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Pós-lockdown trouxe desafios, mas recuperação é crescente da economia no Ceará
Economia

Pós-lockdown trouxe desafios, mas recuperação é crescente da economia no Ceará

|RETOMADA| Oito meses após o início da reabertura da economia, dos setores impactados por restrições, o Turismo é um dos que tem voltado mais rápido. Já o Comércio é o único segmento que ainda apresenta tendência de desaceleração
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 Índice de atividades turísticas do Ceará acumula alta de 20,60% no ano, segundo IBGE (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE  Índice de atividades turísticas do Ceará acumula alta de 20,60% no ano, segundo IBGE

Média móvel de 3.125 mortes por Covid-19, a maior registrada no País desde o início da pandemia de Covid-19, números de vacinação patinando, com 11,26% da população tendo recebido a 1ª dose e apenas 3,49% as duas doses. Esse era o cenário no dia 12 de abril deste ano, quando o Ceará encerrava seu segundo lockdown, ou isolamento social rígido, em menos de 13 meses.

Naquele dia, diversas atividades, como o comércio e a alimentação fora do lar, foram autorizadas a voltar, ainda sob severas restrições de capacidade de público e horário de funcionamento. A decisão foi possível baseada em estudos do Comitê Estadual de Enfrentamento à Pandemia, que apontavam os primeiros indícios de que a pandemia havia atingido o seu pico, o que tornou factível traçar uma estratégia de reabertura gradual da economia.

Hoje, oito meses, 9 dias e 24 decretos de flexibilização depois, a maioria dos segmentos que tiveram de fechar suas portas para o atendimento presencial apresenta números positivos de recuperação. Segundo os dados mais recentemente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que abrangem os resultados obtidos pela economia cearense até o mês de outubro, o setor de serviços registrou, por exemplo, 8,1% de crescimento no acumulado dos últimos 12 meses.

É bem verdade que a maioria das empresas não conseguiu voltar a faturar em níveis pré-pandêmicos. Outras se endividaram com as linhas de financiamento emergenciais lançadas, tais como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), e um número expressivo de negócios e empregos não resistiu à segunda onda de Covid-19. Sem contar, os empreendedores e profissionais que perderam a vida e não terão mais sequer a possibilidade de comemorar superações em seus ramos de atividade.

O que mudou nos setores

Embora nunca tenha sido obrigada a paralisar totalmente as atividades presenciais por decreto, mas por falta de demanda, a atividade turística foi uma das mais afetadas pela pandemia. Mas também uma das que apresentou maior recuperação e um crescimento de 6,7% no acumulado dos últimos 12 meses. De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Ceará (ABIH-CE), Régis Medeiros, o avanço da vacinação (em Fortaleza, por exemplo, praticamente 100% da população adulta está imunizada) e a condução do processo de retomada possibilitaram uma recuperação mais acelerada do segmento.

"Entre o fim do primeiro lockdown e o início do segundo, nós passamos de um panorama em que, praticamente, todos os hotéis fecharam por falta de hóspedes até no máximo 55% de taxa média de ocupação na rede hoteleira no mês de janeiro deste ano. Do fim do segundo lockdown para cá, esses mesmos índices foram crescendo continuamente e passaram de 18% em abril para 76% em novembro. Aliás, já em outubro, com 75% de taxa de ocupação, nós conseguimos superar, inclusive, os números de 2019", detalha Régis Medeiros. "Então, realmente a gente sente consistência na retomada", complementa.

Recuperação mais tímida foi percebida no setor de alimentação fora do lar, embora não hajam dados oficiais específicos do segmento. Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), Taiene Righetto, "os bons números do setor de serviços no acumulado do ano têm participação dos nossos estabelecimentos, mas fomos os que menos cresceram. A nossa recuperação começou em meados de agosto. Ela começa muito pequena lá para junho mais ou menos, na medida em que voltavam a atividades econômicas, mas a nossa atividade continuava muito restrita".

Ele calcula que bares e restaurantes ainda trabalham com 70% do faturamento que tinham antes da pandemia. "Além disso, 60% do nosso setor está operando no vermelho, segundo pesquisa interna da Abrasel. As contas ainda não estão fechando. Então, é preciso ter um pouco de cautela quando a gente analisa esses resultados de crescimento, porque estávamos fechados em boa parte do ano passado. O endividamento das empresas também cresceu bastante. Agora começou-se a cobrar a conta dos empréstimos. Claro que existem outros fatores econômicos, como a inflação".

