Os desafios de ser um micro e pequeno empreendedor vão além do momento de abrir uma empresa, já que, uma vez criado, o negócio precisa sobreviver. Em 2023, a má gestão segue fechando empreendimentos, mesmo com programas de suporte promovidos pelo Poder Público e demais entidades.
As Micro e Pequenas Empresas (MPEs) impulsionam grande parte da economia cearense. Segundo dados da Junta Comercial do Ceará (Jucec), de janeiro a setembro de 2023, foram abertos 82.661 empreendimentos.
No geral, de todas as empresas ativas do Ceará, 749.165 são MPEs, consistindo em 93% do total. Em contraste, porém, houve o fechamento de 50 mil empresas em igual período. Montante, apesar de representar um saldo positivo - com uma diferença de 32 mil para os negócios que abriram - é significativo.
Para a economista Desirée Mota, colunista do O POVO, uma das principais causas para o fim de um negócio é a má gestão. "Muitas vezes as pessoas começam a empreender por necessidade e não por oportunidade. Para sobreviver. Isso ocorreu muito na pandemia de Covid-19", explica.
No período pandêmico, de fato, os empreendimentos aumentaram. Em 2020, o Ceará registrou 89.088 novas empresas abertas. Já em 2021 e 2022 os números foram, respectivamente, 109 mil e 106 mil.
Essa alta provocou o surgimento de algumas iniciativas de suporte. Algumas delas partem do Governo Federal, como o "Brasil mais produtivo", que visa aperfeiçoar as capacidades gerenciais e de produção das MPEs, implementando ferramentas digitais.
Além disso, outras propostas estão em tramitação no Congresso, como a atualização da Lei do Simples Nacional, que altera o Estatuto da Micro e Pequena Empresa. A mobilização foi impulsionada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae).
"Esse movimento da Lei do Simples veio trazer para dentro de uma modalidade jurídica, todos os impostos e facilitar a vida do micro e pequeno empresário", explica Desirée Mota.
Já no âmbito estadual, destacam-se, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), projetos como o Programa de Microcrédito Produtivo (Ceará Credi).
Atendendo, dentre os públicos, os microempreendedores, a iniciativa inclui em seus serviços cursos online, de curta duração, e vídeo aulas de capacitação.
Já Fortaleza segue como a cidade com maior abertura de empresas: 55% de todo o Estado, segundo a SDE. Dentre os programas da Capital, há o Fortaleza Capacita, parceria com o Sebrae Ceará, que desde junho de 2021 qualificou mais de 50 mil empreendedores.
"Temos diversos outros, voltados para capacitação, para as mulheres etc. Isso impacta diretamente nos nossos resultados", afirma Rodrigo Nogueira, secretário do desenvolvimento econômico da Capital.
Alguns setores, como o de bares e restaurantes, entretanto, apresentam grandes dificuldades no pós-pandemia. Nesse caso, o apoio governamental é considerado baixo e os impostos altos.
Outra característica da pandemia é o empreendedorismo por necessidade, que acarretou uma grande participação delas no mercado.
Do total de empresas ativas com enquadramento ME e EPP no Ceará, 420.001 contam com sócios homens, enquanto as mulheres representam 329.164. Já dentre os microempreendedores que solicitam crédito, o Banco do Nordeste afirmou que as mulheres são maioria, com 68% dos negócios.
A economista Desirée Mota afirma que, antes, a posição das mulheres era principalmente de administração, mas, cada vez mais, estão alcançando uma posição de liderança.
"Eu diria que nós, assim como o cenário geral de micro e pequenos empreendedores, estamos em alta, em ascensão", afirma.
Dentre as que investiram, está Naiana Lima, proprietária da Fluffy Donuts. Empreendimento surgiu em 2020, em meio a pandemia de Covid-19, por necessidade de uma renda extra para o sustento das duas filhas.
Naiana vai investindo aos poucos em seu negócio, com o dinheiro que possui, sem pedir crédito. Hoje, conta com três opções de venda: um ponto fixo, no espaço Imprensa Food Square, bairro Dionísio Torres, um na Arena Castelão, além das vendas online.
"Estamos crescendo, mas é lento. Nem todo mundo consegue dinheiro para comprar comida, imagine uma sobremesa. Mas eu acredito no meu produto, gosto de levar alegria pras pessoas", diz a microempreendedora.