A compra da casa própria pelo Minha Casa, Minha Vida (MCMV) teve atualizações desde 1º de janeiro de 2026, quando o valor máximo para os imóveis financiados pelas faixas 1 e 2 do programa federal de habitação sofreu reajuste de até 6%.
Para construtoras e corretores de imóveis, isso deve fazer com que o mercado imobiliário cearense tenha um novo ano recorde.
“O ano de 2025 teve 50% das vendas realizadas através do Minha Casa Minha Vida, ou seja, para imóveis econômicos. Os imóveis econômicos foram realmente o carro-chefe do ano. Então, eu acho que 2026 também está nessa mesma sintonia”, avalia Araújo Ataick, do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-CE).
No terceiro trimestre de 2025 - os dados mais recentes apurados -, Fortaleza conquistou “o primeiro lugar no segmento econômico”, segundo atestou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).
“No ranking econômico, voltado a famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 12 mil, metade do Top 10 é composta por capitais nordestinas, com Fortaleza (1ª), Recife (5ª), Salvador (6ª), Aracaju (7ª) e Maceió (8ª) entre as primeiras colocadas”, atestou o Índice de Demanda Imobiliária.
De janeiro a outubro, os dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Ceará (Sinduscon-CE) apontam um crescimento de 40% no número de unidades lançadas de padrão econômico - como classificam os imóveis do MCMV - em Fortaleza. Já na Região Metropolitana o salto foi de 24%.
Os números indicam que 2025 foi o melhor ano do setor dos últimos dez e a construção civil projeta 2026 como um novo período de “aumento de lançamentos, geração de empregos e fortalecimento da cadeia produtiva” a partir das mudanças promovidas no MCMV, segundo afirma Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sinduscon-CE.
“O impacto tende a ser muito positivo. Mais recursos disponíveis para financiamento significam maior previsibilidade para o mercado, retomada gradual da confiança do consumidor e estímulo aos investimentos”, disse ao O POVO.
Na prática, a mudança aprovada pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) mantém as mesmas condições de financiamento para imóveis mais caros e tem reflexo direto no Ceará.
“Um dos destaques da decisão é que todas as capitais das regiões Norte e Nordeste tiveram reajuste, ampliando o alcance do programa em áreas estratégicas para a redução do déficit habitacional e das desigualdades regionais”, disse o Governo Federal em nota, na época da aprovação da mudança.
O reajuste atualiza os valores em municípios com população acima de 750 mil habitantes e entre 300 mil e 750 mil habitantes, nas categorias metrópoles e capitais regionais. Essas condições fazem com que cidades do Norte e Nordeste do Brasil, como aponta o governo, sejam as mais contempladas.
“A gente tem aí uma elevação do teto dos valores dos imóveis e também da renda que os clientes vão ter para poder conseguir comprar esses imóveis. A grande vantagem é que, além da renda ter aumentado, a taxa de juros também diminuiu, fazendo com que aumente o poder de compra do cliente”, avalia Araújo Ataick, do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-CE).
Ele aponta ainda a participação do programa estadual Entrada Moradia, no qual o comprador que se enquadra nas condições das faixas 1 e 2 do MCMV, podem contar com até R$ 20 mil para dar entrada na compra do imóvel. O conselheiro soma o valor aos R$ 55 mil de subsídio já dados pelo Governo Federal nas faixas beneficiadas, explicando o aumento do poder de compra.
Com a elevação do valor dos imóveis para as faixas mais baixas, Ataick aponta que deve haver melhores unidades disponíveis para o financiamento do Minha Casa, seja quando o quesito for localização, seja quando for acabamento do imóvel.
Ele explica que, em 2025, as construtoras investiram em lançamentos enquadrados no faixa 3, cujo teto das unidades é de até R$ 350 mil, na primeira metade do ano. Ou seja, buscaram melhores locais e melhores materiais. Depois, com o lançamento da faixa 4 no segundo semestre, contemplando compradores de renda de até R$ 12 mil, as empresas se voltaram para esse público.
“Quando a gente volta a falar do faixa 1 e faixa 2 é a mesma movimentação que vai acontecer. Mas, em vez de ser em bairros melhores com acabamentos melhores com área de lazer com mais detalhes construtivos, o faixa 1 e faixa 2 são produtos mais populares para aquele público que realmente quer sair do aluguel”, observa.
