Economia

Gasolina salta 9,09% em uma semana no Ceará e supera aumento da Petrobras nas refinarias

| Preço médio | Pesquisa da Agência Nacional do Petróleo ainda mostrar preço do litro do combustível menor do que os observados pelos consumidores nos postos do Estado
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no Ceará é a 4ª mais cara do Nordeste (Foto: Aurelio Alves)
Foto: Aurelio Alves Gasolina no Ceará é a 4ª mais cara do Nordeste

A escalada da gasolina deu um salto na última semana, segundo atestou a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP). O preço médio do litro do combustível subiu 9,09% entre 10 e 16 de outubro, de R$ 5,957 a R$ 6,499. A variação supera o reajuste de 7,2% feito pela Petrobras em 9 de outubro nas refinarias.

Tanto os R$ 6,499 observados como preço médio do litro da gasolina comum quanto os R$ 6,79 ainda estão abaixo dos valores que os cearenses costumam ver com mais frequência nos postos. Em Fortaleza, segundo a ANP, o valor médio é de R$ 6,507 e o máximo R$ 6,749. Mas, nas ruas é possível encontrar por até R$ 6,89.

"É composta da volatilidade do mercado. O mercado é livre. O posto sobe o que quiser, a distribuidora sobe o que quiser, a Petrobras também. Então, não batem os aumentos da companhia, com os aumentos da Petrobras, nem com os aumentos do posto. Por exemplo, nesse momento havia um represamento. Se você for observar, no varejo estava há muito tempo sem subir. A concorrência faz com que esses preços não coincidam com esses aumentos", argumenta Antonio José Costa, assessor econômico do Sindipostos-CE, que presenta os varejistas do setor.

No entanto, nas últimas quatro semanas, o combustível só recuou entre as semanas de 26 de setembro a 2 de outubro para 3 a 9 de outubro, de acordo com a ANP. Entre os estados do Nordeste, inclusive, o Ceará apresenta o 4º mais caro preço para a gasolina comum e, segundo Costa, a expectativa é de mais aumentos.

Ele argumenta que "a perspectiva de aumento é provocada por deságio na importação porque o preço do mercado externo está bem maior que o interno". De fato, o preço do barril de petróleo atingiu nível recorde em 2021, chegando a US$ 80, quando a produção não acompanhou a elevação demanda.

"Para você ter uma ideia, essa medida do presidente Lira, que quis aparecer para o mercado, foi só aparecer para o mercado. Disse ele que ela reduziria o preço da gasolina em 8%, mas só esse último aumento deu 9%. Então, o que adiantou? Nada! Está jogando para a plateia ou para torcida", ironiza.

A postura política como a crise dos preços dos combustíveis é tratada também é alvo dos comentários de Bruno Iughetti, consultor de Petróleo e Gás. Ele diz acreditar que o projeto que muda o cálculo do ICMS sobre os combustíveis "não faz sentido algum" e não deve "favorecer uma política duradoura de preços e que atenda tanto os interesses da Petrobras quanto dos consumidores".

O especialista aponta o aumento de 5% no etanol anidro, que é usado na composição de 27% da gasolina comum, como um provável motivo de a gasolina ter dado um salto tão alto em apenas uma semana, mas reconhece a desconfiança sobre "uma manobra de preços", vide que os valores praticados "não encontram parâmetro nenhum".

Iughetti voltou a criticar o tom político como a reforma do ICMS é tocada, defendendo que o imposto só passasse por mudança na Reforma Tributária prometida, e voltou a defender a constituição de um fundo para amortecer os solavancos que a política de paridade de preços da Petrobras tem causado no mercado interno.

Para ele, os recursos dos royalties de petróleo, resultado da exploração em solo brasileiro, seriam a fonte ideal para a constituição desse fundo. "Existe a necessidade de se estabelecer um sistema duradouro para a política de preços dos combustíveis, que seria um fundo de equalização de preço. Isso passou por alto pelo Palácio do Planalto sem merecer mais discussões", lamenta.

"O que acontece é que a gente tem de esperar o mercado internacional se acalmar porque a tendência a longo prazo é não continuar assim. É ter paciência, no momento", aconselha o assessor do Sindipostos-CE.

(Colaborou Adriano Queiroz)

 

Ranking de preços

Preços no Nordeste

ALAGOAS
R$ 6,312/litro

PIAUÍ
R$ 6,936/litro

RIO GRANDE DO NORTE
R$ 6,853/litro

CEARÁ
R$ 6,499/litro

SERGIPE
R$ 6,45/litro

BAHIA
R$ 6,238/litro

MARANHÃO
R$ 6,215/litro

PERNAMBUCO
R$ 6,186/litro

PARAIBA
R$ 6,163/litro

Preços no Ceará

Caucaia
R$ 6,439/litro

Maracanaú
R$ 6,703/litro

Iguatu
R$ 6,623/litro

Limoeiro do Norte
R$ 6,599/litro

Itapipoca
R$ 6,56/litro

Fortaleza
R$ 6,507/litro

Sobral
R$ 6,48/litro

Crato
R$ 6,439/litro

Juazeiro do Norte
R$ 6,302/litro

Icó
R$ 6,276/litro

Quixadá
R$ 6,091/litro

Fonte: ANP

 

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