Reportagem Seriada

Automação fiscal é alternativa para reduzir custos empresariais

Pesquisa revela que 18,1% das empresas brasileiras arcam com multas e juros mensalmente por conta de atrasos de guias tributárias. Este é o tema do terceiro episódio do especial sobre tecnologia na pandemia, que detalha uma das saídas para otimizar processos nos negócios
Episódio 3

Automação fiscal é alternativa para reduzir custos empresariais

Pesquisa revela que 18,1% das empresas brasileiras arcam com multas e juros mensalmente por conta de atrasos de guias tributárias. Este é o tema do terceiro episódio do especial sobre tecnologia na pandemia, que detalha uma das saídas para otimizar processos nos negócios Episódio 3
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Além de auxiliar a cadeia logística e permitir que muitas relações de consumo aconteçam durante a crise, a tecnologia também tem ajudado empreendedores a otimizarem processos internos de seus negócios e não serem vítimas da burocracia nacional em um cenário caótico como o atual.

Neste contexto, a utilização da automação fiscal tem ganhado destaque e já é muito ou totalmente utilizada por 15% das empresas brasileiras, segundo levantamento da startup Dootax, que projeta uma alta dessa prática no pós-pandemia.

Atualmente, segundo pesquisa do Banco Mundial, o Brasil possui o amargo título de país mais burocrático do mundo, já que as empresas nacionais gastam em média, por ano, 1.501 horas com a burocracia para pagar impostos.

"Esse número era maior até o ano passado, quando gastava-se quase 1.900 horas. Essa redução se deu muito por conta do avanço da automação fiscal no País", afirma Thiago Souza, cofundador e chefe de Marketing da Dootax. Segundo ele, com a crise apertando mais o caixa das empresas, é preciso buscar alternativas reais para otimizar processos e reduzir custos e erros dentro do departamento fiscal.

Thiago Souza, cofundador e head de marketing da Dootax, startup de automação fiscal (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação Thiago Souza, cofundador e head de marketing da Dootax, startup de automação fiscal

Conforme o levantamento da Dootax, que no Ceará atende marcas como a Solar Coca-Cola, Armazém Paraíba e Pague Menos, 18,1% das empresas brasileiras admitem arcar com multas e juros mensalmente por conta de atrasos de guias tributárias.

Outras 24% revelam já ter pagado guias tributárias em duplicidade. "Tudo isso gera perdas financeiras significativas para as empresas e pode ser perfeitamente evitado pela automação fiscal.

Até mesmo o pagamento em duplicidade, onde o contribuinte tem direito a receber o valor de volta, gera uma grande burocracia, que não é tão simples de resolver", comenta Thiago. 

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Movimento durante e pós-crise

Ainda de acordo com a pesquisa, 10% das empresas brasileiras possuem um departamento fiscal muito automatizado, enquanto outras 5% são consideradas totalmente automatizadas, inclusive com integração junto à instituição financeira para o pagamento dos valores devidos.

Sobre o interesse em utilizar a tecnologia neste processo, 44% das empresas entrevistadas já afirmam que pensam em automatizar a emissão e pagamento de guias tributárias, movimento esse que deve ser acelerado durante e após a crise. 

"A automação cabe em toda a parte de emissão e recebimento das guias, assim como no cálculo dos impostos e pagamento dos mesmos. As empresas estão percebendo que o trabalho chato e repetitivo pode ser deixado para os robôs. É preciso colocar as pessoas onde elas possam ser produtivas", explica Thiago.

A tecnologia é fundamental para o comércio na pandemia e após a crise passar(Foto: O POVO)
Foto: O POVO A tecnologia é fundamental para o comércio na pandemia e após a crise passar

Quem também visualiza a crise como um acelerador do processo de automação das empresas é o professor e pesquisador do Instituto Federal do Ceará (IFCE) Aracati, Mauro Oliveira, um dos criadores do hub de inovação Iracema Digital. Segundo ele, o uso da tecnologia será decisivo para que os negócios sobrevivam e se recuperam após a crise.

