Intercâmbio em Madrid: três semanas de descobertas
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Com formação em desenvolvimento mobile pelo IFCE e pela Apple Academy, junto ao seu conhecimento em Design e Animação, atuação em UI|UX e experiência na criação de aplicativo móveis, fundou a Startup Mercadapp. É amante dos livros, da música, do teatro e do ballet. Tudo isso sempre junto e misturado a tecnologia e inovação. Escrever sempre foi seu refúgio dentro dessa jornada tão desafiadora, que é ser uma jovem mulher empreendedora
Intercâmbio em Madrid: três semanas de descobertas
Em um intercâmbio, há algo mágico no encontro entre desconhecidos que se tornam cúmplices de jornada
Foto: Arquivo pessoal
Topo do Palácio de Cibeles
Há cidades que parecem ter sido feitas sob medida para acolher viajantes curiosos. Madrid é uma delas. Não apenas pela beleza dos seus prédios históricos, dos museus imponentes ou das praças cheias de vida, mas pela forma como a cidade respira cultura, mistura tradição e modernidade e convida cada visitante a sentir-se parte dela.
Depois da minha primeira experiência como turista, escolhi voltar a Madrid, alguns meses depois, para viver três semanas intensas em um intercâmbio de espanhol. Uma experiência que se tornou muito mais do que apenas aulas de gramática ou exercícios de conversação.
Madrid, capital da Espanha, é uma cidade vibrante que reúne cerca de 3,3 milhões de habitantes e que, desde o século XVI, quando se tornou sede da corte espanhola, carrega a marca de ser um centro político, cultural e artístico.
Andar pelas ruas de bairros como Malasaña, La Latina ou Salamanca é encontrar contrastes: cafés boêmios, mercados tradicionais, livrarias históricas e bares de tapas disputados por moradores e estrangeiros.
Para quem está aprendendo espanhol, não há sala de aula melhor do que a própria cidade, onde cada esquina é um convite para praticar, errar, corrigir e seguir aprendendo.
O intercâmbio foi, em si, um presente de imersão. Três semanas parecem curtas no calendário, mas longas quando medidas pelas experiências. A cada manhã, as aulas reuniam pessoas de diferentes nacionalidades, todas com um objetivo em comum: dominar uma nova língua.
Era curioso perceber como o espanhol, que para alguns parecia tão distante, para mim soava familiar, talvez pelo parentesco com o português. Mas ainda assim, havia os desafios: as expressões locais, os falsos cognatos, a musicalidade própria de Madrid. Aprender uma língua em outro país é também aprender a pensar de outra maneira, a ver o mundo sob uma ótica diferente.
Fora da escola, a cidade se encarregava de ser o complemento ideal. As tardes foram preenchidas por visitas ao Museu do Prado, caminhadas pelo Parque do Retiro, que se transformava em um refúgio de tranquilidade no meio do ritmo acelerado; ou pelas noites animadas da Gran Vía, que sempre parecia acordada, mesmo quando o relógio avançava para além da meia-noite.
Cada experiência era uma oportunidade de colocar o espanhol em prática, fosse pedindo uma comida ou conversando com colegas sobre o melhor caminho até a Plaza Mayor.
Porém o que mais me marcou, foram as pessoas. Em um intercâmbio, há algo mágico no encontro entre desconhecidos que se tornam cúmplices de jornada. Compartilhamos erros engraçados ao falar, ajudávamos uns aos outros a encontrar palavras, e logo surgiram amizades que iam além da sala de aula.
Fiz rolês improvisados com amigos da Holanda, Alemanha e Londres, risadas em meio a tentativas de se comunicar corretamente e conversas sérias sobre cultura, política e sonhos de viagem. Aprender uma língua é também criar pontes, encontrar pontos em comum, e perceber que, mesmo vindos de mundos diferentes, havia sempre algo que nos unia.
Por isso, a importância de um intercâmbio vai além do domínio linguístico. É sobre se permitir viver uma rotina diferente, até mesmo horários de se alimentar diferentes, é experimentar outra forma de estar no mundo. Não basta traduzir palavras: é preciso compreender gestos, silêncios, entonações. É preciso sentir a cultura.
E isso se percebe ao provar uma tortilla espanhola num mercado de bairro, ao aplaudir um show de flamenco, ao conversar com os professores que são locais ou ao perceber como os madrilenhos vivem as ruas, como se elas fossem uma extensão da própria casa.
Ao fim das três semanas, a sensação era de que Madrid tinha se tornado parte de mim. Já não era apenas uma cidade bonita, era um lugar onde aprendi, cresci, errei e me diverti. Um lugar que me ensinou que aprender uma nova língua é também aprender uma nova versão de si mesma: mais aberta, mais corajosa, mais curiosa.
Deixar Madrid foi difícil. Eu já me sentia em casa, lá. Três semanas podem parecer pouco, mas quando preenchidas de descobertas, amizades e aprendizados, elas têm o poder de marcar uma vida inteira. E marcou definitivamente a minha.
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