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Colunista de Economia, Neila Fontenele já foi editora da área e atualmente ancora o programa O POVO Economia da rádio O POVO/CBN e CBN Cariri.

Alguém precisa ouvir as necessidades das favelas

Números da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar revelam o tamanho do drama da fome em 2020
Tipo Opinião
Vista geral da favela Morro Azul, na zona sul do Rio de Janeiro.  A iniciativa surgiu da coordenação entre duas favelas do Rio de Janeiro, duas de São Paulo e seis de outras regiões (Foto: Tânia Rêgo)
Foto: Tânia Rêgo Vista geral da favela Morro Azul, na zona sul do Rio de Janeiro. A iniciativa surgiu da coordenação entre duas favelas do Rio de Janeiro, duas de São Paulo e seis de outras regiões

O clamor das favelas precisa ser ouvido. A catástrofe sanitária, econômica e social provocada pela pandemia exige ações urgentes e grandes movimentos coordenados para evitar um estado de calamidade maior.

Com 14 milhões de desempregados e a demora no auxílio emergencial, os números da fome disparam no País. São 116,8 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar no Brasil, conforme os números levantados pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. A falta de comida mostra a face mais dura da miséria, mas não é só isso.

Dados do Instituto Locomotiva e do Data Favela mostram o tamanho da desigualdade desses territórios, onde 50% dos domicílios em favelas têm quatro ou mais pessoas, e 60% têm no máximo dois quartos (uma média superior a quatro pessoas por dormitório). Os números dão uma dimensão da situação das pessoas e das dificuldades para elas permanecerem em casa, mesmo diante do risco pandêmico de morte.

O sócio-fundador da investidora in3 New B Capital S. A, Haroldo Rodrigues, destaca a necessidade de um grande pacto de dignidade da favela. Na sua avaliação, somente unindo os esforços é que serão possíveis ações concretas, além das filantrópicas.

O executivo defende investimentos em ESG (sigla que estabelece critérios ambientais, sociais e de governança centrados na medição da sustentabilidade e do impacto social de um investimento). Essa seria a mola propulsora para se conseguir um território digno, com saneamento, água, alimentação e moradia.

Há um projeto-semente sendo iniciado junto a empresas de mineração, algumas responsabilizadas por grandes catástrofes, como a de Mariana, em Minas Gerais. Com o apoio dessas companhias de grande porte do setor, Haroldo considera a possibilidade de investimentos e recuperação de territórios considerados degenerados.

Ou seja, além da alimentação de pessoas que foram jogadas em uma situação de miséria, seria possível criar ações para se pensar em um período pós-pandemia.

Plantação de mastruz no Ceará
Foto: Divulgação
Plantação de mastruz no Ceará

Mercado 

VENDAS DE MASTRUZ TRIPLICAM

A empresa cearense Campo Ouro Verde teve as vendas triplicadas de mastruz, após surgirem notícias de que a planta ajudaria no aumento da imunidade e no combate à Covid-19. De acordo com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), os compostos presentes do mastruz atuam como inibidores de enzimas envolvidas na replicação do vírus Sars-COV-2.

O diretor da Campo Ouro Verde, Alderlan Sampaio, ressalta que o mercado de folhagens está aquecido neste período de pandemia, com uma preocupação maior das pessoas com alimentação saudável.

Turismo

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

O secretário do Meio Ambiente do Ceará, Artur Bruno, defende que o turismo ecológico é uma alternativa saudável nestes tempos de pandemia. "Nosso estado possui belezas naturais conhecidas no mundo inteiro", ressalta. Diante disso, tem início, de forma virtual, a primeira capacitação para profissionais de turismo sobre as unidades de conservação estaduais. O trabalho é realizado em parceria com a Secretaria de Turismo, Câmara Setorial de Turismo, Sindicato dos Guias de Turismo e Escola de Gestão Pública.

Famílias

PODER DE CONSUMO

A retomada do poder de consumo das famílias é um dos vetores importantes para a retomada da economia, que deve ser considerado. A demanda provocada pelos consumidores representa 60% do PIB. Portanto, o governo terá de investir para que haja uma retomada. O ministro Paulo Guedes já destacou os limites da União, principalmente diante do mercado, que não aceita esse tipo de iniciativa, embora tecnicamente seja um caminho viável.

Crediamigo

NOVAS MEDIDAS

O Banco do Nordeste anunciou novas medidas para reduzir o impacto da pandemia nesta segunda onda de Covid-19. Dentro do programa Crediamigo, foi ampliada a carência para o pagamento dos empréstimos, renegociações ou reescalonamento de operações com ou sem atraso.

Adel

EXPANSÃO NA PARAÍBA

A Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) passa a desenvolver ações em três municípios da Paraíba. Fundada no Ceará, a entidade atua com o empreendedorismo e o protagonismo de jovens e agricultores. Os projetos são do Programa SER - Saúde, Educação e Renda, do Instituto Neoenergia, com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

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