"A retomada econômica não será rápida e certamente se estenderá pelos próximos anos. Assim, as empresas precisam pensar em estratégias que possam adotar permanentemente para otimizar seus processos e utilizar a tecnologia como ferramente de redução de custos", ressalta.

Para Mauro, as empresas que não utilizarem a automação em seus processos internos, dentro daquilo que for possível, terão um caminho mais difícil. "Todo mundo precisou deixar de lado eventuais preconceitos com a tecnologia e utilizá-la para passar por esse momento, até porque não há outra alternativa. Temos um traço cultural de achar 'complicado ou desnecessário' aquilo que não conhecemos, mas a pandemia nos obrigou a abrir os olhos. Todos precisam se adaptar e, com as empresas, não é diferente", finaliza o pesquisador.

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Projeções para evitar aglomerações

Com o objetivo de agilizar o processo de embarque e reduzir filas, consequentemente evitando aglomerações no atual cenário de pandemia, a companhia aérea Azul passou a utilizar, em alguns aeroportos do Brasil, uma tecnologia inovadora de realidade aumentada que indica, através de projetores e monitores, qual o momento exato de os passageiros embarcarem na aeronave. Batizado de "Tapete Azul", o mecanismo ainda não tem data para chegar em Fortaleza, mas deve ser adotado no Aeroporto de Juazeiro do Norte até o mês de julho.

Segundo a Azul, com a realidade aumentada, os projetores formam um tapete virtual colorido e móvel, que convida as pessoas a se posicionarem na fila apenas na hora de embarcar, de acordo com seu número de assento. Os passageiros ficam a quatro metros de distância entre si e ganham mais agilidade e comodidade para entrar na aeronave, guardar as bagagens e se acomodarem.

"O Tapete Azul já vem proporcionando uma diminuição de 25% no tempo em que uma pessoa leva para embarcar e sentar no avião. É um avanço significativo, mas a nossa meta é chegar a 50% ainda neste ano", afirma Giuliano Podalka, gerente de novos projetos da Azul.

Segundo ele, a tecnologia começou a ser testada no aeroporto de Curitiba ainda em 2019, quando foi considerada um sucesso e implementada em definitivo neste ano. Atualmente, os terminais de Goiânia e Viracopos, em Campinas, também estão em fase de testes. Até o fim do mês, a expectativa é fazer o mesmo no Santos Dumont, no Rio, em Salvador e Belo Horizonte.

Através da utilização de realidade aumentada, projetores formam um tapete virtual móvel, que convida as pessoas a se posicionarem na fila na hora de embarcar(Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação Através da utilização de realidade aumentada, projetores formam um tapete virtual móvel, que convida as pessoas a se posicionarem na fila na hora de embarcar

A meta inicial da companhia era de que 18 terminais fossem contemplados com o Tapete Azul até o fim do ano, mas o número já foi revisto para 24. Giuliano pondera que o Aeroporto de Fortaleza está nos planos, mas que ainda não há tratativas com a Fraport, administradora do equipamento, e que por isso não existe uma data prevista para que isso aconteça. "Já em Juazeiro do Norte, devemos iniciar os estudos de viabilidade neste mês e, talvez em julho, já tenhamos a tecnologia disponível por lá", diz o gerente da Azul.

De acordo com Giuliano, a ideia central do Tapete Azul é minimizar três grandes dificuldades enfrentadas pelos passageiros na hora de embarcar: corredor estreito; armazenamento de bagagem; e assento no corredor, em que o passageiro é incomodado por quem precisa passar para sentar no meio ou janela. "O que queremos é minimizar esses conflitos.

Assim, a tecnologia do Tapete Azul é programada para escalonar esses embarques. Por exemplo, entra primeiro a fileira 30, pula a 29 e 28, daí entra a 27. Assim, os problemas enfrentados pelas seis pessoas de uma fileira não vão interferir na que vem na sequência, pois há uma distância", explica.

Segundo ele, os passageiros brasileiros ficam, em média, 18 minutos esperando o embarque começar. Com o Tapete Azul, perde-se apenas dois minutos. "O projetor não deixa ninguém de pé sem necessidade", acrescenta.

economia - automação
Foto: infográfico Cristiane Frota
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