É o(a) profissional cuja função é exclusivamente ouvir o leitor, ouvinte, internauta e o seguidor do Grupo de Comunicação O POVO, nas suas críticas, sugestões e comentários. Atualmente está no cargo o jornalista João Marcelo Sena, especialista em Política Internacional. Foi repórter de Esportes, de Cidades e editor de Capa do O POVO e de Política
A cobertura de segurança pública costuma envolver detalhes nos quais é necessária prudência redobrada na hora de relatar um caso. A construção de títulos ou frases ambíguas pode gerar questionamentos e críticas que descredibilizam a apuração.
Foto: Camila de Almeida em 20/09/2019
Imagem de apoio ilustrativo. Intervenção policial teve atuação do Raio, da PMCE
A cobertura de segurança pública do O POVO ao longo da última semana teve alguns conteúdos com títulos dúbios ou que pelo menos poderiam passar informações mais claras aos leitores. Publicada no portal na última segunda-feira, 9, a matéria “Quatro pessoas são resgatadas de cárcere privado por facção em Fortaleza” ficou marcada pela ambiguidade no enunciado.
Um seguidor chegou a ironizar a postagem do caso no Instagram perguntando se havia sido a organização criminosa a resgatar as vítimas. O contexto mais lógico permite concluir que não seria o caso e que os membros da facção teriam executado a ação delituosa.
Outra interpretação plausível, mas que não ocorreu, seria a de um conflito entre facções criminosas. No fim das contas, o título poderia ser construído sem deixar margem para dúvidas.
Porém, os deslizes textuais não pararam por aí. Em outro trecho da mesma matéria, é dito que os alvos da operação policial tentaram fugir por um terreno próximo à casa onde as vítimas estavam em cárcere privado que “dois conseguiram ser capturados pelos agentes militares”.
Na verdade eles não tiveram êxito na fuga e foram presos. Da forma como a matéria foi publicada, ficou parecendo que eles estavam dedicados a serem detidos. O que definitivamente não era o caso.
Oito jovens em um sítio
Noutra matéria, também no âmbito da cobetura de segurança pública, e publicada na quinta-feira, 12, o título era: “4 crianças e 4 adolescentes são encontrados em sítio na Pacatuba”. A primeira pergunta que surgiu ao ler o enunciado foi na tentativa de identificar qual seria o problema dos jovens estarem no tal sítio.
O título pouco esclarecedor na matéria deixou mais dúvidas do que informações. As crianças e os adolescentes foram encontrados em que condição? Estavam vivos? Havia alguma situação de ato infracional envolvendo as pessoas em questão? A explicação que deveria estar no título aparece apenas no “abre” da matéria, apontando que a Polícia apura suposto rapto dos jovens.
Acontece que na postagem sobre o caso no Instagram, o subtítulo foi omitido da legenda na publicação, deixando a história ainda mais confusa para quem buscou se informar por lá. “Se for numa escola, encontra um bucado (sic). Qual o contexto desse ‘encontro’, redator?”, perguntou ironicamente um seguidor. “E os genitores, onde estão? Crianças sozinhas”, indagou outro.
“Se não tem a informação por completo não publiquem, simples assim. ‘Foram encontrados’ por quem? Por que? A família dessas crianças deu queixa? Até as matérias hoje em dia são caóticas”, criticou uma terceira.
A cobertura de segurança pública costuma envolver aspectos delicados, detalhes muitas vezes sensíveis nos quais é necessária prudência redobrda na hora de relatar um caso. Além disso, são muitos os casos em que as informações já nascem desencontradas, cabendo à reportagem também essa tarefa de organização.
A construção de títulos ou frases ambíguas ou mesmo a falta de clareza ao passar essas informações podem gerar questionamentos e críticas que descredibilizam a apuração.
Conselho de Leitores 2026
O Conselho de Leitores do O POVO formou uma nova turma para 2026 na última quarta-feira, 11 de fevereiro. No total, 12 pessoas vão compor o colegiado, sendo três integrantes reconduzidos do ano passado e nove novos membros. A iniciativa existe desde 1998 e é mais um dispositivo por meio do qual O POVO abre as portas para os leitores, que poderão analisar, criticar, sugerir e elogiar o conteúdo jornalístico produzido por O POVO em suas várias plataformas.
Pluralidade é uma marca que tem acompanhado a composição do Conselho de Leitores ao longo dessas quase três décadas. Em 2026 não será diferente, com um colegiado composto por membros com atuação profissional nas mais variadas áreas da sociedade, que certamente contribuirão bastante com debates e ideias para o aprimoramento do jornalismo produzido pelo O POVO.
FORTALEZA-CE BRASil - 11,02,2026 - Reunião do Conselho Jornal Opovo no espaço Opovo (João Filho Tavares O Povo)
Crédito: João Filho Tavares
O ano de 2026 já tem se mostrado particularmente desafiador para a cobertura jornalística. E ainda com a expectativa de aumento dessa percepção por eventos como os 300 anos de Fortaleza em abril, a Copa do Mundo em junho e julho, as eleições gerais em outubro além de outros grandes eventos previstos e os imprevistos.
Essa multiplicidade de olhares dos conselheiros acompanhada de um debate construtivo e respeitoso às diferenças será de grande valia para que O POVO possa levar aos leitores a melhor cobertura possível. E que seja uma oportunidade para que os integrantes do Conselho entendam mais detalhadamente os processos de produção jornalística de uma Redação que se abre para ouvir e compreender o que pensam os leitores.
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