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O tempo não está para populismos ou viralatismo
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Vertical é a coluna de notas e informações exclusivas do O POVO sobre Política, Economia e Cidades. É editada pelo jornalista Carlos Mazza

Vertical política

O tempo não está para populismos ou viralatismo

Crise na Venezuela não traz nada ao Brasil além de instabilidade; cabe ao País manter o papel que sempre teve, de defesa da paz e da soberania
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Captura de tela da conta X do Rapid Response 47, a conta oficial de resposta rápida da Casa Branca, mostra o presidente venezuelano Nicolás Maduro (C) escoltado por agentes da DEA dentro da sede da Agência Antidrogas dos EUA (DEA) no sul de Manhattan, Nova York, em 3 de janeiro de 2026 (Foto: FOTO AFP / CONTA X DA RAPID RESPONSE 47)
Foto: FOTO AFP / CONTA X DA RAPID RESPONSE 47 Captura de tela da conta X do Rapid Response 47, a conta oficial de resposta rápida da Casa Branca, mostra o presidente venezuelano Nicolás Maduro (C) escoltado por agentes da DEA dentro da sede da Agência Antidrogas dos EUA (DEA) no sul de Manhattan, Nova York, em 3 de janeiro de 2026

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A busca por democracia está longe de ser a razão por trás da invasão dos EUA na Venezuela. Aqueles que insistem nessa retórica são uma minoria já convertida, propensa a justificar qualquer ação que parta do governo Donald Trump com pouca coisa além de torcida e identificação ideológica. Para a massa mais moderada da população, no entanto, parece já estar claro o interesse americano pelas vastas reservas de petróleo venezuelanas. Identificar tal subtexto é fácil, principalmente quando o próprio governo Trump deixa claro que passará a comercializar o recurso logo após a deposição de Nicolás Maduro. A pergunta que fica, então, é só uma: qual será a posição da classe política brasileira diante de tamanha ingerência externa na geopolítica latino-americana?

Perspectiva

O que veremos do Congresso? A tese de tachar facções como terrorismo será mantida? Teremos uma orquestração pela paz, ou bravatas incendiárias que agradam grupo A ou B nas redes, mas que podem arrastar o Brasil para uma guerra?

Tiro no pé

Em 2025, parte da direita ficou contra o próprio País em apoio às sanções de Trump contra o Brasil. Seis meses depois, é consenso que a ação foi péssimo negócio para o bloco, que viu uma disparada na aprovação de Lula.

Fla x Flu

É curioso, portanto, ver bolsonaristas insistindo na mesma tecla e celebrando a deposição, evento tão complexo e de consequências imprevisíveis para a região, como gol de time de futebol. E desejando ação semelhante no Brasil.

Soberania

Vale destacar o que já foi dito à exaustão nos últimos dias: não se trata de apoiar ou não a permanência do governo Maduro no poder, mas sim da preservação da soberania do nosso continente e do respeito às leis internacionais.

Regra do jogo

Cito o liberal João Amoêdo: "Uma nação não pode, unilateralmente, decidir por uma intervenção militar em outro país". Ao Brasil, cabe manter o papel que sempre teve na diplomacia, de defesa da paz e da soberania.

Instabilidade

Afeganistão, Iraque, Coreias, Panamá, os Bálcãs, etc: A história está cheia de exemplos das consequências desastrosas de intervenções externas, que nada de paz ou estabilidade trouxeram para as regiões atingidas. Pelo contrário.

Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas e Ratinho Junior, governador do Paraná (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom e Rovena Rosa/Agência Brasil)
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom e Rovena Rosa/Agência Brasil Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas e Ratinho Junior, governador do Paraná

O papel de Tarcísio e Ratinho

Outro ponto dos mais questionáveis é ver líderes brasileiros de peso, e que se vendem como "moderados", comemorando a derrubada de Maduro nas redes. Falo de governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ratinho Júnior (PSD-PR).

Soma zero

O que ganha o Brasil com uma guerra na Venezuela? Qual o benefício ao nosso povo com um conflito armado em um vizinho gigante e de ampla fronteira conosco? Nenhum, fora novas crises humanitárias e imprevisibilidade.

Prudência

A julgar pelo contexto político nacional, a comemoração sorridente nas redes só tem duas explicações, que vão entre o populismo mais irresponsável e o puro viralatismo de quem deseja bater continência à bandeira dos EUA.

Indefensável

O argumento de que uma parcela da população venezuelana apoia a deposição de Maduro é de pouca serventia. /// Não há apoio absoluto a nenhuma tese e, até dia desses, tinha senador brasileiro defendendo abertamente bombardeios americanos no Rio de Janeiro. E pré-candidato à Presidência até.

 

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