Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
Para começo de conversa, vamos à impressão pessoal do colunista sobre a figura de Roberto Cláudio. É, segundo entendo, uma das pessoas públicas mais preparadas da geração atual, seja para o debate político, no plano teórico, seja quanto à capacidade de dar resposta concreta aos problemas, ou de enfrentá-los, pelo menos, considerada a sua experiência como gestor, no comando da Assembleia e nos oito anos como prefeito de Fortaleza. Por isso é que muita gente considerava haver um caminho natural sendo construído que o levaria ao Palácio da Abolição.
O conceito que tenho de RC é o mesmo de muita gente que conheço. Aliás, ouvi do próprio Ciro Gomes, quando o entrevistei para as Páginas Azuis do O POVO, em 2017, que o sucessor natural do então governador Camilo Santana seria o então prefeito de Fortaleza. Vale ressaltar que à época era todo mundo do mesmo campo político, portanto, ele (Ciro) ainda não havia descoberto todos os defeitos de Camilo que hoje ressalta nos seus pronunciamentos públicos. E, imagino, sobre os quais fala em tom ainda mais virulento nas conversas privadas, se é que há espaço para ser ainda mais agressivo.
O fato, voltando a falar de Roberto Cláudio, é que seria importante à política cearense tê-lo de volta ocupando mandato popular porque, não é questão de votar nele ou não, seria um ganho de qualidade no debate público que, convenhamos, anda bem pobre. No desenho de chapa majoritária que está sendo feito agora pelos articuladores do bloco oposicionista, a cadeira que lhe está sendo destinada é a de vice-governador, companheiro, portanto, de Ciro em sua aventura eleitoral, caso realmente vá adiante a disposição que segue demonstrando de disputar a sucessão de Elmano de Freitas, contra o próprio.
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Uma ideia interessante, na perspectiva oposicionista, não apenas pelo que ele agrega de peso eleitoral, algo até relativizável diante de sua fraca performance como candidato ao governo em 2022 ou como cabo eleitoral de José Sarto em 2024, mas, principalmente, porque seria, na perspectiva de uma vitória, elemento-chave para governar. Ao contrário de Ciro Gomes, que esteve distante da realidade política cearense nos últimos anos e certamente tem dificuldade até para identificar quem é quem, muitas vezes, RC sabe o que representa cada liderança da atualidade e teria condições de assumir um papel fundamental no dia-a-dia de um eventual governo, caso a vitória venha.
Ter alguém da confiança pessoal como vice é uma das condições que Ciro apresenta aos aliados, que não têm razão para se contrapor a isso e não o farão em nome do objetivo eleitoral de derrotar o PT. O provável candidato está em condições de impor um nome porque se tem claro que é a opção eleitoralmente mais viável para comandar um projeto de oposição.
É preciso dizer que, a exemplo de Ciro, o ex-prefeito de Fortaleza também reviu os bons conceitos que tinha no passado, voltando àquele tempo de 2017, por exemplo, acerca de Camilo e seus métodos e até, de maneira mais ampla, sobre o projeto que comanda a política no Ceará contando-se desde a chegada de Cid Gomes em 2007. No caso dele, inclusive, gerando uma certa surpresa de quem não imaginava a postura raivosa quanto a antigos aliados que tem demonstrado desde a derrota eleitoral de 2022. Entenda-se bem: isso não significa lhe tirar o direito de estar chateado até hoje com a situação e de ser crítico do governo, independente de tê-lo apoiado um dia.
Definitivamente, a escolha dos candidatos ao Senado na chapa majoritária oficial não será um processo fácil e a cada dia cresce o risco de deixar sequelas para uma disputa que também se imagina difícil, na perspectiva do que deverão enfrentar. O deputado federal José Guimarães (PT), por exemplo, segue com seu projeto para 2026, indiferente às movimentações de outros aliados, e na semana realizou dois atos no Interior para demonstrar força. É difícil imaginar que lá na frente, na hora de decidir entre pelo menos sete nomes que têm sido citados e se movimentam de olho nas vagas, os preteridos simplesmente aceitem a situação e se engajem de corpo e alma na campanha.
