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"O Nordeste é sempre pensado como um espaço parado no tempo"

Debates nas redes sobre xenofobia e reducionismos regionais suscitam questionamento: como se constrói o Nordeste?
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O Nordeste é de Alcione, Rossicléa, Clarice Lispector, Patativa do Assaré, Lázaro Ramos, Maria Bethânia e Carlus Campos — ilustrador desta reportagem do Vida&Arte. O POVO celebra as singularidades dos nove estados que integram a região (Foto: Carlus Campos)
Foto: Carlus Campos O Nordeste é de Alcione, Rossicléa, Clarice Lispector, Patativa do Assaré, Lázaro Ramos, Maria Bethânia e Carlus Campos — ilustrador desta reportagem do Vida&Arte. O POVO celebra as singularidades dos nove estados que integram a região

No idos de 1936, o poeta recifense Manuel Bandeira versou "Os Voluntários do Norte", troça sobre as desavenças entre literatos do norte e do sul do País. De um lado, Bandeira colocou José Lins do Rego. De outro, Octávio de Faria, Lúcio Cardoso, Marques Rebelo e Vinicius de Moraes: "Quando o menino de engenho/ Chegou exclamando: – “Eu tenho, Ó Sul, talento também!, / Faria, gesticulando, / Saiu à rua gritando:/ – ‘São os do Norte que vêm!'". A rixa entre regiões, que atravessa décadas, é fruto do histórico processo colonial — mas, até hoje, constrói estereótipos de subalternidade sobre Norte e Nordeste do Brasil.

Publicada no último dia 21 de janeiro, a reportagem de capa da revista Veja São Paulo intitula-se "A Capital do Nordeste: os novos migrantes que reinventam o design, a gastronomia, as startups e outras atividades da metrópole, que completa 467 anos". O especial de aniversário da terra da garoa estampa, entre cactos e chão de madeira, seis nordestinos que ascenderam socioeconomicamente com a migração. Na sexta-feira, 29, a cantora paranaense Karol Conká foi acusada de xenofobia ao criticar o modo de expressão da advogada paraibana Juliette Freire, ambas confinadas no Big Brother Brasil 2021. No Twitter, personalidades como Whindersson Nunes e Wesley Safadão se manifestaram sobre o episódio no reality show.

A reportagem da Veja São Paulo e a fala de Conká no BBB21 geraram amplo debate nas redes sociais sobre xenofobia, reducionismos e classismo — e ampliaram, sobretudo, o debate sobre a construção imaginária do Nordeste. Afinal, o Nordeste é uma ficção? "O Nordeste é uma região que surge no final da década de 1910, século XX. O conceito 'Nordeste' aparece no documento que define a área de atuação da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS), criado em 1919. O conceito aparece só como uma localização entre norte e leste, uma mera referência geográfica. A partir daí, no entanto, o conceito começa a ser trabalhado por políticos, por intelectuais, por quem representa as elites agrárias desse espaço que vive alguns processos como a perda do espaço econômico e político", explica Durval Muniz, professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e atualmente professor visitante da Universidade Estadual da Paraíba.

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Na referenciada obra "A invenção do Nordeste e outras artes", (1999), Durval defende que a região não é recortada apenas como unidade econômica, política ou geográfica, mas também como uma homogeneidade cultural e étnica. Nos discursos hegemônicos, nas mídias centralizadas, nas piadas xenófobas e no senso comum ainda arraigado de preconceitos, os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe perdem singularidades.

"O perigo do discurso regionalista nordestino é justamente colocar todo mundo no mesmo barco. O imaginário é tão forte que, no momento em que se coloca São Paulo como a capital do Nordeste, tem que se branquear o nordestino. Um dos motivos do preconceito contra o nordestino é de fundo racial. O preconceito contra os nordestinos tem a ver com sulistas que se veem como brancos e veem nordestinos como pardos, mestiços e negros. Há um corpo do nordestino — é o cabeça chata, o pequeno, o baixo, o subnutrido… A nossa cultura é vista como não industrial, não moderna; é uma cultura artesanal, uma cultura folclórica. O Nordeste é sempre pensado como um espaço parado no tempo, um espaço que não tem história porque foi construído a partir da memória", enfatiza Durval.