A movimentação, de uma forma geral, acrescenta, deve fazer com que as vendas em todas as faixas tenham incremento e façam com que o MCMV seja mais uma vez “o carro-chefe” do mercado imobiliário cearense.
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Caucaia, Juazeiro e periferia de Fortaleza devem ganhar mais fôlego
Especificamente no Ceará, o aumento do valor máximo do imóvel pelas faixas 1 e 2 do Minha Casa Minha Vida (MCMV) contempla, além de Fortaleza, interessados em adquirir unidades nas cidades de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, e Juazeiro do Norte, no Cariri cearense. Isso deve aquecer centros e periferias dessas cidades, segundo avalia Araújo Ataick, do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-CE).
“Essas vantagens vão aumentar consideravelmente a demanda por imóveis nessas regiões. Caucaia, Juazeiro, bairros mais afastados do Centro de Fortaleza, como Lagoa Redonda, que já têm imóveis que estão nessa faixa de valor, o Mudubim, a Vila Velha… Então, a gente está falando de regiões em Fortaleza e também em regiões vizinhas”, cita.
Ataick considera que a medida deve chegar em outras cidades vizinhas e aponta Maracanaú como uma praça que tem potencial para ser enquadrada nas condições que ampliam o teto dos imóveis para as faixas 1 e 2. Já ao se voltar para o Interior, a perspectiva é de que uma demanda represada seja atendida a partir de 2026.
“Juazeiro do Norte é uma cidade que tem uma demanda muito grande e existe uma oferta reduzida. Então, quando tem esse tipo de vantagens vindo por parte de crédito que vai ser disponibilizado, os construtores acabam tendo uma mudança e investindo mais nessa região, investindo mais nesse tipo de projeto para que ele possa conseguir um número maior de venda”, acrescenta.
Já Câmara Brasileira da Construção (Cbic) avaliou a medida que amplia o teto de financiamento dos imóveis como uma ferramenta para “ampliar a oferta de moradias e reduzir desigualdades regionais”, vide a concentração de grande metrópoles no Sul e Sudeste do País e vácuos e déficits habitacionais no Norte e Nordeste.
“O setor da construção encontrava obstáculos para implementar empreendimentos imobiliários em capitais do Norte e do Nordeste, o que comprometia a oferta de moradias e a geração de emprego e renda nessas localidades”, afirmou Renato Correia, presidente da Cbic após a aprovação dos reajustes, em dezembro.
Outras medidas também impulsionam o setor
Na mesma reunião que ampliou o teto dos imóveis, o Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) também aprovou "um orçamento recorde do FGTS para 2026, totalizando R$ 160,5 bilhões, dos quais R$ 144,5 bilhões destinados à habitação".
"Além do reajuste dos tetos, o pacote mantém e reforça os subsídios concedidos pelo FGTS, que reduzem o valor da entrada das famílias. Para 2026, estão previstos R$ 12,5 bilhões em descontos habitacionais, com benefícios concentrados nas famílias de menor renda. Na prática, os subsídios podem alcançar valores de até R$ 65 mil na região Norte e R$ 55 mil nas demais regiões geográficas, a depender da renda familiar", destaca a nota do Governo Federal.
Na mesma perspectiva, o presidente do Sinduscon-CE ainda ressaltou o impacto do Reforma Casa Brasil no setor em 2026. Também administrado pela Caixa, o programa é um empréstimo exclusivo para reforma de casas e apartamentos que contemplam famílias enquadradas nas faixas 1 e 2 do MCMV.
"A linha de crédito para reformas também é estratégica, pois movimenta pequenas e médias obras, gera renda local e melhora as condições de moradia nas áreas urbanas. É uma política que combina impacto social com efeito econômico direto", afirmou.
Como vai funcionar o novo teto do MCMV?
A partir da atualização dos valores, o governo projeta "mais 75 municípios e 51,8 milhões de habitantes" beneficiados, a partir das seguintes condições:
Capitais regionais com mais de 750 mil habitantes
Metrópoles com população entre 300 mil e 750 mil habitantes
Metrópoles e capitais regionais com população entre 300 mil e 750 mil habitantes
No Ceará, a mudança acontece em Fortaleza, Caucaia e Juazeiro do Norte.
Hoje, o programa de habitação popular tem quatro faixas definidas a partir da renda bruta familiar, divididas da seguinte maneira: