Reportagem Seriada

Aline Pellegrino: a capitã do passado e do futuro do futebol feminino

Ex-zagueira da seleção brasileira utiliza experiências vividas no passado para tornar o futuro da modalidade melhor no País
Episódio 4

Aline Pellegrino: a capitã do passado e do futuro do futebol feminino

Ex-zagueira da seleção brasileira utiliza experiências vividas no passado para tornar o futuro da modalidade melhor no País Episódio 4
Tipo Crônica Por

Aline Pellegrino tinha apenas um ano de idade quando, em 1983, as mulheres conquistaram o direito de voltar a praticar esportes no Brasil. O decreto-lei n° 3.199, de 14 de abril de 1941, impediu a prática de desportos para pessoas do sexo feminino por 40 anos.

O destino da ex-zagueira da seleção brasileira e atual coordenadora de competições femininas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estava entrelaçado com o esporte antes dessa tardia liberação.

“Eu nasci no dia 6 de julho de 1982. Um dia antes, minha mãe não estava no hospital, ela estava no churrasco, com todo mundo da família, assistindo Brasil x Itália" — quando a seleção de Zico, Sócrates e Falcão perdeu para a Azzurra de Paolo Rossi. "Então dá para dizer que o futebol já fazia parte da minha vida antes mesmo de eu chegar no mundo. Essa paixão de família me acompanhou desde pequena”, contou em entrevista ao O POVO.

 

 

Tanto acompanhou que Aline cresceu jogando com os irmãos pelas ruas do bairro Tremembé, em São Paulo. O apoio completo do pai só depois que ele enxergou o potencial da filha. “Torcer, naquela época, fazia sentido. Jogar não. Depois de um período de resistência do meu pai, que não estava acostumado com esse cenário, ele acabou se tornando o grande incentivador. Ligava para vários clubes de São Paulo para perguntar se havia peneira de um time feminino. Então, com 15 anos, eu já estava jogando no time principal do São Paulo”, relembra.

Aline descreve que, à época, a falta de categorias de base para a modalidade era o maior percalço da caminhada — herança de quase quatro décadas de proibição do futebol feminino. A carreira, entretanto, brotou da força de vontade.

Campeã brasileira pelo São Paulo (1997), foi ainda bi da Copa do Brasil (2008 e 2009) e ergueu a taça da Libertadores (2010) com o Santos. Na seleção brasileira, foi capitã e campeã dos jogos Pan-Americanos 2007 e medalha de prata na Olimpíada de Atenas-2004.

A trajetória, porém, não se encerrou com a aposentadoria. Como o estádio já havia se tornado sua morada, decidiu, nos arredores dele, continuar formando vidas — dela e de outras tantas.
 
"Hoje, as atletas têm a oportunidade que lá atrás eu não tive de cumprir o ciclo completo de formação, passando pelas categorias de base. Além disso, existem competições nacionais estruturadas que preenchem boa parte do calendário, os clubes estão mais envolvidos"
 

Foi diretora de futebol feminino da Federação Paulista antes de assumir o cargo atual na CBF. O mote é trabalhar para que atletas do presente e do futuro não esbarrem nas dificuldades que ela encontrou quando decidiu ganhar a vida com chuteiras nos pés.

“Hoje, as atletas têm a oportunidade que lá atrás eu não tive de cumprir o ciclo completo de formação, passando pelas categorias de base. Além disso, existem competições nacionais estruturadas que preenchem boa parte do calendário, os clubes estão mais envolvidos”, analisa.

Aline Pellegrino, ex-jogadora de futebol e coordenadora de competições femininas da CBF(Foto: Adriano Fontes/CBF)
Foto: Adriano Fontes/CBF Aline Pellegrino, ex-jogadora de futebol e coordenadora de competições femininas da CBF

Atual artilheira do Santos, Ketlen, não esconde o peso de Aline no próprio sucesso. Apesar de jogar em posição oposta, a atacante revela que o incentivo da "Pelle", como chama, fez muita diferença na carreira.

“Pelle foi uma pessoa que me ajudou muito no começo da carreira e que me incentivou. Eu era muito nova quando cheguei no Santos e ela já era uma atleta experiente, capitã da seleção. Tive um crescimento muito grande com ela ao meu lado. Ela me incentivava muito também fora de campo. Ela é uma pessoa incrível, uma atleta maravilhosa. É minha inspiração dentro e fora de campo”, garante.

Inspiração na modalidade, dentro e fora dos gramados, Aline ainda enxerga um longo trajeto precisa ser percorrido. “É fundamental que cada passo seja dado de forma sólida, mas há muito a ser feito. Esse é o nosso compromisso diário”, pontua. O percurso é longo, de fato, mas o caminho se torna menos cansativo quando é traçado por quem conhece cada palmo de campo. Mulheres como Pelle, que usam o passado para formar um presente e futuro melhores para o futebol feminino.

 


Iara Costa, do Núcleo de Esportes do O POVO(Foto: ACERVO PESSOAL)
Foto: ACERVO PESSOAL Iara Costa, do Núcleo de Esportes do O POVO

 

Iara Costa

Sou estagiária de Esportes O POVO. Uma mulher forte, sonhadora e resiliente. Sou o que sou graças a todas as mulheres que já passaram na minha vida, em especial as três Marias: minha vó Creuza, minha mãe Vilmaci e minha afilhada Alicia.

 


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