Logo O POVO+
Semana santa entre crimes e a morte do papa
Comentar
Foto de Ana Márcia Diógenes
clique para exibir bio do colunista

Ana Márcia Diogénes é jornalista, professora e consultora. Mestre em Políticas Públicas, especialista em Responsabilidade Social e Psicologia Positiva. Foi diretora de Redação do O POVO, coordenadora do Unicef, secretária adjunta da Cultura e assessora Institucional do Cuca. É autora do livro De esfulepante a felicitante, uma questão de gentileza

Semana santa entre crimes e a morte do papa

Uma reflexão sobre mulheres assassinadas no RS, plano para matar ao vivo pela internet um morador de rua e o discurso de respeito ao outro que Francisco nos deixa
Comentar
O Papa Francisco cumprimenta a multidão do papamóvel após a missa de Páscoa, na Praça de São Pedro, no Vaticano, em 20 de abril de 2025 (Foto: ANDREAS SOLARO/AFP)
Foto: ANDREAS SOLARO/AFP O Papa Francisco cumprimenta a multidão do papamóvel após a missa de Páscoa, na Praça de São Pedro, no Vaticano, em 20 de abril de 2025

Três homens foram presos no Rio de Janeiro por terem planejado o ataque e a morte de uma pessoa em situação de rua. A ação criminosa ia ser transmitida ao vivo, pela internet, neste domingo de Páscoa. A transmissão se daria pela plataforma Discord. A polícia investiga a existência de uma rede de jovens que usa esta plataforma para disseminar crimes envolvendo estupro, automutilação, racismo e maus-tratos a animais.

Seis mulheres foram mortas em seis cidades gaúchas em 24 horas entre sexta e sábado da mesma Semana Santa (para muitas religiões, pelo menos). Entre elas, uma grávida de seis meses. Entre as testemunhas, uma criança, filha de uma delas. Ex-namorados, ex-companheiros destruíram vidas e famílias em nome da posse, do controle, de não aceitar o fim de relacionamentos, por misoginia.

Dormi com esses casos na cabeça e acordei com a morte do papa Francisco. O religioso usou todas as oportunidades que teve para estimular o respeito, a tolerância e o acolhimentos entre as pessoas diante das diversidades e das adversidades. Ficava ao lado dos que mais precisavam de cuidados. Estava à frente de seu tempo, inclusive diante de questões em que a Igreja Católica precisava avançar.

Um dos municípios onde as mulheres gaúchas foram assassinadas tem o nome de Feliz. Talvez alguns pensem em uma frase clichê: triste coincidência. Mas, diante do legado de ensinamentos que o papa nos deixa, prefiro refletir sobre tudo isso a partir de outra perspectiva. A de que pessoas terem o direito de serem felizes à sua maneira prevaleça diante do ódio, da inveja, da perigosa sensação de controle sobre o corpo e a mente das pessoas. E que o ódio e o crime dos mais vulneráveis não tenham público para a ação e que ninguém seja atraído pela espetacularização.

O primeiro papa latino-americano enfrentou problemas de pedofilia envolvendo padres, estimulou bençãos a casais do mesmo sexo e que mulheres ocupassem cargos de relevância no Vaticano. É pouco? Sim, ainda falta muito a ser feito. Às mulheres é negado ser sacerdote. Só podem servir como freiras. Mas, mesmo assim, foram movimentos importantes para uma Igreja que vinha fechada no conservadorismo pelo quase sempre.

Juntei aqui a tentativa de espetacularização de invisibilizados pela sociedade - como são os que estão em situação de rua -, o caso das seis mulheres assassinadas em 24 horas num mesmo estado, e a morte de um papa que realmente trabalhou para que a humanidade mudasse para melhor.

São ângulos de uma mesma realidade que vivemos e que desafia todos os dias pais, responsáveis por crianças e adolescentes, educadores, gestores públicos e a cada ser humano para que pensemos, sem trégua, o que fazer no sentido de que transformações necessárias aconteçam o mais urgente possível.

Foto do Ana Márcia Diógenes

Histórias. Opiniões. Fatos. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.

O que você achou desse conteúdo?