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Autora do livro "Sertões Contemporâneos" (2018), a professora da Universidade Estadual da Bahia (Uneb/Chapada Diamantina) Gislene Moreira Gomes adiciona que a academia ainda corrobora com os preconceitos sobre o Nordeste. "Tenho um episódio marcante disso. A gente fez um congresso em Juazeiro da Bahia com grandes pesquisadores da Comunicação do País inteiro. Fazendo o convite para alguns professores que são referência na área, a gente ligava e os de São Paulo retornavam: 'a ideia é massa, mas como é que eu vou praí? Eu vou de jegue?'. Quando esses pensadores chegavam no sertão, mesmo diante de todas essas transformações, continuavam repetindo estereótipos como se o sertão e as pessoas que fazem o sertão continuassem miseráveis, flagelados da seca; como se fôssemos feitos para não pensar. Essa construção não é de agora", relata.

Em entrevista à repórter Hilza Cordeiro do jornal Correio, parceiro do O POVO na Rede Nordeste, Gislene sentencia: as elites brasileiras sudestina e sulista se consideram o colonizador português. "A gente não pode repetir o erro de reforçar esse regionalismo e essas diferenças porque o Brasil é complexo. Somos um povo mestiço e precisamos urgente encarar nossas sombras, essa relação com esse processo de colonização. A gente precisa curar a ferida da escravidão e do extermínio indígena. O nordestino tem voz, poder e capacidade. A questão é que a gente só percebe isso quando São Paulo olha. A gente constrói a fronteira e a diferença para demarcar nosso espaço de poder. Quando a gente reforça essa diferença pelo olhar que os paulistas construíram, a gente está dando mais poder a eles".

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Para Luiz Tadeu Feitosa, professor titular da Universidade Federal do Ceará e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, é fundamental observar a atuação da mídia nas instâncias simbólicas de criação e reconfiguração desses imaginários sobre o Nordeste. "A mídia não tem essa competência e muito menos esse poder de construir imaginários, de construir identidades, de construir memórias e patrimônios que durem mais que o efêmero midiático. Limitar as complexidades do Brasil enquanto fenômeno a uma pauta discutida por meia dúzia de de editores, repórteres e produtores é ter um jornalismo factual desprovido de leituras mais fidedignas. Essas visões que se nos apresentam ora caóticas, ora deturpadas, ora estereotipadas e ora mais aproximadas do real são fruto de um processo civilizatório muito denso. A noção reificada do processo civilizatório permanece não apenas na capa da Veja São Paulo, a exemplo, mas no conteúdo, há ranço civilizatório no texto", conceitua.

"Nós temos a representação do Nordeste ainda atrelado aos espaços sacralizados da capital paulista. Esses espaços são sacralizados e hegemonicamente dotados de uma civilização em oposição ao que seria não civilizado — morar, por exemplo, na periferia da região leste, oeste, sul, norte de São Paulo. Qualquer tentativa de classificação do Nordeste é sofrível e equivocada. O que nós temos é absolutamente grandioso, complexo, híbrido, plural e dinâmico porque está sempre se renovando. Somos uma pluralidade de seres que não cabe num codinome — somos seres culturais, vivos, dinâmicos. A cultura dos nordestinos não cabe nessas noções cristalizadas", finaliza Luiz Tadeu Feitosa.

Durval Muniz é professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e atualmente professor visitante da Universidade Estadual da Paraíba
Durval Muniz é professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e atualmente professor visitante da Universidade Estadual da Paraíba

"O Nordeste é sempre pensado como um espaço parado no tempo", afirma pesquisador Durval Muniz

"A visão do Nordeste pela mídia do sudeste é um fracasso absurdo", define Durval Muniz de Albuquerque Júnior. Professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e atualmente professor visitante da Universidade Estadual da Paraíba, Durval é autor da referenciada obra "A invenção do Nordeste e outras artes" (1999), reflexão crítica sobre a criação regional do Nordeste enquanto conceito socioespacial, político e cultural. Ao O POVO, o pesquisador partilhou análises históricas ao propor novos olhares sobre as singularidades que integram a região.

O POVO: Qual foi o percurso da invenção do conceito de Nordeste? Como se construiu o imaginário sobre a região?

