Reportagem

Tasso e suas chances na disputa do PSDB para definir o presidenciável

Cearense ganha espaço nacional à medida em que demarca posição contrária, pelo centro, a Jair Bolsonaro. Ontem, ele negou que a desistência de Ciro Gomes seja uma condicionante para sua candidatura, embora admita querer a unificação
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João Dória e Tasso são dois nomes do PSDB cotados para disputar a Presidência em 2022 (Foto: FÁBIO LIMA)
Foto: FÁBIO LIMA João Dória e Tasso são dois nomes do PSDB cotados para disputar a Presidência em 2022

O PSDB deve realizar prévias no ano que vem para definição de seu representante na disputa presidencial de 2022. O senador cearense Tasso Jereissati e os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) são as possibilidades que correm com mais força no tucanato neste momento, acompanhados pelo ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (ver infográfico).

Antes da definição de nomes, porém, a legenda terá de decidir como se apresentar ao eleitorado. Se irá resgatar as raízes de social-democracia ou defenderá um liberalismo econômico com doses de conservadorismo.

A tarefa que se impõe ao partido é a de recuperar a competitividade no jogo político nacional. Desde a primeira vitória de Fernando Henrique Cardoso (1994), a sigla sempre avançou ao segundo turno em polarização com o PT, à exceção de 2018. A partir dali, o posto de principal força antipetista passou a ser ocupado por Jair Bolsonaro (sem partido).

O partido tem aberto frequentes contrapontos ao extremismo do ultradireitista, colocando-se como uma alternativa ao acirramento entre ele e o ex-presidente Lula (PT). É dentro deste cenário que a disputa interna deve se dar entre os postulantes tucanos.

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Cientistas políticos ouvidos por O POVO convergiram na análise de que o caminho mais frutífero para o PSDB é o de fincar posição no centro político. A partir disso, analisaram quais as chances de Tasso Jereissati produzir consensos e se viabilizar como o representante tucano.

Doutora em Ciência Política e pesquisadora pelos laboratórios SCNLab (Mackenzie) e Doxa (Iesp-Uerj), Carolina Botelho analisa que o cearense tem um obstáculo chamado Dória, que direcionou toda sua breve trajetória política no sentido da Presidência da República, "ainda que não esteja bem nas pesquisas".

O governador tem explorado o capital político oriundo da Coronavac, resultado da participação da administração paulista no acordo com o Instituto Butantan. Há ainda uma máxima na política de que governadores de São Paulo são candidatos naturais ao Planalto.

"Por outro lado, tem uma briga interna no PSDB, que é entre a ala do Doria e a ala mais social-democrata, da qual o Tasso faria parte. Então, assim, resolvendo essa queda de braço, eu acho que ele (Tasso) seria sim um cara interessante nesse momento, porque tem alguns apelos", prossegue Botelho.

O comportamento ideológico mais ao centro é citado por Carolina como um dos trunfos. Tasso, além disso, agrada setores da elite brasileira, assinala a professora. A pesquisadora, porém, pondera ainda ser incerto o apelo popular do tucano para fazer frente a Lula e Bolsonaro, a preço de momento os candidatos mais competitivos.

O ex-governador do Ceará tem sido presença frequente na imprensa nacional. Das vozes do PSDB, é, ao lado de Doria, das que mais têm se erguido contra Bolsonaro, sobretudo no aspecto da condução da pandemia da Covid-19.

O nome do político entrou no rol de presidenciáveis depois de o presidente nacional do partido, Bruno Araújo, usar entrevista ao jornal Estado de S. Paulo para fazer convite público ao senador.

Em março de 2021, Araújo foi reconduzido à presidência do PSDB após Doria ter se movimentado para garantir o comando do partido.

Numa manifestação importante ontem, registrada pelo blog do jornalista Ricardo Noblat, Tasso Jereissati negou que a manutenção do seu nome esteja condicionado a uma necessária desistência do também cearense Ciro Gomes, em pré-campanha pelo PDT. Ele até admite interesse numa unificação, mas não considera impossível as duas candidaturas coexistirem.

Apesar da vida partidária difícil, o cientista político Rodrigo Prando analisa que o paulista João Doria pode ser catapultado à corrida presidencial se as pesquisas o indicarem como o mais viável.

O professor da Universidade Mackenzie (SP), inclusive, diz que o pragmatismo irá falar mais alto no caso de as condições serem favoráveis. Isto é, segundo diz, a ala mais ligada aos aspectos fundantes do partido podem o apoiar pelo fator da competitividade.

Sobre Tasso, Prando sublinha que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) será uma oportunidade para que o político ganhe notabilidade com uma ação de contraponto a Bolsonaro. "Pode ganhar espaço, visibilidade e pode mexer no jogo."

Além das dinâmicas internas do PSDB, a questão Tasso Jereissati, se avançar, ainda deve ter um desenrolar especificamente cearense, pois o aliado histórico Ciro Gomes (PDT) está no páreo. É pouco provável que os dois estejam no pleito como concorrentes. O pedetista ainda não teceu comentários sobre a a chance de candidatura do empresário cearense.

ocupação dos hoteis
ocupação dos hoteis (Foto: Luciana Pimenta)

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