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Líderes do Mercosul e União Europeia assinam acordo históirico
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Líderes do Mercosul e União Europeia assinam acordo históirico

Ausente do evento no Paraguai, presidente brasileiro. Luiz Inácio Lula da Silva, teve seu papel ressaltado para o desfecho das conversas após 25 anos
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Bandeiras do Brasil e do Mercosul lado a lado. Acordo entre o bloco e a União Europeia foi aprovado e é assinado entre as partes neste sábado (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado Bandeiras do Brasil e do Mercosul lado a lado. Acordo entre o bloco e a União Europeia foi aprovado e é assinado entre as partes neste sábado

Ausente na cerimônia de assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi mencionado por presidentes do bloco sul-americano e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, em discursos durante o evento realizado neste sábado, 17.

O primeiro aceno a Lula foi feito pelo presidente do Paraguai, Santiago Peña. Ao saudar os presentes na cerimônia, ele também mencionou Lula e disse que o brasileiro estava assistindo à cerimônia pela televisão.

Mais tarde, em coletiva à imprensa, ao ser questionado sobre a ausência do par, Peña afirmou que ficava um "sabor amargo", mas enfatizou a importância do brasileiro para a concretização da parceria entre os blocos econômicos. "Deixa um sabor amargo. Infelizmente é um sabor agridoce porque não podemos deixar de reconhecer, seria injusto não reconhecer a liderança que teve o presidente Lula da Silva em levar adiante as negociações", disse.

Ainda durante a cerimônia, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, ao saudar o representante do Brasil no evento, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pediu a ele que enviasse um "especial carinho" a Lula. Menção semelhante foi feita por Costa. O presidente do Conselho Europeu pediu a Vieira que entregue um abraço ao presidente brasileiro.

Em seu discurso, o chanceler brasileiro também fez referência a Lula. Disse que, em reunião realizada ontem, 16, no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Lula destacou que o acordo é uma prova de força do mundo democrático e uma demonstração de compromisso com a ordem multilateral.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou um levantamento que aponta que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), quando entrar em vigor, vai aumentar de 8% para 36% o acesso brasileiro ao mercado de importações mundiais de bens. Isso porque a União Europeia, sozinha, respondeu por 28% do comércio global em 2024.A análise foi divulgada neste sábado (17), após a assinatura do tratado pelos representantes do bloco europeu e dos países integrantes do Mercosul, em cerimônia em Assunção, no Paraguai. A entidade industrial brasileira avalia a formalização do acordo é uma virada estratégica para a indústria brasileira.

O levantamento indica também que 54,3% dos produtos negociados, que correspondem a mais de cinco mil itens, terão imposto zerado na União Europeia assim que o acordo Mercosul-UE entrar em vigor. Já do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos (4,4 mil itens), assegurando uma transição gradual e previsível.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou neste sábado, 17, que a liderança e a perseverança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "fizeram com que se chegasse ao dia histórico" da assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O pacto firmado nesta tarde, em cerimônia em Assunção, no Paraguai, cria um dos maiores blocos econômicos do mundo.

A ponderação ocorreu em vídeo postado por Alckmin no X. O ministro destacou que o pacto é aguardado há 25 anos e frisou tratar-se do maior acordo entre blocos do mundo. "Isso significa mais comércio, mais emprego, mais investimentos recíprocos. Um ganha-ganha em benefício da sociedade. Grande conquista", afirmou.

Lula não participou da cerimônia de assinatura do pacto. Em seu lugar, compareceu ao evento o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que a ausência "deixou um sabor amargo", mas reconheceu a liderança de Lula nas negociações em torno do acordo.

Na sexta, 16, Lula publicou artigo em jornais de 27 países avaliando que o acordo Mercosul-UE é uma resposta do multilateralismo ao isolamento. "Em uma época em que o unilateralismo isola mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que compartilham valores democráticos e a defesa do multilateralismo escolhem um caminho diferente", diz o chefe do Executivo no texto. Ele esteve ontem em ato no Rio de Janeiro com Von der Leyen.


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