É quase certo que você já tenha se maravilhado com uma borboleta que pousou na sua janela. As borboletas, naturalmente, são seres encantadores por suas belas asas de formas e cores características admiradas por muitos, menos por aqueles que têm motefobia (medo de borboletas).
Uma das coisas que desperta a curiosidade dos admiradores da chamada "bruxa da natureza" é a metamorfose, pois ela passa por um estágio completo de transformação, desde o ovo até a fase adulta.
As borboletas, ou panapanás, são artrópodes da classe insecta. Com o corpo dividido em cabeça, tórax e abdêmen, um par de antenas, três pares de patas e duas asas, elas integram, junto às mariposas, o grupo de Lepidópteros. E sendo um inseto de holometabolismo — que passa por um processo completo de metamorfose — possui quatro fases em seu ciclo de vida: ovo, larva, pupa e imago (fase adulta).
As borboletas passam por um processo completo de metamorfose, passando por quatro estágios até chegar ao formato belo que conhecemos. Começando pelo ovo, a borboleta ganha vida a partir da larva, que se alimenta para acumular reservas para seu estágio dentro do casulo. Nessa fase, elas param de se alimentar e sobrevivem de suas reservas.
O entomólogo César Favacho explica que no período que o animal permanece estacionário, dentro do casulo, o corpo da lagarta “se dissolve” e se reconstrói em sua nova forma.
“A duração de cada fase varia bastante. O ovo eclode mais rápido, entre uns cinco e 20 dias. A fase de lagarta pode demorar entre um a quase nove meses. A fase de pupa (crisálida) geralmente dura entre uma a quatro semanas. Os adultos variam muito de acordo com as espécies também, com algumas vivendo menos de duas semanas, e outras chegando a quase um ano de idade.”
Durante a quadra chuvosa, é comum o aparecimento de borboletas. O motivo é simples, a existência de mais recursos alimentícios, pois a maioria das larvas se alimenta de plantas, com exceção das que são parasitas. É o que explica do professor de Ecologia Comportamental da Universidade Federal do Ceará (UFC), Lorenzo Zanette.
Conforme o professor, no caso daquelas que são parasitas de formigas, a borboleta deixa a larva perto de um formigueiro, e a larva vai comer as formigas que estão dentro do ninho e se transformar em borboleta.
“Os outros vão comer plantas e aí, faz sentido que, nesta época chuvosa, você tenha mais lepidópteros, porque é justamente nessa época que tem mais comida”, explicou.
Borboletas e mariposas são “impriais” uma da outra mas ao mesmo tempo diferentes. O professor André Freitas, do Instituto de Biologia da Unicamp, explica que é interessante pontuar que é difícil diferenciá-las, pois a borboleta é apenas um tipo de mariposa que voa de dia.
“Não existe borboleta e mariposa como coisas distintas. Borboletas são mariposas diurnas se pensarmos biologicamente. Agora, de forma grosseira, dá para separar mais ou menos: as borboletas costumam ter o corpo mais alongado, e a mariposa tem o corpo mais gordo”, diz ele.
Ele explica ainda que, em geral, as borboletas voam de dia e as mariposas preferem a noite — salvo exceções de mariposas coloridas que costumam voar de dia e são confundidas com borboletas. “Tem borboletas que vão quase no final do dia no crepúsculo, e tem até umas poucas que são noturnas e que se confundem com mariposas”, detalha.
“Borboletas possuem a antena mais fininha com uma bolinha nas pontas, o que se conhece por antena clavada, em forma de clava, e poucas mariposas possuem a antena clavada, geralmente elas apresentam a antena fina ou em forma de pluma. Mas é difícil diferenciá-las porque a borboleta é uma mariposa diurna”, conclui o professor.