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Reportagem

Migrações já tomam os bastidores das eleições de 2022 no Ceará

| PRÉ-CAMPANHA | De olho nas estruturas e cotas de verbas partidárias, movimentos para a troca em massa de políticos para outros partidos já agitam o poder no Estado
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Guetty (Foto: Guettyimages)
Foto: Guettyimages Guetty

Muito antes até da oficialização dos candidatos para a disputa, a eleição de 2022 já registra hoje algumas das principais batalhas nos bastidores da política no Ceará. Aguardando apenas o aval final do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o União Brasil, partido que será criado a partir da fusão do PSL e do DEM, é objeto de embates entre base e oposição no Estado.

No centro da disputa, o fato de que o novo partido já surgirá com a maior bancada da Câmara dos Deputados, o que lhe garantirá fartas cotas do Fundo Eleitoral e do Horário Eleitoral Gratuito. O caso do União Brasil, no entanto, não é o único. A pouco menos de um ano para a eleição, já começam a surgir no Estado as primeiras movimentações claras de migração em massa de políticos de olho no cenário eleitoral de 2022.

Caso mais notório, o União Brasil é objeto hoje de disputa entre duas lideranças políticas cearenses. De um lado está o senador Chiquinho Feitosa, líder maior do DEM no Ceará, que tenta manter a sigla alinhada com a base dos Ferreira Gomes e de Camilo Santana (PT). Do outro está Capitão Wagner (Pros), que controla o PSL e enxerga na nova sigla uma ferramenta para expandir o potencial eleitoral da oposição no Estado.

Ele próprio pré-candidato ao Governo em 2022, Wagner não esconde o interesse de atrair para a sigla não só o seu bloco político tradicional, hoje filiado ao Pros, como também aliados que hoje estão no PSDB. "Até o Chiquinho é muito bem vindo para ficar no partido, esperamos que os quadros do DEM são muito bem vindos. O que eu espero que a gente possa fazer é agregar".

Entre possíveis "agregados", ele cita diversos tucanos que, apesar da aliança entre o PSDB e a base aliada no Ceará, possuem interesse de acompanhar a oposição em 2022. "Temos boa parte dos quadros do PSDB querendo migrar. Seria um partido que não nasceria só forte no nacional, como também um grande partido no Ceará", disse Wagner no último sábado, 20, durante participação em evento com o ministro Milton Ribeiro (Educação).

A tese é confirmada pelo prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PSDB), hoje um dos principais nomes da oposição aos Ferreira Gomes no Estado. "Vou para o partido em que o Wagner for", disse ontem Pessoa, em entrevista ao Jogo Político. Em 2020, o gestor, pai da deputada estadual Fernanda Pessoa (PSDB), já tinha ido contra o próprio partido ao declarar apoio a Wagner contra José Sarto (PDT) em Fortaleza.

A importância dos partidos de olho em 2022 não fica só nas questões de estrutura e acesso a verbas. No último sábado, durante encontro regional do PDT em Nova Russas, o próprio senador Cid Gomes (PDT) revelou que a estratégia da base para 2022 no Ceará envolve direcionar Wagner para o mesmo partido onde estiver Jair Bolsonaro, hoje com migração acertada para o PL.

A tese, destaca Cid, passaria por forçar Wagner a "assumir" relações próximas com o presidente, impopular no Estado. "Então vamos deixar os bretezinhos (estrutura de madeira usada para direcionar o fluxo de bovinos em currais) todos feitos para ele ficar no partido do Bolsonaro. Aí pronto. Não quero tomar o partido de ninguém, só quero que ele não minta para o povo. Ele vai ter que assumir que é Bolsonaro, ficar com o mesmo numerozinho".

Neste sentido, o próprio PL também é objeto hoje de outra batalha no Ceará. Atualmente, o partido é comandado pelo prefeito de Eusébio, Acilon Gonçalves, aliado de Cid e Ciro Gomes (PDT), pai do prefeito de Aquiraz, Bruno Gonçalves (PL), e coordenador de um poderoso grupo de seis prefeitos eleitos em 2020.

Em entrevistas recentes, o prefeito tem destacado que a filiação de Bolsonaro ao PL ainda está em "parte embrionária". "Tudo o que existe no Brasil são conjecturas, parte delas de coisas que concretizarão, e outras não", diz Acilon, afirmando ainda que é cedo para avaliar o futuro do partido. "Deixa rolar, chegar março", diz, em referência à janela para filiações partidárias.

Apesar disso, logo para a filiação de Bolsonaro, deverão "desembarcar" no partido diversos bolsonaristas de primeira hora no Ceará, como o deputado André Fernandes (Republicanos), o comandante da Força Nacional de Segurança, Coronel Aginaldo, e a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. (leia mais em POLÍTICA, páginas 8 e 9)

 

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