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Material escolar pode ter variação de valor de até 481,72%
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Reportagem Seriada

Material escolar pode ter variação de valor de até 481,72%

Levantamento do Procon Fortaleza comparou o preço de 49 itens comercializados em livrarias e papelarias da Cidade

Material escolar pode ter variação de valor de até 481,72%

Levantamento do Procon Fortaleza comparou o preço de 49 itens comercializados em livrarias e papelarias da Cidade
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O preço do material escolar em algumas das principais livrarias e papelarias de Fortaleza pode variar até 481,72%. Esse é o caso da mochila de costas tamanho grande, que pode ser encontrada com valores que vão de R$ 47,60 até R$ 276,90

É o que aponta pesquisa do Departamento Municipal de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon Fortaleza), que monitora os principais produtos escolares em comércios da Capital.

A partir desses dados, o projeto Preço Comparado, uma parceria do O POVO com o Procon Fortaleza, disponibilizou recursos interativos que facilitem a pesquisa.

Para esta reportagem, também foi feito um recorte com 20 produtos dos 49 apurados no levantamento do Procon em oito estabelecimentos da Cidade.

A atual pesquisa foi realizada no período entre os dias 22 de dezembro de 2025 a 12 de janeiro de 2026. Segundo o Procon Fortaleza, o levantamento “teve como objetivo disponibilizar ao consumidor referências de preços e variedade de produtos, com base nos dados obtidos, permitindo a comparação entre estabelecimentos comerciais do segmento”.

Dos oito estabelecimentos visitados, cinco estão situados no Centro, um no Benfica, um no Presidente Kennedy e um no Bairro de Fátima. A Livraria do Estudante, no Centro, teve a maior variedade dos produtos pesquisados, com apenas 3 itens em falta. Já a Livraria Terra do Sol, também no Centro, é onde foi constatada a maior ausência dentre os produtos selecionados (16).

“A coleta dos preços ocorreu presencialmente, garantindo a fidedignidade das informações registradas”, destaca relatório do Procon. Os 49 itens pesquisados foram organizados nas seguintes categorias: lápis preto, lápis de cor, caneta esferográfica, pastas, artes, borracha, apontador, tesoura, caderno, caderno de desenho e mochilas.

 

Variação de preços dos produtos escolares

 

Por falar em mochilas, logo atrás delas aparece, entre as maiores variações de preço na Capital, o caderno capa dura de 1 matéria e 96 folhas. O produto pode ser encontrado com valores que vão de R$ 6,49 a R$ 26,50, uma diferença de 308,32%. Na sequência aparece o apontador de lápis com coletor, que varia de R$ 0,70 a R$ 2,70, ou cerca de 285,71%.

Entre os itens que mais variaram de preço, também vale destacar a tela para pintura (20cmx 30cm), que variou 167,15%; a borracha Record 40 (branca), com variação de 166,67%; a caneta esferográfica Neotip 0.7, cujas diferenças de preços chegaram a 133,33%; além do caderno de desenho capa dura (96 folhas), com variação de 104,71%.

Para além da variação de cada produto, a escolha das marcas também acaba pesando na hora de ir às compras. Ao comparar itens funcionalmente idênticos, a diferença de preço entre concorrentes diretos chega a ultrapassar os 300%.

Pesquisa do Procon Fortaleza  pode ajudar o consumidor a ter parâmetros de preços(Foto: AURÉLIO ALVES)
Foto: AURÉLIO ALVES Pesquisa do Procon Fortaleza pode ajudar o consumidor a ter parâmetros de preços

Um item pequeno, mas que exemplifica bem a lógica de precificação por marca, é a borracha. A Faber-Castell apresenta o item mais caro da categoria, com média de R$ 5,90. Já a Mercur tem preço médio de R$ 1,41. A diferença de valores entre as marcas chega a 318%.

Segundo o presidente do Procon Fortaleza, Wellington Sabóia, a intenção do órgão é disponibilizar preços, com opções de diversas marcas, para que pais e responsáveis pelas matrículas realizem seus comparativos, escolhendo itens de acordo com sua preferência.

