Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: Thais Mesquita
Cid Gomes, Izolda Cela
e Camilo Santana
O senador Cid Gomes (PDT) é o principal articulador do grupo político que governa o Ceará. Se houver divergência entre ele e Ciro Gomes (PDT), quem prevalece? Bem, Ciro é o líder do grupo. Mas, já há quase 20 anos, ele mesmo afirma que delegou a Cid o comando das ações do Ceará, enquanto Ciro foi cuidar das questões nacionais. Ainda que seja Ciro quem terá a última palavra — algo provável — será Cid quem terá de colocar o plano em execução. O senador está mais calado na proporção em que a tensão sobe. Ao costurar várias eleições no Ceará, Cid já deu vários elementos para entender como ele pensa. Um em particular ajuda a pensar sobre a questão que se tornou crucial na eleição: o papel do ex-governador Camilo Santana (PT).
Gratidão ao antecessor
Em junho de 2011, Dilma Rousseff (PT) não havia completado nem seis meses como presidente. Cid Gomes foi entrevistado pelo jornalista Kennedy Alencar, na Rede TV, e expôs a tese que, 11 anos depois, talvez ajude a ilustrar como ele pensa a sucessão no Ceará.
“Se eu fosse a Dilma, faria tudo para estar bem em 2014, mas convidaria o Lula para ser candidato. É o que eu faria. A Dilma se elegeu pela força do Lula e gratidão é uma virtude que eu prezo muito. O caminho seria esse.”
A primeira coisa a considerar é que mais de uma década se passou. A opinião de Cid pode ter mudado. Ou não. Porém, naquela ocasião, ele achava que Dilma, presidente e com direito à reeleição, tinha dívida de gratidão com aquele que a projetou. O hoje senador não dizia que Lula deveria cobrar, mas que a própria Dilma deveria colocar para o antecessor a prerrogativa da escolha. O que isso tem a ver com o Ceará 2022?
Camilo virou governador pelas mãos de Cid, mais ou menos como Dilma virou presidente por causa de Lula. Camilo se reelegeu e não houve controvérsia — nem consta que ele tenha consultado Cid sobre se queria voltar. O irmão de Ciro foi para o Senado na ocasião. Mas, ao considerar a carta da gratidão, Cid pode achar que não cabe ao petista o comando da sucessão, mas àquele que viabilizou a chegada dele ao poder. Embora Cid tenha dado declarações poucos meses atrás atribuindo protagonismo a Camilo.
A questão é, ainda pelo raciocínio de Cid, se Camilo deveria abrir espaço para o antecessor decidir o que deve ser feito. Ou se a lógica vale em sentido estrito: apenas se o candidato fosse Cid. Vale lembrar, o senador tem dito que não será mais candidato e nega peremptoriamente hipótese de concorrer a governador. Talvez para salvar a aliança? Bem, ele vira e mexe é cogitado para concorrer — vide especulações sobre a Prefeitura de Fortaleza em 2020. Mas, Cid negar tão categoricamente algo e acabar embarcando na empreitada seria algo que eu nunca o vi fazer. O que não significa que não fará, mas eu não apostaria.
Uma outra lição política de Cid talvez mereça ser reanalisada. Era março de 2013, ele era governador e deixava cerimônia no Palácio do Planalto. Afirmou a jornalistas: “Eu aprendi que o correto, para quem está no governo, é deixar tudo para a última hora. Precipitar o debate eleitoral só acirra os ânimos e o governo precisa de um ambiente mais tranquilo no Congresso, para aprovar os seus projetos.” Bem, no Ceará de 2022, o que está acirrando os ânimos parece ser a demora na decisão. Voltarei ao tema.
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