Leia mais nas páginas 11 e 13.

 

Reabertura gradual favoreceu crescimento econômico acima da média

Divulgado no último dia 16, o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará mostra que quase todos os setores tiveram desempenho acima da média do País, inclusive o índice geral.

No acumulado dos últimos 12 meses, o PIB do Ceará cresceu 5,58% e o do Brasil 3,9%. Já o setor de serviços, em igual período, teve expansão de 4,41% no Estado, ante 3,3% na média verificada nacionalmente. Os números da indústria cearense, por sua vez, subiram 9,40% contra 5,1% da média brasileira. Apenas no agronegócio, o panorama foi diferente com queda de 4,55% no Ceará e ligeira alta de 0,2% no Brasil.

Para especialistas ouvidos por O POVO, a forma como foi conduzida a reabertura no Estado favoreceu esse fenômeno. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, "esse processo mostrou ser um sucesso pelos dados que são apresentados. A gente observa um crescimento gradativo da economia cearense. Em nível nacional, é provável que a gente tenha um fechamento do PIB em 4,5% e, no Ceará, esse número deve ficar entre 6% e 6,5%".

"Esse modelo foi implementado aqui de forma escalonada, definindo aquilo que poderia ser aberto na medida em que você observava uma melhoria contínua nos números da vacinação, da redução do número de casos e mortes. A indústria dessa vez não parou. Então, você vem observando agora que os segmentos que tendem a crescer de forma mais consistente são os que estão relacionados aos serviços", destaca.

Nesse sentido, o analista de serviços do Instituto de Pesquisa Econômica do Ceará (Ipece), Alexsandre Lira, ressalta que já no terceiro trimestre o setor registra quase uma volta à normalidade. "Decreto após decreto, houve aumento da capacidade de atendimento presencial. As restrições existem ainda, como a obrigação do uso da máscara e o passaporte vacinal, mas quem adere a elas pode funcionar a 100%" ressalta.

Já o gerente do Observatório da Indústria, Guilherme Muchale, lembra que "os estados que tiveram um maior cuidado com com a questão das condições sanitárias, como um todo, acabaram propiciando uma retomada econômica mais consistente, uma vez que preservaram um item essencial que é o próprio capital humano. Você tem uma preservação de vida que se traduz em manutenção da capacidade produtiva".

 

LINHA DO TEMPO

2º lockdown: o isolamento rígido em Fortaleza começou em 5 de março de 2021. No dia 13, decreto estadual estendeu as medidas para todo o Estado.

12 de abril: no dia 4 de abril, Camilo Santana anunciou o início da flexibilização no Ceará para o dia 12 de abril. Com a reabertura, foram permitidas algumas atividades de serviço e comércio em horários reduzidos, toque de recolher de segunda à sexta-feira e lockdown aos fins de semana.

17 de abril: decreto anterior foi mantido, com liberação de atividades físicas individuais em espaços públicos.

23 de abril: flexibilização avança com liberações para escolas, igrejas, templos. barracas de praia e academias de ginástica. Lockdown continua aos sábados e domingos.

30 de abril: Camilo anuncia flexibilização aos sábados e domingos, com autorização para funcionamento de comércio e restaurantes. Na semana, as regras seguem as mesmas.

7 de maio: após quatro semanas de flexibilização, o Ceará não avança na reabertura, mantendo as medidas em vigor. Dois indicadores acenderam sinal de alerta: alto patamar de internações e aumento na positividade de exames

14 de maio: Região de Fortaleza e de Sobral avançam na flexibilização, com ampliação do horário de funcionamento das atividades comerciais. Cariri, Sertão Central e Litoral Leste/Jaguaribe continuam com as mesmas restrições.

