Fernanda Oliveira é cientista ambiental e pesquisadora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Membra da Liga das Mulheres pelo Oceano. Atualmente, atua nas áreas de conservação e impactos das atividades humanas nos ecossistemas costeiros
Fernanda Oliveira é cientista ambiental e pesquisadora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Membra da Liga das Mulheres pelo Oceano. Atualmente, atua nas áreas de conservação e impactos das atividades humanas nos ecossistemas costeiros
Altas temperaturas no verão são um grande atrativo para turistas e moradores frequentarem praias e piscinas, aproveitando uma estação que associamos a férias e diversão. No entanto, nem sempre esse “calorão” é algo positivo ou natural.
Em muitos casos, estamos diante de eventos extremos, que têm se tornado cada vez mais frequentes e intensos, trazendo impactos diretos para nossas cidades, nossa saúde e aprofundando problemas sociais já existentes.
Em grande parte do Brasil, verões quentes e chuvas intensas no fim da tarde sempre fizeram parte da nossa rotina. No entanto, com as mudanças climáticas, esses fenômenos vêm ocorrendo com maior frequência, duração e intensidade.
Temos enfrentado longos períodos de altas temperaturas e grandes volumes de chuva concentrados em poucos dias ou horas, o que gera impactos em comunidades, áreas urbanas e na qualidade de vida da população.
As consequências das fortes chuvas nas cidades infelizmente já são bem conhecidas, como alagamentos, deslizamentos de terra, danos à infraestrutura e até impactos no fornecimento de energia.
Porém, as consequências das altas temperaturas nem sempre são tão evidentes nas cidades, como secas que afetam diretamente a produção de alimentos e incêndios florestais, sendo o desabastecimento de água a mais clara para a população.
Os danos à saúde causados pelas altas temperaturas são mais facilmente observados em grupos da sociedade mais sensíveis, como idosos e crianças, podendo causar insolação, desidratação, exaustão, dores de cabeça e até agravar doenças respiratórias e doenças crônicas.
Já os riscos à saúde associados às chuvas intensas são menos diretos e muitas vezes causados pelo contato com água contaminada, como nos casos de leptospirose e gastroenterites. Além disso, altas temperaturas associadas às chuvas podem aumentar o risco de doenças infecciosas, como a dengue.
Esses eventos extremos evidenciam a desigualdade social e a importância da justiça climática e do planejamento urbano.
Nem todas as pessoas são impactadas da mesma forma pelas mudanças no clima: enquanto algumas trabalham e dormem em ambientes climatizados quando as temperaturas batem recordes, outras precisam trabalhar sob o sol intenso e não têm condições de se refrescar ou fugir das altas temperaturas.
O mesmo ocorre durante períodos de chuva intensa: populações que vivem em áreas periféricas ou de risco sofrem mais com enchentes e deslizamentos do que aquelas que residem em regiões com melhor infraestrutura urbana.
Embora não possamos evitar que esses eventos extremos aconteçam, é possível reduzir seus impactos por meio do planejamento urbano.
Medidas como o plantio de árvores para diminuir os efeitos das altas temperaturas, a criação de áreas verdes, a utilização de materiais nas ruas e calçadas que auxiliem na absorção da água da chuva e a manutenção da infraestrutura urbana contribuem para reduzir riscos de desabamentos, quedas de árvores e postes, entre outros impactos.
Estamos vivendo um novo mundo, com novos desafios. Os eventos extremos já deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte da rotina.
Sem planejamento urbano e políticas públicas eficientes, quem sofre mais é sempre a população mais vulnerável. A pergunta que fica é: vamos continuar reagindo aos desastres ou finalmente nos preparar para eles?
O oceano pela óptica científica e de gênero. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.