Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
O partido foi convertido na rinha em que duas alas passaram a se digladiar. Depoisda confusão, as duas alas foram embora e deixaram os destroços para trás
Foto: Charles Sholl/Futura Press/Folhapress
FILIAÇÃO de Ciro ao PDT, em 16 de setembro de 2015.
O ano de 2022 redefiniu a política do Ceará. Os reflexos desenham o que são hoje o governo e a oposição e irão determinar as próximas eleições. A família Ferreira Gomes rachou e, com ela, o governismo no Ceará.
Até a metade daquele ano, Ciro Gomes, Roberto Cláudio e José Sarto eram aliados de Camilo Santana. Roberto buscava o apoio do hoje ministro da Educação e também de Cid Gomes. Atualmente, age como quem não os quer ao lado dele nem pintados de ouro. Postura que não costuma ser comum na política, ao menos no longo prazo. Quanto a Ciro, justificava a escolha de RC como candidato a governador, no lugar da então governadora e ex-aliada Izolda Cela, por ser o mais competitivo para enfrentarCapitão Wagner (União Brasil). No fim das contas, o plano B que substituiu Izolda, Elmano de Freitas (PT), derrotou Wagner e Roberto.
O rescaldo de 2022 e 2024 levou Ciro e RC a se aliarem a Wagner contra o PT. Com tratativas que vêm e vão com o bolsonarismo.
Mas ninguém sofreu tanto o impacto de 2022 quanto o PDT. A rigor, o partido foi convertido na rinha em que duas alas que se filiaram juntas, em 2015, passaram a se digladiar. A parcela governista saiu entre 2023 e 2024. Desde 2025, a banda oposicionista vem se retirando. Pouca gente fica além dos pedetistas originais, que já estavam lá antes da chegada do grupo Ferreira Gomes converter a legenda na potência política do Ceará. Permanecem também os destroços e a bagunça da briga.
O fim da bancada
Com 13 deputados estaduais, o PDT elegeu a maior bancada da Assembleia Legislativa em 2022. Os quatro remanescentes estão de mudança, como mostrou o colunista Guilherme Gonsalves. Uns para o PSDB, outros para o PL.
Baixa na Câmara
Na segunda-feira, 19, a executiva do PDT em Fortaleza deliberou pela expulsão do vereador PP Cell, devido ao alinhamento ao bolsonarismo. O caso segue para o diretório municipal. Não deixa de ser conveniente para o parlamentar, que tem plano de concorrer a deputado federal pelo PL. Porém, para vereador, não há janela partidária este ano. Então, caso trocasse de partido, ele correria o risco de ser cassado por infidelidade partidária. Apesar de ir ao encontro do interesse dele, PP Cell havia falado em buscar a Justiça contra a expulsão.
O PDT é um dos partidos mais rigorosos quanto à fidelidade e possui diretrizes contra dar anuência para a saída de filiados. Foi concedida a Evandro Leitão, hoje no PT, no breve intervalo no qual Cid Gomes assumiu a direção. O que se seguiu foi uma confusão com sequelas não saradas.
Ao encontrar um jeito de liberar PP Cell para trocar de partido, mesmo por linhas tortas, o PDT parece ter chegado à conclusão de que teria perdido menos se tivesse deixado logo a porta aberta para sair quem quisesse. Assim o partido teria tomado seu rumo há mais tempo, sem assistir à própria cozinha se converter no espaço da arenga alheia.
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