Vida & Arte

Livro reúne perfis cearenses com atuação nas Olimpíadas Científicas

Organizada por João Milton Cunha de Miranda, o livro conta com 16 histórias cearenses relacionadas às Olimpíadas Científicas. Com lançamento pelas Edições Inesp Digital, a publicação é a primeira de uma coleção
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Luiza Rolim durante premiação na 8ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), ao lado de colegas medalhistas e da ex-presidente Dilma Rousseff
 (Foto: fotos Divulgação/Inesp)
Foto: fotos Divulgação/Inesp Luiza Rolim durante premiação na 8ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), ao lado de colegas medalhistas e da ex-presidente Dilma Rousseff

Luisa Rolim Miranda foi aprovada no Colégio Militar de Fortaleza (CMF) para cursar o 6º ano do Ensino Fundamental. Em 2012, já no primeiro semestre, ela conquistou a medalha de ouro na XIV Olimpíada Brasileira de Informática (modalidade Iniciação Nível 1). Desde então, a estudante viajou o País participando de Olimpíadas Científicas. Na 8ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), inclusive, Luisa conquistou mais uma medalha de ouro — a primeira no Nível 1 da área de exatas. Naquele ano, foi a única mulher cearense com tal resultado. No registro em imagem da premiação, uma cena emblemática: cerca de 20 homens ao lado de duas mulheres: Luisa e a presidente Dilma Rousseff.

Já crescida e trilhando novos caminhos, Luisa estuda Medicina na Universidade Federal do Ceará (UFC). Quem conta essa história, com orgulho, é seu pai, João Milton Cunha de Miranda — professor, doutor e mestre em Educação Brasileira. Coincidentemente, o diretor executivo do Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp) da Assembleia Legislativa do Estado. Inspirado na trajetória escolar de sua filha e de tantos estudantes e professores cearenses que levam o nome do Estado em Olimpíadas Científicas regionais, nacionais e internacionais, ele organizou o livro "Histórias Cearenses Inspiradoras de Olimpíadas Científicas" (2021).

Trata-se do primeiro volume de uma coleção, com lançamento pelas Edições Inesp Digital. Neste 1º livro, disponível gratuitamente na plataforma virtual da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, há 16 histórias inspiradoras que se interligam de alguma forma com o universo das Olimpíadas Científicas.

Aluna Débora Silva Alves ao lado de sua mãe, comemorando as medalhas recebidas no ano de 2014 e 2015
Aluna Débora Silva Alves ao lado de sua mãe, comemorando as medalhas recebidas no ano de 2014 e 2015 (Foto: Divulgação/Inesp)

Entre os personagens, estão estudantes medalhistas de diversas áreas do conhecimento; professores dedicados; coordenadores responsáveis por criar certames científicos; e medalhistas que tornaram-se professores. A obra também apresenta instituições que promovem a inclusão social de diversos jovens na educação, como as organizações não-governamentais Primeira Chance e Cactus. Além disso, estudantes aprovados em instituições como Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e Instituto de Tecnologia de Massachusetts (ITM).

Alunos Laiane Porfírio (à esquerda) e Marcos Foloni (à direita) e professor Luciano Epifânio (no centro), durante cerimonial em 2015 na Assembleia Legislativa em alusão às medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) de 2014
Alunos Laiane Porfírio (à esquerda) e Marcos Foloni (à direita) e professor Luciano Epifânio (no centro), durante cerimonial em 2015 na Assembleia Legislativa em alusão às medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) de 2014 (Foto: Divulgação/Inesp)

O professor João Milton Cunha Miranda comemora o legado cearense em Olimpíadas Científicas. Não é difícil encontrar representantes do Estado entre os primeiros colocados das competições. Em 2015, por exemplo, um levantamento do O POVO apontou que o Ceará fica atrás apenas de São Paulo em número de ouros nos principais eventos do País. Para o diretor executivo do Inesp, o desempenho parte, na verdade, do investimento enérgico de milhares de famílias e estudantes, além de professores, coordenadores, organizações não-governamentais e diretores de várias escolas (públicas e privadas)".

Registro pessoal do medalhista Arquimedes Oliveira, durante a Olimpíada Ibero-americana de Química (Mar del Plata, na Argentina, em 2002)
Registro pessoal do medalhista Arquimedes Oliveira, durante a Olimpíada Ibero-americana de Química (Mar del Plata, na Argentina, em 2002) (Foto: Divulgação/Inesp)

"O livro documenta essas histórias, para que outras pessoas possam ter como exemplo, possam se inspirar. O Ceará exporta talentos para diversas instituições, como o ITA, o ITM e o IME. São meninos que foram preparados desde a base, desde o fundamental. Há um processo intenso e o precursor desse sucesso são as Olimpíadas Científicas", destaca João Milton.

Segundo o professor, o seu envolvimento afetivo com as olimpíadas atravessa sua atuação na gestão do Inesp. Acompanhando a única filha em eventos, ele pôde perceber como essas competições contribuem para a formação na Educação Básica. João Milton é o idealizador do projeto Inesp Ciência, que articula o diálogo entre coordenações regionais, nacionais e internacionais das olimpíadas científicas e órgãos e instituições educacionais públicas e privadas.