"A pesquisa também é um instrumento de educação para o consumo, pois pode forçar à redução de preços por parte dos estabelecimentos, tendo em vista que o consumidor tende a optar por preços mais em conta", ressalta Sabóia.

 

Confira os maiores e menores preços por item

 

 

Consumidor deve atentar para pedidos ou preços abusivos

Além da pesquisa de preços, o consumidor deve ficar atento a pedidos abusivos na lista de materiais escolares elaborada pelas escolas.

“O Procon já encontrou itens considerados abusivos, como: desinfetante, papel higiênico, sacos plásticos, rodos de espuma, álcool, pasta colecionadora, baldes de praia, copos descartáveis e outros produtos”, lista o presidente do Procon Fortaleza, Wellington Sabóia.

O diretor do Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (BrasilCon), Thiago Fujita, explica que “a escola pode pedir itens de uso individual e pedagógico, tais como lápis, cadernos, canetas e livros. O que ela não pode solicitar são itens de uso coletivo, por exemplo, bola, giz para quadro, material de limpeza. Tudo que seja coletivo, quem deve arcar é a escola, por meio da mensalidade”.

“O que ela pode pedir do aluno é o material, a compra de livros, a compra de itens que vão ser utilizados individualmente para fins pedagógicos do aluno. O que não pode é exatamente as escolas requererem situações que são de obrigação delas. Material de escritório, cartolina, papel ofício, uma série de situações em que já é obrigação da escola arcar”, enfatiza Fujita.

Ele orienta que em casos de pedidos abusivos, “o consumidor deve primeiramente fazer a reclamação na escola e, caso a escola não atenda, ele deve abrir uma reclamação nos órgãos de defesa do consumidor, que inclusive estão bem atentos nesse período, estipulando multas quando necessário”.

 

Confira variação de preços por categorias

 

Já sobre preços abusivos, o diretor da BrasilCon explica que mais difícil é a identificação de preços abusivos e dá um exemplo. “Se, na mesma loja, uma borracha, em determinado período, custava R$ 3 reais e, quando entrou o fim de ano para compra escolar, passou a custar R$ 6, isso claramente é uma situação de preço abusivo”, cita.

“Em caso de aumento abusivo, o Procon Fortaleza deve ser procurado. O interessante é buscar o órgão de defesa do consumidor diretamente nesse caso”, orienta Fujita.

 

 

Hábitos na hora de comprar material escolar mudaram

Com uma maior conscientização sobre os direitos do consumidor e as próprias mudanças pedagógicas adotadas por colégios particulares, os hábitos de consumo do fortalezense na hora de comprar material escolar também mudaram.

É o que explica o economista Alex Araújo. “O material didático hoje é distribuído em grande parte pelo colégio, principalmente quando a gente olha para o setor privado. O livro é, muitas vezes, fornecido pelo colégio. Está junto lá da matrícula. Eu acho que essa primeira mudança, de certa forma, reduziu bastante com algumas atividades, tipo aquele troca-troca de livros. Ainda existe, mas foi muito reduzido”, exemplifica.

Outra mudança foi o momento da decisão da compra, segundo o economista, antes muito concentrada nos meses de janeiro e fevereiro. “O consumidor distribui no tempo o momento da despesa, porque normalmente isso acontece na matrícula, ali em novembro e dezembro. Então, isso já tem sido antecipado”, observa.

“Parte dessas compras que antes eram muito concentradas no início do ano estão acontecendo um pouco mais cedo, até para a família ter maior capacidade de pesquisa e distribuir a despesa dentro das realidades mensais. Então, parte do material escolar começou a ser adquirida já no ano passado”, enfatiza.

“Isso diminui um pouco essas variações, porque é uma despesa muito relevante, principalmente levando em conta que esse período de volta às aulas coincide também com aquele dos pagamentos dos impostos anuais, tais como o IPVA e IPTU”, destaca Alex Araújo.

“Além disso, algumas famílias se juntam para comprar material escolar e pagar como se fosse no atacado de modo a economizar, já que tem uma diferença entre comprar em um shopping ou em um atacadista”, conclui.

 

Confira variação de preços por fabricante

 

 

Dicas e direitos na compra de material escolar

 

 

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