22 de maio: decreto anterior é prorrogado mantendo ampliação Fortaleza e de Sobral e medidas mais rígidas nas outras três regiões do Estado

29 de maio: decreto amplia flexibilização no Sertão Central e Litoral Leste/Jaguaribe, que passam à mesma situação de Fortaleza e Sobral. Cariri mantém restrições

4 de junho: decreto amplia horário de funcionamento de shoppings e restaurantes até 22 horas e toque de recolher vai para 23 horas. Exceção é Cariri, onde restrições são mantidas

11 de junho: governo libera aulas em todas as séries do ensino médio, amplia a capacidade de público em academias, reabre museus, bibliotecas e cinemas. Apenas o Cariri continua com restrições

18 de junho: governador anuncia prorrogação do decreto, interrompendo a sequência de reabertura. Restrições mais severas mantidas no Cariri.

25 de junho: governo libera aulas presenciais em universidades.

28 de junho: decreto autoriza o funcionamento de feiras livres.

9 de julho: anunciado aumento do horário do comércio.

23 de julho: restaurantes podem funcionar até 23 horas. Eventos podem receber até 200 pessoas.

6 de agosto: por causa da chegada da variante Delta, decreto é prorrogado sem mudanças.

20 de agosto: Camilo anuncia que restaurantes moderão funcionar até meia noite.

3 de setembro: Camilo amplia horário de comércio e academias.

17 de setembro: aulas liberadas com 100% da capacidade e anúncio de evento-teste

1º de outubro: restaurante poderão funcionar até 2h; ensino presencial reforçado

15 de outubro: jogos autorizados com 30% da capacidade; as igrejas poderão funcionar com 100% da capacidade; e lojas, eventos e restaurantes também tiveram capacidade ampliada

29 de outubro: Decreto: Camilo amplia para 80% público nos estádios e exige vacinação

12 de novembro: Passaporte de vacina será exigido em restaurantes, bares e eventos no Ceará

26 de novembro: Ceará não terá grandes festas de Réveillon. Festas em locais abertos deverão ter no máximo cinco mil pessoas e em ambientes fechados o máximo será 2.500 pessoas.

Linha do tempo

2º lockdown: o isolamento rígido em Fortaleza começou em 5 de março de 2021. No dia 13, medidas são estendidas para todo o Estado.

12 de abril: começa a flexibilização. Foram permitidas atividades de serviço e comércio em horários reduzidos, toque de recolher de segunda à sexta-feira e lockdown aos fins de semana.

17 de abril: decreto avança com atividades físicas individuais em espaços públicos.

23 de abril: começa a liberar escolas, igrejas, templos, barracas de praia e academias de ginástica.

30 de abril: flexibilização aos sábados e domingos para funcionamento de comércio e restaurantes

7 de maio: decreto não avança em razão do alto patamar de internações e aumento na positividade de exames

14 de maio: Região de Fortaleza e de Sobral avançam no horário de funcionamento do comércio

22 de maio: decreto anterior é mantido

29 de maio: Amplia flexibilização no Sertão Central e Litoral Leste/Jaguaribe

4 de junho: liberado funcionamento de shoppings e restaurantes até 22 horas e toque de recolher vai para 23 horas

11 de junho: liberada aulas do ensino médio, sobe capacidade de público em academias, reabre museus, bibliotecas e cinemas

18 de junho: decreto anterior é mantido.

25 de junho: liberada aulas presenciais em universidades.

28 de junho: voltam as feiras livres.

9 de julho: Ampliação do horário do comércio.

23 de julho: restaurantes podem funcionar até 23 horas. Eventos podem receber até 200 pessoas.

6 de agosto: decreto anterior é mantido

20 de agosto: Restaurantes passam a funcionar até meia noite.

3 de setembro: Ampliado horário de comércio e academias.

17 de setembro: aulas liberadas com 100% da capacidade e anúncio de evento-teste

1º de outubro: restaurante poderão funcionar até 2h

15 de outubro: jogos autorizados com 30% da capacidade; as igrejas poderão funcionar com 100%

29 de outubro: Sobe para 80% público nos estádios e exige vacinação

12 de novembro: Passaporte de vacina será exigido em restaurantes, bares e eventos no Ceará

26 de novembro: Ceará não terá grandes festas de Réveillon. Festas em locais abertos com, no máximo, 5 mil pessoas e em ambientes fechados 2,5 mil

 

Projeção

Para 2022, o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) estima um crescimento do PIB do Ceará na ordem de 1,25%. Acima da média nacional (0,5%)

 

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