Logo O POVO+
Editorial: Ceará é 1º lugar em identificação de desaparecidos
Comentar
Foto de Editorial
clique para exibir bio do colunista

O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública

Editorial opinião

Editorial: Ceará é 1º lugar em identificação de desaparecidos

Para além de demonstrar a importância da modernização constante e da valorização dos profissionais dedicados à área, o resultado representa um alento para milhares de famílias vítimas dos desaparecimentos, que retomam sua dignidade emocional
Comentar

Relatório técnico mais recente da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), vinculado ao Ministério de Justiça e Segurança Pública (MJSP), traz uma boa notícia para o Ceará: o Estado liderou a identificação de pessoas desaparecidas no Brasil no último ano, com 37 pessoas identificadas pela Perícia Forense do Estado (Pefoce).

Os dados correspondem ao período de outubro de 2024 e outubro de 2025 e, segundo o Governo do Ceará, refletem os investimentos na área a partir da modernização de processos e ao reforço estrutural técnico da Pefoce. Do total, foram 28 identificações com a comparação de DNA entre familiares de pessoas desaparecidas e restos mortais sem identificação, e nove com cruzamento genético entre restos mortais e perfis de pessoas condenadas registrados no banco de dados.

Os bancos de perfis genéticos são uma das bases da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (Lei n.º 13.812/2019). Na última Mobilização Nacional de Identificação de Pessoas Desaparecidas, realizada em agosto de 2025, foram coletadas 592 amostras biológicas de referências de familiares e 20 amostras de referências diretas, relacionadas a 453 casos de desaparecimento — dados cruciais para identificar os milhares de desaparecidos no Brasil. Somente em 2025, foram 69.354 desaparecimentos até outubro, conforme dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). No Ceará, o sistema indica 2.376 pessoas desaparecidas em 2025, uma média de sete por dia.

Para além de demonstrar a importância da modernização constante e da valorização dos profissionais dedicados à área, o resultado representa um alento para milhares de famílias vítimas dos desaparecimentos, que retomam sua dignidade emocional.

Os familiares com entes desaparecidos vivem o que se chama de "perda ambígua", quando não se sabe o verdadeiro status de vida ou morte do desaparecido. Segundo o estudo "Um olhar sobre a saúde mental de familiares com entes desaparecidos: revisão de escopo", a perda ambígua é o "tipo mais estressante de perda", por impedir a resolução e a realização de rituais de apoio ao luto, além de provocar "percepções confusas sobre os papéis familiares e sobre quem está dentro desse núcleo ou não".

A celeridade das análises da Pefoce também possibilita a identificação de desaparecidos ainda em vida. Familiares que estejam a procura de um ente desaparecido podem ir à unidade da Pefoce com documento oficial de identificação com foto e, se possível, informações sobre a pessoa desaparecida, como nome completo, data de nascimento, local e data aproximada do desaparecimento. A coleta do material genético é simples, indolor e feita por meio de swab bucal. O serviço é gratuito e os dados passam a integrar o banco de perfis genéticos, que se comunica com sistemas de outros estados, ampliando as possibilidades de identificação. 

 


Foto do Editorial

O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.

O que você achou desse conteúdo?