
Tânia Alves é formada em jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Começou no O PCeará e Política. Foi ombudsman do ornal por três mandatos (2015, 2016 e 2017). Atualmente, é coordenadora de Jornalismo..
Tânia Alves é formada em jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Começou no O PCeará e Política. Foi ombudsman do ornal por três mandatos (2015, 2016 e 2017). Atualmente, é coordenadora de Jornalismo..
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A foto dos estudantes caminhando com mochilas nas costas, captadas por Fábio Lima, no Campus do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC), na volta ao semestre letivo presencial, me trouxe a sensação de que estamos sempre revivendo muitos recomeços e tentando aprender com eles durante a pandemia.
Muitos daqueles meninos e meninas estavam pisando nos campi, como estudante universitário, pela primeira vez, mesmo já iniciados na vida acadêmica com aulas online. O início deste semestre letivo não é igual a tantos outros. Esses alunos 'veteranos-novatos' se juntam aos muitos que acabaram de passar pelo estresse do Enem e que pisam por ali como calouros de verdade. Com eles, a universidade tem uma responsabilidade sem tamanho.
Além das máscaras no rosto, para lembrar que algo mudou em nós, muitos deles chegam nos campi carregando marcas poucos aparentes, causadas pelo novo viver imposto pelas restrições sanitárias. Quando, no final do ensino médio ou início do ensino superior, necessitavam se agregar em grupos para trocas de ideias, tiveram que se contentar com a frieza das telas nos encontros virtuais, que não conseguem traduzir a energia emanada dos abraços ou dos sorrisos trocados em turmas ali pertinho.
No futuro eles serão lembrados como a geração que iniciou a universidade na pandemia, encerrou o terceiro ano do ensino médio sem festas, e certamente com memórias doloridas que atravessarão a vida inteira. Muitos deles estão frágeis, pois tiveram que olhar para si cedo demais, obrigados pela solidão que o confinamento proporciona; atravessaram os anos de pandemia convivendo com a dor de perdas, sem despedidas e, muitas vezes, proibidos de dizer sobre o amor que tinham pelos que se foram.
Neles enxergo, porém, uma força extraordinária na capacidade de adaptação e da inquietude dos que vieram predestinados para abrir caminhos na adversidade e receber com abraços. Tenho fé que, pelos aprendizados destes anos de pandemia, saberão como ninguém acolher, aqueles outros que, lá na frente, vão necessitar de carinho e abrigo.
Por outro lado, é preciso olhar para estes jovens, como está fazendo a Universidade Estadual do Ceará (Uece) ao recepcioná-los com apoio do plantão psicológico na pós-abertura; ou como o professor lá de Carnaubal, na Serra da Ibiapaba, que criou o projeto “Adote um Estudante” de acolhimento psicológico para alunos de escola pública e que já conta com adesão de psicólogos voluntários de vários cantos do Brasil. Essas iniciativas ajudam nos recomeços e se tornam refúgio nas chegadas.
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