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As insatisfações na aliança entre Cid e Elmano
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista

Érico Firmo política

As insatisfações na aliança entre Cid e Elmano

A relação de Cid com Elmano não é a mesma que tinha Camilo Santana. A relação que Camilo tem com Cid é equivalente à de Elmano com o próprio ministro
Tipo Opinião
CID Gomes e Elmano de Freitas: aliança com questões a resolver (Foto: FERNANDA BARROS)
Foto: FERNANDA BARROS CID Gomes e Elmano de Freitas: aliança com questões a resolver

No momento em que Ciro Gomes (ainda PDT) se coloca como pré-candidato a governador, o senador Cid Gomes (PSB) reforça que apoiará a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). Mas ele tem insatisfações. Tudo normal. Na política sempre existem. Basta ver a relação dos aliados com o governo Lula. Os grupos dentro de uma coalizão buscam seus espaços. Aqueles com mais força querem mais.

A relação de Cid com Elmano não é a mesma que tinha Camilo Santana. O hoje ministro da Educação foi secretário e virou governador porque o antecessor assim quis. A relação que Camilo tem com Cid é equivalente à de Elmano com o próprio ministro. Camilo é do PT há mais de duas décadas, mas, no governo, era indicação de Cid. Tanto que o acordo era para “devolver” o Governo do Estado para o partido do senador na eleição de 2022. Na época, o partido era o PDT e o nome pactuado entre os caciques era Izolda Cela. Os pedetistas, porém, lançaram Roberto Cláudio. O partido implodiu e os petistas lançaram Elmano. O senador foi para a Meruoca; ficou afastado da campanha. Não conseguiu até agora voltar ao centro da cena, embora esteja por perto.

O que desagradava ainda incomoda

Descontentamentos com a política já ficaram explícitos. Em novembro do ano passado, houve uma semana de crise durante a qual pairou a iminência de rompimento no governismo cearense. Cid reagiu à escolha de Fernando Santana (PT) para presidente da Assembleia. Desde o começo da década anterior, a cadeira pertencia ao grupo dele. Achou que o PT estava concentrando espaços demais. Houve conversas. O escolhido foi Romeu Aldigueri, do mesmo partido de Cid, mas líder do governo Elmano. Um meio-termo.

Em entrevista no fim de semana, o senador voltou a falar em incômodos, pelo mesmo motivo: concentração de poder. “Fui governador, tratei bem os meus aliados. Eu não ficava pegando um caba de um partido aliado meu pra trazer pro meu. Nunca fiz isso. Ao contrário, sempre fiz foi ajudar os partidos aliados. E eu tenho enxergado algumas coisas nessa direção. Se aproveitar de poder para tirar de aliados”. O recado é claro.

"Eu reclamo muito e faço isso sinceramente em ambientes, roupa suja a gente lava em casa, eu procuro fazer assim. Tenho uma série de reclamações, queixas que eu tenho", afirmou.

Há situações do tipo pelo menos desde o começo de 2022. Com Camilo Santana prestes a deixar o governo, o PT começou a filiar prefeitos. Alguns deles do PDT. Quando houve a crise pedetista, a maioria dos filiados acompanhou Cid para o PSB. Mas alguns foram atraídos para o PT. O na época deputado Evandro Leitão seguiu esse rumo, e o senador disse publicamente não ter gostado.

Cid, depois daquela semana em novembro do ano passado, não deu mais qualquer sinal de que poderá romper, mesmo com Ciro candidato. Mas diz do que não gosta. Há formas de apoiar, com maior ou menor ênfase. Ele é o mais importante apoiador da base estadual. Pode ter peso maior ou menor a depender do cenário.

Eleição competitiva valoriza apoios

A oposição não é a única interessada em ter uma candidatura forte contra o Palácio da Abolição — algo nem sempre comum em eleições no Ceará e particularmente rara em campanhas de reeleição. Quando o favoritismo é muito destacado, os apoios valem menos. Numa eleição disputada, na qual há alternativas reais de poder, os possíveis aliados se valorizam, conseguem negociar em condições mais vantajosas. Por isso, há gente da base e que pretende apoiar o governador que, ainda assim, anima-se ao ver surgirem opções.

Num cenário de oposição competitiva — e Ciro é provavelmente o que de mais forte pode haver nesse campo — o peso de insatisfações com a política do Palácio se torna maior. Gente que ficaria calada se anima a verbalizar. Passa a ser necessário tratar com mais carinho as reclamações.

Foto do Érico Firmo

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