quando ainda não havia realizado o segundo teste para saber se estava com coronavírus. Até agora, 17 pessoas que o acompanharam na comitiva nos Estados Unidos foram diagnosticados com a doença.

"Eu vejo jornalistas na frente de batalha. Eu como chefe do Executivo preciso estar junto com meu povo. Não se surpreenda se você me vir no metrô lotado em São Paulo, numa barca no Rio é uma demonstração de que estou com o povo", disse Bolsonaro. Só no metrô de São Paulo passam, em média, 7,8 milhões de pessoas por dia.

As manifestações foram convocadas por aliados de Bolsonaro em defesa do governo e contra o Congresso. Na ocasião, o presidente teve algum tipo de contato com 272 pessoas. A equipe médica de Bolsonaro e o próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, chegaram a orientá-lo a não participar.

O contato com uma pessoa infectada é uma das formas de transmissão do coronavírus. O presidente foi criticado por infectologistas e até por aliados por expor os manifestantes ao risco de contaminação pela covid-19 (caso esteja com o vírus incubado).

Perguntado sobre o uso de máscaras pelos ministros em coletiva de imprensa, Luiz Henrique Mandetta afirmou que a cadeia de comando precisa ser protegida. Ele lembrou que os titulares das pastas tiveram contato com o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), diagnosticado ontem com a doença.

Durante a coletiva, em vários momentos Bolsonaro e outros ministros como Paulo Guedes (Economia) — que estava ao lado do presidente — demonstraram inabilidade no manuseio das máscaras. Os equipamentos foram postos e retirados dos rostos deles em diversos momentos da coletiva.

Mandetta destacou que as autoridades decidiram fazer exame em Bolsonaro após o retorno dos Estados Unidos. Ele voltou a dizer que viu praias lotadas no último domingo, mesmo dia da manifestação, e que as pessoas irão observando o avanço dos casos ao longo do tempo. O chefe da pasta pontuou que "não existe uma receita de bolo" e que o Brasil é um continente. (Agência Estado)

 

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