Durval Muniz: O Nordeste é uma região que surge no final da década de 1910, século XX. O conceito 'Nordeste' aparece no documento que define a área de atuação da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS), criado em 1919. O conceito aparece só como uma localização entre norte e leste, uma mera referência geográfica. A partir daí, no entanto, o conceito começa a ser trabalhado por políticos, por intelectuais, por quem representa as elites agrárias desse espaço que vive alguns processos como a perda do espaço econômico e político — com o desenvolvimento da indústria, do centro-sul, da economia cafeeira e com a proclamação da República. Por outro lado, incomodava muito o próprio norte o fato da Economia da Borracha, que estava em plena expansão no começo do século XX, estar levando uma boa parte da mão de obra para a Amazônia, notadamente nos períodos de seca. Também vem daí essa necessidade de dividir, de separar o nordeste do norte. Dois elementos se tornam fundamentais para pensar esse nordeste como diferente: o primeiro é a natureza, a redução do nordeste à seca, ao semiárido; enquanto a natureza do norte é a floresta equatorial, a paisagem nordestina é fundamentalmente, pensada como a paisagem da caatinga, mesmo que o nordeste seja muito diverso do ponto de vista do paisagismo. O segundo elemento é a ideia que o nordeste é uma cultura própria, ou seja, uma cultura que vem do período colonial como uma amálgama das culturas portuguesa, africana e indígena, o que se diferencia de um sul que está se transformando, se descaracterizando culturalmente por causa da imigração estrangeira. São esses dois elementos que fazem, inclusive, com que o nordeste seja pensado como a região mais brasileira, a base da cultura nacional. Nesse contexto, no nordeste surge uma grande quantidade de folcloristas que vão construir a própria ideia de cultura nordestina. No imaginário da capa da VejaSP, a paisagem da caatinga está representada pelos cactos; os objetos artesanais, o couro, a madeira. A nossa cultura é vista como não industrial, não moderna; é uma cultura artesanal, uma cultura folclórica. O nordeste é sempre pensado como um espaço parado no tempo, um espaço que não tem história porque foi construído a partir da memória. O nordeste é lido como o espaço da memória, da saudade, da nostalgia… É por isso que a capital moderna para o nordeste tem que ser São Paulo.

OP: Essa construção do Nordeste é, portanto, uma herança colonial?

Durval: Sim. Gilberto Freyre tem uma centralidade muito grande na ideia de Nordeste e na ideia de Brasil com suas obras "Casa-Grande & Senzala" (1933) e "Nordeste" (1937). "Nordeste" começa com o movimento regionalista tradicionalista encabeçado por ele, um movimento cultural iniciado no Recife. Toda a formulação da ideia de nordeste de Freyre é centrado na sociedade colonial, na saudade do engenho, na saudade da escravidão, na saudade de uma sociedade patriarcal, estamental, uma sociedade onde cada um sabe o seu lugar, onde se tem hierarquias de classe, de raça e de gêneros muito claras. Qualquer movimento de contestação a essas divisões muito claras, essa nostalgia desse nordeste onde cada um sabe o seu lugar volta com muita força. O nordestino é pensado como uma figura masculina, como sertanejo, coronel, cangaceiro, jagunço; como a figura do cabra macho, centrado no falo. Ainda hoje, Salvador vive a nostalgia da capitalidade. Na verdade, essa produção cultural e essa produção política é de famílias que têm raízes coloniais — gerações de famílias vêm dessa formação colonial, são os grandes proprietários de terra, donos das sesmarias, grandes latifundiários. Há uma enorme continuidade política e cultural muito familiar e hereditária.

OP: Na obra "A invenção do Nordeste e outras artes", o senhor afirma que o Nordeste "não é recortado só como unidade econômica, política ou geográfica, mas, primordialmente, como um campo de estudos e produção cultural, baseado numa pseudo-unidade cultural e étnica". Como se apresenta na mídia — nesta reportagem da VejaSP, a exemplo — a redução das singularidades de nove estados?

Durval: A grande questão de todo e qualquer discurso identitário é tender a construir homogeneidade. O perigo do discurso regionalista nordestino é justamente colocar todo mundo no mesmo barco. Todo discurso tem que ser contextualizado — vamos contextualizar essa capa da VejaSP: a Veja e a IstoÉ começaram, na semana passada, a campanha para o Dória presidente, isso está muito claro. Qual é o calo do PSDB e dos candidatos de São Paulo? O Nordeste. O imaginário é tão forte que, no momento em que se coloca São Paulo como a capital do Nordeste — é a cidade onde tem mais nordestinos, onde os nordestinos conseguem sucesso e ascensão social — tem que se branquear o nordestino. Um dos motivos do preconceito contra o nordestino é de fundo racial. O preconceito contra os nordestinos tem a ver com sulistas que se veem como bracos e veem nordestinos como pardos, mestiços e negros. Há um corpo do nordestino — é o cabeça chata, o pequeno, o baixo, o subnutrido… Nós somos tão diversos quanto São Paulo, essa São Paulo branca é também uma mitificação. O maior escândalo da VejaSP é justamente o branqueamento. Além disso, toda imagem é um sintoma e essa capa deixa muito claro quem é que é a ascende socialmente: o branco que se parece com o próprio paulista. Toda imagem diz o que não quer dizer, a imagem é rica porque escapa ao controle. Aquela casa de taipa no fundo, toda essa montagem é de uma breguice completa, esse estrangeirismo "nordesters" e todo esse complexo de vira-lata se anuncia. Essa imagem é um sintoma de como a Veja vê o mundo, dessa narrativa burguesa neo-liberal do self-made man.

