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Desfiles celebram cultura religiosa e cearense na Domingos Olímpio no primeiro dia do Carnaval
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Desfiles celebram cultura religiosa e cearense na Domingos Olímpio no primeiro dia do Carnaval

Avenida concentra tradicionais blocos e grupos de maracatu no Ciclo Carnavalesco de Fortaleza. Maracatu Solar trouxe homenagem a Exú no primeiro dia de festa
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AVENIDA virou palco para desfiles de maracatus e cordões (Foto: FERNANDA BARROS)
Foto: FERNANDA BARROS AVENIDA virou palco para desfiles de maracatus e cordões

Os tradicionais desfiles de maracatu marcaram a abertura do primeiro dia do Carnaval de Fortaleza 2026 na avenida Domingos Olímpio, neste sábado, 14. Com homenagem a Exu e celebrando os 300 anos da Capital, os grupos levaram para à avenida, que é um dos polos oficiais do Ciclo Carnavalesco, a celebração religiosa e a cultura cearense.

Um dos tradicionais grupos, o Maracatu Solar, entrou na avenida pouco depois do anoitecer na Capital com alas com representações de orixás do candomblé e de entidades da umbanda. Já o grupo Maracatu Rei Zumbi, celebrou na avenida os 300 anos de Fortaleza, trazendo elementos indígenas, a capoeira, a pesca, enquanto sua música fazia menção à Barra do Ceará, o primeiro bairro da Capital.

As apresentações dos grupos e blocos começaram por volta das 16h30min e seguiram até depois das 22h45min, com o último cortejo previsto na programação divulgada pela Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria da Cultura.

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As homenagens aos deuses de religiões de matriz africana marcaram as ruas com o colorido das roupas, representando elementos sagrados da natureza, carregados de energia. A manifestação cultural brasileira de matriz africana celebra a cultura cearense e, desde 2015, é reconhecida como patrimônio imaterial de Fortaleza.

Os festejos unem ritmo, dança e cortejo religioso em um espetáculo de cores, sons e tradição. Entre os grupos, desfilaram na avenida no primeiro dia do carnaval estão: Maracatu Rei do Kilombo, Maracatu Solar, Maracatu Rei Zumbi, Maracatu Axé de Oxóssi, Maracatu Obalomi, Maracatu Corte Imperial, Maracatu Nação Iracema e Maracatu Nação Baobab.

Dois blocos também marcaram os festejos na avenida no primeiro dia do Carnaval: Cordão Bolinha Bolão e Cordão Princesa no Frevo. Os desfiles estão previstos para acontecer na avenida, que é um dos polos oficiais do carnaval da Capital, durante os quatro dias do Ciclo Carnavalesco.

O coordenador do Patrimônio Histórico e Cultural, Diego Amora, comenta a importância dos desfiles tradicionais. “Uma manifestação que fala muito da nossa identidade. O maracatu para além do Carnaval também. Essa identidade, essa ancestralidade, essa identidade da cidade de Fortaleza revelada através desses grupos”, disse.

Ainda segundo Diego, uma das novidades neste ano na avenida foi a inclusão de um “trio” para melhorar o som durante os desfiles. “A gente optou por uma questão técnica pra gente evitar o delay”, disse. Outra novidade foi a mudança de sentido dos desfiles, saindo, este ano, da Barão do Rio Branco até a Jaime Benévolo.

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Além disso, neste ano, além dos desfiles, a avenida irá receber shows na segunda e terça-feira de Carnaval após as apresentações. Entre os artistas, estão previstos os artistas Jorge Aragão, Chico César, Bloco Luxo da Aldeia e Samya Kassia.

Cortejos foram observados por público diverso na avenida

No primeiro dia na avenida, os festejos começaram a ser acompanhados ao longo do fim de tarde e início da noite por um público diverso, entre crianças sujas de goma, adultos e idosos, que acompanharam a passagem dos grupos de maracatu e blocos.

Além das arquibancadas, o público acompanhou os desfiles pelas grades para observar os cortejos. Alguns trouxeram cadeiras ou bancos e assistiam ao lado de familiares, parceiros ou sozinhos. A presença era diversa, desde bebês de colo até idosos que já participaram de inúmeros carnavais.

Um das pessoas que acompanharam os desfiles foi Maria das Graças, 69, que assistiu às apresentações atenta ao lado dos netos, Kate Liz, 9, e Kevin Lopes, 3. Dentista e farmacêutica, ela vai dar plantão ainda hoje, mas aproveitou a brecha para trazer os pequenos, como faz todo ano.

Atentos, eles espichavam os olhos sobre as grades que os separavam do cortejo, prestando atenção ao colorido das roupas, aos personagens, recebendo a mensagem mesmo ainda sem entendê-la. “Trago sempre eles, pra manter a tradição e incentivar eles na cultura, na arte”, diz Maria.

Já para Luziane Queiroz, 51, o desfile tem um significado diferente, guarda uma memória, um sentimento de pertencimento. Apoiada em uma das grades, ela assiste sozinha ao cortejo passar.

"Todo ano, desde criancinha, minha vó me trazia pra ver os maracatus e agora eu venho só (...) Era muito bom, ela trazia a gente pequenina, ela achava lindo e eu aprendi a amar isso daqui", lembra, com os olhos miúdos emocionados.

Lucas Gabriel, 23, participa do desfile fantasiado de balaieiro, aquele que carrega frutas na cabeça, uma oferta aos orixás. “O maracatu significa muita coisa pra mim, me emociono, o desfile é espetacular. É tudo”, diz o auxiliar de cozinha, que participa pela terceira vez do desfile.

Ao final do desfile, as crianças tomaram a pista. Fantasiadas como diversos personagens, elas brincavam com sprays de espuma. Sob a supervisão dos pais e carregados da alegria da infância, os pequenos demonstravam que não tinham apenas a intenção de assistir, queriam participar, pertencer. (Com informações da repórter Gabriela Almeida)

 

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