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Da brevidade e da densidade
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Marília Lovatel cursou Letras na Universidade Estadual do Ceará e é mestre em Literatura pela Universidade Federal do Ceará. É escritora, redatora publicitária e professora. É cronista em O Povo Mais (OP+), mantendo uma coluna publicada aos domingos. Membro da Academia Fortalezense de Letras, integrou duas vezes o Catálogo de Bolonha e o PNLD Literário. Foi finalista do Prêmio Jabuti 2017 e do Prêmio da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil – AEILIJ 2024. Venceu a 20ª Edição do Prêmio Nacional Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil - 2024.

Da brevidade e da densidade

Aprendi com Luiz Antonio de Assis Brasil — sou sua aluna há mais de cinco anos — que a literatura é uma corrida de revezamento com passagem de bastão
Imagem ilustrativa de apoio. #ParaTodosVerem: um caderno de anotações em espiral está aberto sobre uma mesa de madeira escura, com um óculos e uma caneta apoiados sobre ele. Ao lado, há uma xícara de café e parte de um notebook prateado (Foto: Pexels/Polina)
Foto: Pexels/Polina Imagem ilustrativa de apoio. #ParaTodosVerem: um caderno de anotações em espiral está aberto sobre uma mesa de madeira escura, com um óculos e uma caneta apoiados sobre ele. Ao lado, há uma xícara de café e parte de um notebook prateado

Descobri que não sou uma escritora de fôlego. Explico com um exemplo esportivo: se eu praticasse atletismo, não seria maratonista nem competiria em longos percursos.

Para mim, funcionam melhor os trajetos curtos ou, no máximo, as corridas de meia distância. Isso porque recentemente escrevi Salvaterra, breve romance de coragem, e ando às voltas com outros dois breves romances.

Elegi o formato, com ele venho me entendendo bem, e nele pretendo prosseguir. E quem sabe, no futuro, possa se tornar uma marca distintiva que caracterize o meu fazer literário.

Alguns dirão “um pequeno romance é uma novela”. Vejamos, o que diferencia a novela do romance é bem mais do que a extensão do texto.

Na novela predomina o evento, a história que é contada, enquanto no romance, acontece uma ambientação social e psicológica que fundamenta e configura o universo mimético vivido pelas personagens. No romance tudo é mais denso [...] A novela por sua vez, é mais econômica, sintética e a ação acompanha apenas a trajetória de uma personagem”, pesquisei.

A morte de Ivan Ilitch, de Tolstói, e A metamorfose, de Franz Kafka, são novelas — e sensacionais.

Feitas essas considerações, acrescento que aprendi com Luiz Antonio de Assis Brasil — sou sua aluna há mais de cinco anos — que a literatura é uma corrida de revezamento com passagem de bastão. Assim sendo, sigamos em frente até que o ar fuja dos pulmões.

E tal frase me leva a um poema arfante que um dia escrevi: Somos náufragos à deriva, à espera de um resgate, antes que a sede nos mate, antes que o sol nos queime, antes que o ar nos falte na última inspiração. Somos náufragos nessa vida. Nossas tábuas flutuantes são fragmentos errantes, boias perdidas no mar, as palavras que agarramos para nos salvar.

Foto do Marília Lovatel

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