Reportagem Seriada

Espelho-me

DIA INTERNACIONAL DA MULHER | Estamos vivendo um momento de descobertas e redescobertas de mulheres que inspiram e espelham outras mulheres onde quer que atuem, vivem ou se tornem protagonistas de transformações e conquistas. Neste especial, O POVO apresenta um pouco da história de cinco mulheres inspiradoras na vida, no trabalho, no esporte, na ciência e na arte. Histórias estas contadas por outras mulheres que influenciam pelo jornalismo.
Episódio 1

Espelho-me

DIA INTERNACIONAL DA MULHER | Estamos vivendo um momento de descobertas e redescobertas de mulheres que inspiram e espelham outras mulheres onde quer que atuem, vivem ou se tornem protagonistas de transformações e conquistas. Neste especial, O POVO apresenta um pouco da história de cinco mulheres inspiradoras na vida, no trabalho, no esporte, na ciência e na arte. Histórias estas contadas por outras mulheres que influenciam pelo jornalismo. Episódio 1
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No princípio, a mãe é nosso espelho mais nítido.

No começo, há as tias, as avós, as professoras e, principalmente, as amigas.

Quem não se recorda de uma amiga da infância? E como ela refletia nossa inquietude de menina, depois os dramas da adolescência, as mudanças repentinas que nos agitavam e, aos solavancos, como se fôssemos personagens de um show de mágica, já éramos outra. E íamos mudando juntas, descobrindo, inclusive, os rituais de passagem para fases ainda mais misteriosas.

As mulheres povoam nosso imaginário, sustentam muitas das nossas vocações e consolidam decisões que valem uma existência. São várias as mulheres que nos inspiram e à medida que os dias viram noite, somos devedoras umas das outras pelo conjunto da obra que, no final das contas dos tempos, valerá nossa vida.

Mesmo as que só existem no mundo da ficção formam o caleidoscópio no qual, não raro, miramos sem conseguir distinguir quem são elas, quem somos nós.

Com algumas mulheres nunca trocaremos uma palavra, mas estarão lá sempre que olharmos bem no fundo do espelho da sua alma. Suas vidas se refletem em quem nós somos, no que pensamos, na forma como vivemos ou na carreira que escolhemos. E há aquelas que mesmo que conheçamos mais tarde, percebemos, nesta descoberta, espaços a serem preenchidos em nós, cuja ausência só nos damos conta quando nos espelhamos nelas.

 

 

O que aconteceria se fizéssemos um inventário amoroso das mulheres que nos impactaram? Para escrever este texto, fiz esse exercício e fiquei surpresa de quantas mulheres fui sendo, aos poucos, construída, desconstruída e novamente refeita até que algumas estimulem novas ideias, outras as questionem e assim, numa sucessão de diálogos, a vida está em constante movimento, espelhando as fases da existência em companhia de múltiplas mulheres que nos fazem diversa e única ao mesmo tempo. Para cada etapa da vida sempre haverá mulheres em quem nos veremos refletidas.

O século XXI talvez ficará conhecido como o momento de redescoberta de muitas mulheres em suas mais diversas atuações. A História das mulheres começa a ser contada e narrada por mulheres que se veem espelhadas nestas desconhecidas. Seja na ciência, nas artes, na política, nas práticas sociais cotidianas, na simplicidade da liderança transformadora, na gastronomia, na música, na literatura.

"O século XXI talvez ficará conhecido como o momento de redescoberta de muitas mulheres em suas mais diversas atuações. A História das mulheres começa a ser contada e narrada por mulheres que se veem espelhadas nestas desconhecidas"

Surpreende quantas histórias de mulheres se mantiveram submersas por tantos anos. Mas é gratificante saber que foi uma mulher, Alice G. Blaché, quem construiu e dirigiu o primeiro estúdio de cinema de Hollywood, nos Estados Unidos. No Brasil, uma mulher negra, Maria Firmina dos Reis, escreveu seu primeiro romance ainda no século XIX. É ótimo conhecer a história da cientista afro-americana Katherine Johnson, uma das principais responsáveis pela viagem do homem à Lua. No Ceará, a Cacique Pequena, da tribo Jenipapo – Kanindé, foi a primeira mulher no País a comandar uma tribo indígena.

Neste Dia Internacional Mulher, O POVO nos apresenta mulheres que nos inspiram e com quem podemos refletir nossa imagem e alma femininas.

Vale a pena seguir na leitura!

 

 

Jornalista Regina Ribeiro(Foto: Iana Soares 3/3/2016)
Foto: Iana Soares 3/3/2016 Jornalista Regina Ribeiro

 

 

Regina Ribeiro, jornalista

Sou uma mulher perfeitamente apaziguada com o tempo e em paz com toda as formas do feminino. Sou grata por ver o mundo da janela que herdei de tantas mulheres reais e ficcionais que passaram e estão passando pela minha vida. 

 


>> Artigo

De frestas e reflexos

Por Ana Naddaf *

Pela greta. As conquistas femininas sempre foram vistas por frestas. Por uma abertura estreita na janela da história. Biografias e memórias silenciadas ou interpretadas por um sistema patriarcal, pouco diverso e racista. É necessário recuperar, rever e registrar o trabalho de pioneiras e desbravadoras em diferentes campos da vida, nas mais variadas áreas de atuação. Onde quer que se queira e que se possa contar narrativas próprias.

Não como um movimento exclusivista e sexista, mas uma articulação que se esforça por uma realidade mais inclusiva e diversa. Debatendo questões de gênero e provocando empatia para provocar mudanças para toda uma sociedade, para uma convivência cada vez mais igualitária - política, social e jurídica.

Nesta quarta onda do feminismo, ou no que se começa a chamar de pós-feminismo, enxerga-se um mundo de espelhos. Muitas narrativas contadas e sendo reveladas através de novas possíveis janelas. Por meio de uma militância mais plural, global, fluida, interseccional e digital. Meninas e mulheres a se espelharem em conhecidas e desconhecidas. Um momento de descobertas e redescobertas de figuras femininas que inspiram, que ensinam e que aprendem umas com as outras. Inspiração e referência entre iguais.

Espelho-me é um projeto especial do O POVO, para o Dia Internacional da Mulher, que apresenta um pouco da trajetória de mulheres inspiradoras na economia, na política, no esporte, na ciência e na arte. Histórias estas contadas por outras mulheres que inspiram e influenciam por meio do jornalismo, da fotografia ou do design.

Esperamos que se siga a contar e recontar narrativas como estas. E que nos tornemos espelhos uma das outras.

 

 

Jornalista Ana Naddaf, diretora-executiva de Jornalismo do O POVO(Foto: ROBERTO kENNEDY)
Foto: ROBERTO kENNEDY Jornalista Ana Naddaf, diretora-executiva de Jornalismo do O POVO


Ana Naddaf, jornalista e diretora-executiva de Jornalismo do O POVO

Um bilhete, recebido recentemente, reforçou a importância da empatia e da solidariedade feminina. Agradeço a todas as mulheres que me cercam, ou que participaram de alguma maneira da minha caminhada. Elas são nítidos espelhos. Espero poder contribuir também como reflexo.

 

 

Especial Dia Internacional da Mulher

Concepção editorial: Ana Naddaf  |  Concepção Gráfica: Cristiane Frota e Letícia Bernardo

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