OP: Outro olhar colonial sobre o Nordeste é essa romantização idílica da região como paraíso, o lugar para passar as férias, do não-trabalho. Como se elaborou esse discurso?

Durval: A construção do Nordeste é, em grande medida, romântica — e um dos grandes traços do romantismo é justamente a recusa da modernidade O romântico idealiza o passado, idealiza a natureza, que cria esse mundo de fusão do homem com o natural e cria o idílico para se contrapor o mundo da máquina, do artifício, da cidade. Embora o romantismo tenha sido um movimento literário, cultural e filosófico localizado no XVIII até metade XIX, essa relação de recusa do presente segue existindo até hoje. O sertão idealizado de Ariano Suassuna é possível porque ele foi filho de uma elite, ele não passou fome, ele não fez retirada, ele não sabe o que o sertão significa para os pobres. Romantiza-se a vida no campo quando se é o dono, o proprietário da terra. Essa romantização do nordeste como um paraíso natural foi muito reforçada quando a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) financiou uma série de programas voltados para o turismo no nordeste. Esse discurso turístico vai vender esse nordeste da água de coco, da preguiça, da rede e do mar. Esse turismo econômico é tão forte no Ceará que o Governo Estadual financiou até novela global para vender esse nordeste das férias. A grande ausência na produção cultural do nordeste é a cidade, é o fenômeno metropolitano. Constrói-se o tempo todo esse imaginário da vila perdida no meio do mundo, mas nós temos três das maiores metrópoles do País. Só muito recentemente o cinema e o teatro nordestino começaram a abordar o fenômeno urbano.

OP: Como propor outros e reconstruir imaginários sobre o Nordeste?

Durval: Não é que eu queria acabar com o Nordeste, mas a gente tem que rever esse imaginário e repensar completamente esses conceitos que nos colocam num lugar de segunda categoria. A reconstrução desse imaginário tem que ser um trabalho das artes, tem que ser um trabalho da política, tem que ser um trabalho das ciências sociais, tem que ser um trabalho dos meios de comunicação, tem que ser um trabalho da educação. Pra você ter uma ideia, quando eu estudei lá nos anos 1960, 1970, meu livro de leitura, de História e de Geografia se chamava "Nordeste". Nós estávamos em plena ditadura e éramos praticamente alfabetizados no regionalismo. Quando cheguei na universidade, nos anos 1980, sete em cada 10 monografias eram sobre esse nordeste do cangaço, da seca, do coronelismo, do messianismo… A própria universidade reproduz esse imaginário. As mudanças não se dão de uma hora pra outra, mas é importante essa crítica.

O sotaque das artes brasileiras

Nas artes, o debate sobre a construção de imaginários nordestinos atravessa a criação de personagens. Carri Costa e Karla Karenina, grandes nomes da comédia cearense, mantém o sotaque como força em seus trabalhos.

"Não faltava gente tentando imitar meu sotaque de forma estereotipada pra fazer graça — de forma muito natural, como se fosse muito agradável — e perguntar coisas do tipo: 'Como vai a terrinha?'. Essa palavra 'terrinha' e a expressão 'artistas da terra' eu não consigo digerir bem. O contrário não acontece, não se vê um cearense imitar um carioca ou um paulista numa conversa pra fazer graça", pontua Karla, que interpretou a personagem Meirinha na Escolinha do Professor Raimundo

Ator, diretor, produtor cultural e fundador do Teatro da Praia, Carri Costa resgata a vocação ao humor das brenhas do sertão — em seus amores e dores, para ele, tão universais quanto os experimentados no eixo Rio-São Paulo.

"Os personagens que eu construo na minha linha dramatúrgica são desprovidos de qualquer estereótipo pejorativo, mas eles são de conotação regional sim, têm sotaque, têm um jeito de pensar e de agir dentro de uma cultura. Eu não acho que o eixo Rio-São Paulo tem uma linguagem mais universal. Quando a gente fala da alma humana, em perspectiva dramática ou cômica, a gente tá falando da alma universal", defende Carri.

Diretor da Companhia Cearense de Molecagem, Carri destaca não ter que se enquadrar no jeito que o Sul e o Sudeste produzem teatro. "Não, eu tenho que produzir do meu jeito, com as minhas características, com as minhas raízes, com a minha cor, com o meu sabor, com o meu jeito. Somos alguém porque nós temos raízes, nós temos piso, a gente 'vem de'. Existem Fernandas Montenegros em todas as capitais desse Brasil".   

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