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Cotado em duas pastas, Camilo pode mudar de ministério e não se desincompatibilizar
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Cotado em duas pastas, Camilo pode mudar de ministério e não se desincompatibilizar

| GOVERNO | O ex-governador vem sendo ventilado no entorno do presidente Lula para ser remanejado de ministério. Ele é cogitado em duas pastas, mas sinaliza que quer seguir na Educação. É esperado ainda que ele deixe o governo para ficar como opção eleitoral, mas planos podem ser revistos
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CAMILO Santana é peça no jogo federal e estadual de 2026 (Foto: FÁBIO LIMA)
Foto: FÁBIO LIMA CAMILO Santana é peça no jogo federal e estadual de 2026

A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública mexe com o núcleo central do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a possibilidade de desmembramento da pasta em duas, com Justiça e Segurança Pública separadas, e as movimentações em torno da escolha do novo ministro. Entre os cotados, está o cearense Camilo Santana (PT).

Senador licenciado em meio de mandato e titular do Ministério da Educação (MEC), o cearense tem ganhado força no entorno do Palácio do Planalto e do presidente Lula.

O líder do governo na Câmara dos Deputados e conterrâneo de Camilo, José Guimarães (PT), reuniu-se com a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para oferecer e defender o nome do ex-governador do Ceará, como noticiou João Paulo Biage, correspondente do O POVO em Brasília.

A indicação foi bem aceita por Gleisi. Ele é visto como opção mais política, com bom trânsito entre deputados e senadores e capaz de dialogar com o Congresso Nacional para aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Nas iniciativas do MEC ao longo do mandato, ele conseguiu conduzir as tratativas sem desgaste — embora fossem temas com menos polêmica.

É bem visto ainda como perfil combativo para o delicado tema e talhado para o debate perante a opinião pública. Quando governador, Santana enfrentou um motim da Polícia Militar sem anistia. Foi duro também durante onde de ataques de facções criminosas.

Além disso, o ministro da Educação é visto internamente como possível sucessor de Lula. Estando na Justiça, ele estaria em um lugar de destaque do debate político de 2026 e ganharia mais visibilidade. Camilo vem ganhando força entre integrantes do governo e auxiliares diretos do presidente, como noticiou a Folha de S.Paulo.

O ex-governador também seria ventilado na Casa Civil substituindo Rui Costa (PT), que concorrerá a senador na Bahia, de acordo com o blog de Isabel Mega, da CNN Brasil. Camilo está de sobreaviso para se desincompatibilizar do MEC até abril para poder vir a disputar novamente o Governo do Ceará contra Ciro Gomes (PSDB).

Outro cotado para o Ministério da Justiça é o advogado Wellington César Lima e Silva, ligado ao PT da Bahia e comandante do departamento jurídico da Petrobras, indicado por Lula.

Camilo manifesta desejo de continuar no MEC

Na quinta-feira passada, 8, antes das especulações crescerem, Camilo Santana manifestou a vontade de continuar a frente do Ministério da Educação quando questionado pela imprensa sobre uma troca de pasta no governo.

"Só estou sabendo pelos jornalistas. Quero continuar ajudando na Educação. O cargo (de ministro) é dele (Lula). Estou lá (no MEC) para cumprir uma missão", respondeu.

O POVO entrou em contato com aliados e pessoas próximas ao ministro. Eles trataram o movimento para o Ministério da Justiça como "especulação" e "burburinho", incluindo o próprio deputado José Guimarães.

"Acho que é só conversa pra gerar burburinho. Não avançará", respondeu uma fonte.

“Tudo é especulação. (Dia 8) Ontem estivemos com Lula, ele não falou nada. Evidente que o Camilo está pronto para qualquer missão, mas é especulação, não tem nada, nem teve convite, nem nada não”, garante o deputado Guimarães à coluna Vertical, do O POVO.

Mesmo com o tom de negativa sobre a movimentação, um interlocutor próximo ao ministro destacou a visão de Brasília que se tem de Camilo como um "executivo", "trabalhador" e "resolvedor de problema", por isso vindo a ser cotado para comandar o Ministério da Justiça, porém, também tratou como "especulação pura".

Possíveis impactos no Ceará 

Camilo Santana aceitaria o desafio em caso de convocação de Lula. A decisão pode ter impacto direto no Ceará, uma vez que o ministro poderia ser uma alternativa do PT para tentar novamente ser governador caso tenha mais viabilidade.

O chefe do MEC e petistas cearense endossam a reeleição de Elmano de Freitas (PT), que deve disputar contra Ciro Gomes, antigo aliado e agora adversário ferrenho. O PT Nacional olha com atenção para o movimento.

Caso Camilo vá para o Ministério da Justiça, não se desincompatibilizaria em abril, ficando até o fim do ano no Governo Lula, e por sua vez, fora da disputa eleitoral deste ano, seja como candidato ou menos presente em campanha devido as demandas ministeriais.

Lula nomeia ministro interino da Justiça e PT busca vaga ainda não criada da Segurança

A exoneração a pedido de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União no dia 9. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou o secretário executivo da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto, como ministro interino.

Com a decisão, o presidente sinaliza que pode demorar a escolher o sucessor definitivo de Lewandowski. Lula quer dividir o ministério, criando uma pasta exclusiva para a segurança, mas ainda avalia as condições para isso.

A saída de Lewandowski e a intenção do presidente de separar as atribuições da Justiça e da Segurança Pública desencadearam uma queda de braço no PT e entorno por duas vagas.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, disputam a cadeira da Segurança, ainda não criada. Uma ala do PT também defende o nome da deputada Delegada Adriana Accorsi e outra aposta no secretário de Segurança do Piauí, Francisco Lucas Veloso.

O secretário é o nome preferido do governador Rafael Fonteles e do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias. Corre por fora o coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho.

O interino, Manoel Carlos, tem a confiança e o apoio de Lewandowski para ficar no comando da Justiça, mas também está no páreo o advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva.

O cargo pode servir, ainda, para uma composição política, uma vez que aproximadamente 20 dos 38 ministros vão sair do governo até abril para disputar as eleições de outubro. Nesse xadrez, um dos partidos que tendem a ser contemplados é o PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin. É ainda nesse cenário que o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), passou a ser especulado na Justiça.

O senador Rodrigo Pacheco, que deve deixar o PSD, voltou a ser citado para a Justiça, mas tem dito que não quer um prêmio de consolação. Ex-presidente do Senado, Pacheco queria ter sido indicado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mas Lula preferiu o advogado-geral da União, Jorge Messias.

A escolha irritou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que defendia Pacheco na Corte. Lula ainda não desistiu de lançar Pacheco como candidato ao governo de Minas Gerais, mas até agora não houve acordo. De qualquer forma, o senador deixará o PSD e pode migrar para PSB ou MDB.

Messias ainda terá de passar por sabatina no Senado. O Palácio do Planalto avalia que as resistências diminuíram após uma conversa entre Lula e Alcolumbre. (Agência Estado)

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