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Economia azul no Ceará foca em estruturar linhas de investimento em 2026
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Economia azul no Ceará foca em estruturar linhas de investimento em 2026

| Desenvolvimento| Com articulação entre governo, empresas e academia, a proposta é avançar na estruturação do segmentos que compõem o ecossistema
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 MIGUEL Marques destacou que a economia azul tende a crescer nos próximos anos por envolver múltiplas cadeias produtivas (Foto: AURÉLIO ALVES)
Foto: AURÉLIO ALVES  MIGUEL Marques destacou que a economia azul tende a crescer nos próximos anos por envolver múltiplas cadeias produtivas

O setor da chamada economia azul no Ceará, que reúne atividades econômicas ligadas ao ambiente marinho e costeiro, entra em 2026 com foco na estruturação de linhas de investimento e na organização dos segmentos que compõem esse ecossistema.

A articulação envolve governo, setor produtivo, academia e entidades nacionais e internacionais, em um momento de consolidação do debate no Estado.

A economia azul engloba desde atividades tradicionais, como pesca, aquicultura e turismo, até áreas menos associadas ao mar no imaginário comum, como cabos submarinos, energias renováveis offshore, biotecnologia e inovação tecnológica. Segundo representantes do setor, a proposta é tratar esse conjunto de atividades de forma integrada, como um grande ecossistema econômico.

De acordo com Igor Gonçalves, presidente da Câmara de Comércio Exterior e Investimentos Estrangeiros da Adece, o Ceará tem uma trajetória historicamente ligada às atividades costeiras e busca agora fortalecer essa vocação a partir de uma atuação associativa.

A ideia é reunir diferentes atores para que o Estado se posicione de forma estratégica em um cenário global, acompanhando tendências internacionais e dialogando em nível de paridade com outros mercados.
A articulação ocorre em um contexto de ampliação das relações internacionais, especialmente com a União Europeia.

A proximidade histórica e logística com Portugal, além da conexão aérea e da presença de cabos submarinos ligando Fortaleza à Europa, são apontadas como fatores que facilitam esse diálogo.

Durante encontro promovido pela Blue Ceará, o economista português Miguel Marques destacou que a economia azul já tem peso relevante na economia europeia e mundial e tende a crescer nos próximos anos por envolver múltiplas cadeias produtivas.

Conforme ele, setores como pesca, turismo e energias renováveis convivem com outros ramos de forma direta ou indireta, ampliando o impacto econômico do segmento.

Miguel também apontou que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode criar um ambiente favorável para investimentos no médio prazo, especialmente em regiões com condições naturais e capacidade produtiva, como o Ceará.

Para ele, o Estado reúne diferentes elos da economia azul, desde a cadeia alimentar do mar até infraestrutura, turismo e discussão sobre energias offshore.

No campo acadêmico e tecnológico, o debate tem avançado no sentido de integrar pesquisa, inovação e mercado.

A professora Fabíola Rocha da Universidade de Fortaleza (Unifor), avalia que a economia azul ainda é um conceito em construção, mas que traz como elemento central a sustentabilidade e a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e geração de renda.

Consoante ela, esse equilíbrio exige diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e a participação das comunidades envolvidas.

Na mesma linha, Rodrigo Avelino, do Laboratório Vortex do Parque Tecnológico, destaca que a presença de universidades, centros de pesquisa e ambientes de inovação permite que o Ceará avance da discussão conceitual para aplicações práticas.

A proposta, segundo ele, é inserir tecnologia e inteligência local em setores como turismo, agricultura marinha e inovação, fortalecendo a economia azul como um ecossistema produtivo.

Do ponto de vista do setor produtivo, a logística aparece como um dos principais desafios. Hudson Crizanto, da H&K Peixes Ornamentais, relata que o Ceará exporta pescado para dezenas de países, mas enfrenta dificuldades no transporte aéreo desde a pandemia, o que limita a expansão das vendas.
Crizanto explica que há mercado, produto e demanda, mas entraves logísticos ainda restringem o crescimento do setor.

Para Rômulo Alexandre, advogado e presidente da Câmara Setorial da Economia Azul da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), e que também faz parte da organização do evento e da Blue Ceará, o momento atual é de consolidação do entendimento sobre o que é a economia azul e quais são as forças do Ceará dentro desse cenário.

Ele explica que a Câmara Setorial da Economia Azul mantém uma agenda anual de encontros e que o objetivo inicial é dar visibilidade a uma economia que já representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, embora a participação específica do Ceará ainda esteja em estudo.

A expectativa é que, a partir dessa organização, o Estado avance na definição de estratégias, incluindo taxonomias e diretrizes para investimentos. O planejamento espacial marinho brasileiro, previsto para ter avanços relevantes em 2026, também entra no radar do setor, já que envolve interesses diversos como pesca, energia, esporte e turismo.

Com uma extensa faixa litorânea, infraestrutura portuária, produção pesqueira relevante e conexão internacional por meio de cabos submarinos, o Ceará já concentra atividades ligadas à economia do mar.
Na avaliação do economista português a economia azul já se manifesta de forma concreta no Ceará, com atividades que vão da pesca à infraestrutura portuária, passando por energia e cabos submarinos.

O desafio, conforme os participantes do debate, é estruturar esse conjunto de iniciativas de forma integrada, criando condições para ampliar investimentos e fortalecer o setor nos próximos anos.

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