O Ceará somou US$ 153 milhões em vendas para o exterior e alcançou uma expansão de 49,3% nas exportações em janeiro de 2026 quando comparado ao primeiro mês de 2025, segundo atestam os dados da balança comercial brasileira divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic).
Decisivos para o crescimento observado, os itens produzidos pela siderúrgica ArcelorMittal Pecém saltaram da 8ª posição na lista de exportação em 2025 para 1ª colocação neste ano, somando US$ 71,52 milhões e correspondendo a 46,74% do total.
"São dados muito bons e deixa a gente muito esperançoso sobre a performance da ArcelorMittal. A mudança da gestão da antiga CSP (Companhia Siderúrgica do Pecém, como era chamado o empreendimento) para a atual sinalizava que havia uma capacidade ali que podia ser melhorada e eles estão fazendo um grande trabalho. É que mais colaborou para o crescimento da balança comercial", destacou Eduardo Neves, CEO da Unipar BR Consultoria.
O executivo ainda ressalta que a capacidade produtiva da planta está chegando ao topo e uma expansão pode recolocar as exportações cearenses em um patamar ainda mais elevado a partir dos contratos de fornecimento da companhia com compradores estrangeiros.
Neves observa, no entanto, que os números de janeiro precisam ser avaliados com atenção. Um dos motivos é o reflexo das exportações elevadas de 2025, gerando "um acumulado do ano passado que entra o ano muito forte".
"Há uma série de fatores a serem considerados aqui, como as rotas de navios e cargas a serem enviadas", exemplifica, citando também a movimentação do agronegócio cujas exportações de frutas, ceras e castanhas são concentradas na segunda metade do ano e podem ter reverberado no primeiro mês de 2026.
Da mesma forma, ele diz enxergar as importações, cujas cifras podem ser influenciadas pelos mesmos elementos e fazer com que a balança comercial cearense tenha um comportamento diferente no fim do ano.
"Precisamos observar todo o cenário para ver como tudo isso vai se sustentar nos próximos meses", afirma.
Ao mesmo tempo que ampliou as exportações em 49,3%, o Ceará teve uma queda de 38,3% nas importações, ao somar US$ 170,9 milhões em compras do exterior em janeiro de 2026. O montante fez com que se mantivesse um saldo negativo da balança comercial do Ceará da ordem de US$ 17,9 milhões.
Os números ainda classificaram o Estado como o 15º no ranking de maiores exportadores e 17% entre os maiores importadores do Brasil em janeiro de 2026, ao contabilizar os números das 27 unidades da federação.
As colocações, no entanto, não representam grandes parcelas do total de US$ 25,2 bilhões exportados e os US$ 20,81 bilhões importados, uma vez que a participação do Ceará nas exportações foi de 0,67% e, nas importações, de 0,82%.
Quando se observa os parceiros comerciais do Ceará, apenas a China aparece no top 5 destinos das exportações (1º) e das importações (5º) no período. O interesse do país asiático no Estado tem crescido nos últimos anos, especialmente, no setor mineral. As rochas ornamentais foram os itens de maior valor comprados pelos chineses dos cearenses em 2025.
Mas, ainda assim, o principal comprador dos produtos fabricados em território cearense continuam sendo os americanos. Os Estados Unidos são destinos de 37,6% das vendas do Ceará para fora do País.
Perguntado se o movimento de busca de outros destinos para a exportação criado quando o presidente Donald Trump (EUA) impôs o tarifaço a produtos brasileiros arrefeceu, Eduardo Neves diz acreditar que sim.
Como motivo para o fim de uma busca acentuada por novos mercados ele aponta os contratos de longo prazo com os americanos, a exemplo da ArcelorMittal, e os quais são responsáveis pela ampliação das exportações cearenses no último ano.