João Milton lembra que há, no calendário oficial de eventos do Estado do Ceará, o Dia do Estudante Medalhista em Olimpíadas Científicas — em âmbito estadual, nacional e internacional. Comemorado em 26 de agosto, a homenagem foi criada a partir da Lei Estadual nº 16.011/2016, uma iniciativa do deputado estadual Dr. Carlos Felipe (PCdoB). De acordo com o professor, os jovens medalhistas do Estado são naturais de Fortaleza, mas também de municípios como Sobral e Juazeiro do Norte. Itapipoca, Paracuru, Maracanaú, São Gonçalo do Amarante, Madalena e Acopiara também são destaques.

O diretor do Inesp também exalta uma das histórias contempladas no livro: o legado do professor doutor Sérgio Melo, coordenador geral da Olimpíada Brasileira de Química (OBQ). Segundo Sérgio Melo, as Olimpíadas não devem ser vistas apenas como uma entrega de medalhas, mas como um agente de inspiração para a carreira científica. Outra personagem do livro é a cearense Ivna Ferreira Gomes, única brasileira a conquistar uma medalha de ouro numa Olimpíada Internacional de Química (em 2018, na República Tcheca).

Além de João Milton, o livro tem a autoria de Luzia Leda Batista Rolim, Maria Marluce Studart Vieira, Marta Lêda Miranda Bezerra, Rachel Garcia Bastos de Araújo e Sandra Bastos Mesquita. A obra é lançada com o selo Paulo Freire (1921 - 1997), em alusão ao centenário de nascimento do Patrono da Educação Brasileira.

Livro
Livro (Foto: Divulgação)

Histórias Cearenses Inspiradoras de Olimpíadas Científicas

de João Milton Cunha de Miranda (org.)

Edições Inesp Digital

Quanto: gratuito

Mais informações: http://al.ce.gov.br/index.php/publicacoes-inesp 

Os perfilados

- Arquimedes Maia de Oliveira

- Aurea Conceição Bastos Donato Macedo

- Francisca Edielly Carneiro Araújo

- Ivan Guilhon Mitoso Rocha

- Ivna Ferreira Gomes

- João Lucas Marques Barbosa

- Luís Farias Maia

- Marcos Foloni

- Orisvaldo Salviano Neto

- Pedro Grandson Aguiar Silva

- Sérgio Melo

- Thalison Bastos Nascimento

- Victor Tsuneichi Chida Paiva

- Zilfran Varela Fontenele

- Cactus

- Primeira Chance

Professor Ari de Sá Cavalcante é o homenageado do primeiro livro da coleção
Professor Ari de Sá Cavalcante é o homenageado do primeiro livro da coleção "Histórias Cearenses Inspiradoras de Olimpíadas Científicas" (2021)

Homenagem ao educador Ari de Sá Cavalcante

O primeiro livro da coleção "Histórias Cearenses Inspiradoras de Olimpíadas Científicas" (2021) homenageia o educador Ari de Sá Cavalcante (1918 - 1967). Nascido em Jucás, município do interior do Ceará, o professor desde muito jovem via a educação como fio condutor para a transformação social. Foi professor da Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza (antigo Colégio Militar), da Faculdade Estadual de Ciências Econômicas e de escolas particulares. Em sua atuação, é possível destacar as bolsas de estudos para jovens cearenses que conseguia a partir da relação com a Fundação Ford (entidade sediada em Nova Iorque, nos Estados Unidos, ligada à fabricante de automóveis Ford).

O educador é o patrono do Colégio Ari de Sá Cavalcante, presidido pelo filho Oto de Sá Cavalcante. O empresário, professor e engenheiro repercute o legado do pai: "Papai foi uma pessoa comprometida com a educação, um idealizador, um sonhador. Era um menino pobre, que morou por muitos anos numa casa muito modesta na avenida Dom Manuel. Nela, só existia lâmpada na sala. O resto das independências não tinha iluminação. Todas as noites ele saía de casa e a vovó foi advertida pela vizinhança. O vovô foi seguir os passos dele e viu que ele ia toda noite para a Praça General Tibúrcio (no Centro, conhecida como Praça dos Leões). Acontece que o papai ia para a praça estudar, porque era iluminada. Ele sentava em um dos bancos e aproveitava a iluminação pública para estudar. Ele protagonizou uma história de superação. Foi dado à escola o nome dele não por parentesco, mas porque ele foi uma pessoa comprometida com a educação".

O professor também enaltece o esforço dos estudantes nas olimpíadas científicas: "O maior destaque é dos alunos, que são interessados e estudam fervorosamente". No âmbito do Colégio Ari de Sá Cavalcante, Oto diz: "Esses meninos têm conseguido resultados maravilhosos. Nós ficamos muito felizes, as melhores escolas brasileiras reconhecem nosso trabalho e nossos alunos são respeitados nacionalmente. As olimpíadas, os colégios, impulsionam a educação, mas são as famílias que fazem um grande sacrifício. Os filhos são produtos da família. O papel da família é de estimular, acompanhar, orientar até mais importante do que a escola, por melhor que seja a instituição. Isso não pode deixar de ser reconhecido".

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