Veja as análises:
Está sendo organizado um evento de força no Cariri para quando Ciro Gomes estiver por lá com sua disposição de pré-candidato ao governo. Houve uma reunião com ele e os mais próximos (Felipe Mota, Roberto Cláudio e Capitão Wagner) na segunda-feira, em Fortaleza, da qual participaram o presidente da Câmara de Vereadores de Juazeiro do Norte, Felipe Vasques (Agir), e o suplente de deputado estadual Aluísio Brasil (União Brasil), liderança do Crato. De volta à região, os dois sentaram-se com o prefeito juazeirense Glêdson Bezerra (Podemos), Zé Adega (PL) e Argemiro Sampaio (UB) já com data definida de 7 de fevereiro para que o evento político aconteça. A ideia é fazer muito barulho para mostrar força na abertura de um calendário de encontros regionais que, segundo se pretende, acontecerão por todo o Estado.
É resultado direto do alto prestígio que tem o secretário Idilvan Alencar, da Educação, o anúncio rápido pelo prefeito Evandro Leitão (PT) de que a gestão de Fortaleza aplicará imediatamente o novo piso salarial para professores e professoras, previsto em Medida Provisória assinada na semana pelo presidente Lula. Em alta com o prefeito, Idilvan cuidou logo de tratar do assunto com ele e, inclusive, conseguiu convencê-lo da importância de anunciar de imediato a decisão, pelo peso do exemplo que a capital acaba exercendo. Deputado federal licenciado, ele, que é do PDT, já começou a articulação com colegas de Câmara para garantir que a MP seja aprovada sem susto no Congresso, apesar das tensões pré-eleitorais que paralisam muita coisa em Brasília.
A coisa anda mais agitada no Rio Grande do Norte do que faz crer a falta de notícias sobre o cenário de lá. A governadora Fátima Bezerra (PT) decidiu que será candidata ao Senado e, por isso, renuncia ao cargo em abril, conforme a lei determina. O problema: o vice, Walter Alves (MDB), se recusa a assumir o governo e planeja disputar vaga de deputado estadual, exigindo uma eleição para governador-tampão. Só que o presidente da Assembleia também foge da cadeira e decidiu buscar novo mandato. Walter não teria apoio de Fátima se tentasse reeleição e a governadora articula, agora, para eleger na escolha indireta, pelo voto dos deputados, o petista Cadu Xavier, permitindo a ele disputar reeleição como governador. Meio maquiavélico, mas é política pura.
A POLÍTICA NA HORIZONTAL
Alexandre Cialdini, secretário de Planejamento, preparou um diagnóstico detalhado da situação das contas públicas do governo do Ceará, municiando o governador Elmano de Freitas (PT) das informações necessárias sobre o quadro atual para o debate eleitoral. Cenário bom o suficiente para garantir ao Estado o selo Capag A , garantindo-lhe alta capacidade para captação de recursos.
A oposição terá dificuldade para atacar a gestão, conforme os números apresentados, pelo lado econômico.
Lia Gomes, que é deputada estadual pelo PSB, tem ganho pontos junto ao governo, do qual inclusive faz parte como secretária das Mulheres do Ceará, pela postura serena que apresenta sempre que é chamada a se manifestar sobre a confusão política e a situação envolvendo os irmãos Ciro e Cid para as próximas eleições no Ceará.
Ela reafirma que estará com Cid Gomes onde ele estiver, mesmo que o outro irmão seja candidato ao governo. Isso, hoje, soa como música, boa de ouvir, no Abolição.
Leo Couto (PSB), presidente atual da Câmara de Vereadores de Fortaleza, já não é tão enfático quanto antes ao negar planos de candidatura em 2026. Segundo ele, em falas mais recentes sobre o assunto, a decisão final será tomada no momento oportuno e ouvindo as pessoas certas.
É um movimento acompanhado com atenção no legislativo fortalezense, porque pode impactar nos planos de futuro de muita gente. Aliás, tem potencial para movimentar até a equipe do prefeito Evandro Leitão (PT), de quem é aliado.
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