Vertical é a coluna de notas e informações exclusivas do O POVO sobre Política, Economia e Cidades. É editada pelo jornalista Carlos Mazza
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A busca por democracia está longe de ser a razão por trás da invasão dos EUA na Venezuela. Aqueles que insistem nessa retórica são uma minoria já convertida, propensa a justificar qualquer ação que parta do governo Donald Trump com pouca coisa além de torcida e identificação ideológica. Para a massa mais moderada da população, no entanto, parece já estar claro o interesse americano pelas vastas reservas de petróleo venezuelanas. Identificar tal subtexto é fácil, principalmente quando o próprio governo Trump deixa claro que passará a comercializar o recurso logo após a deposição de Nicolás Maduro. A pergunta que fica, então, é só uma: qual será a posição da classe política brasileira diante de tamanha ingerência externa na geopolítica latino-americana?
O que veremos do Congresso? A tese de tachar facções como terrorismo será mantida? Teremos uma orquestração pela paz, ou bravatas incendiárias que agradam grupo A ou B nas redes, mas que podem arrastar o Brasil para uma guerra?
Em 2025, parte da direita ficou contra o próprio País em apoio às sanções de Trump contra o Brasil. Seis meses depois, é consenso que a ação foi péssimo negócio para o bloco, que viu uma disparada na aprovação de Lula.
É curioso, portanto, ver bolsonaristas insistindo na mesma tecla e celebrando a deposição, evento tão complexo e de consequências imprevisíveis para a região, como gol de time de futebol. E desejando ação semelhante no Brasil.
Vale destacar o que já foi dito à exaustão nos últimos dias: não se trata de apoiar ou não a permanência do governo Maduro no poder, mas sim da preservação da soberania do nosso continente e do respeito às leis internacionais.
Cito o liberal João Amoêdo: "Uma nação não pode, unilateralmente, decidir por uma intervenção militar em outro país". Ao Brasil, cabe manter o papel que sempre teve na diplomacia, de defesa da paz e da soberania.
Afeganistão, Iraque, Coreias, Panamá, os Bálcãs, etc: A história está cheia de exemplos das consequências desastrosas de intervenções externas, que nada de paz ou estabilidade trouxeram para as regiões atingidas. Pelo contrário.
Outro ponto dos mais questionáveis é ver líderes brasileiros de peso, e que se vendem como "moderados", comemorando a derrubada de Maduro nas redes. Falo de governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ratinho Júnior (PSD-PR).
O que ganha o Brasil com uma guerra na Venezuela? Qual o benefício ao nosso povo com um conflito armado em um vizinho gigante e de ampla fronteira conosco? Nenhum, fora novas crises humanitárias e imprevisibilidade.
A julgar pelo contexto político nacional, a comemoração sorridente nas redes só tem duas explicações, que vão entre o populismo mais irresponsável e o puro viralatismo de quem deseja bater continência à bandeira dos EUA.
O argumento de que uma parcela da população venezuelana apoia a deposição de Maduro é de pouca serventia. /// Não há apoio absoluto a nenhuma tese e, até dia desses, tinha senador brasileiro defendendo abertamente bombardeios americanos no Rio de Janeiro. E pré-candidato à Presidência até.
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