Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
Faz uma semana que se materializou aquilo que há algum tempo era esperado que acontecesse - a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro - e, ao contrário do que indicavam seus apoiadores mais apaixonados, o Brasil não parou. Assim como o País seguiu na sua rotina normal quando, em 7 de abril de 2018, o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (hoje de volta ao cargo) viu-se recolhido a uma cela especial da Polícia Federal no Paraná para cumprir condenação que lhe havia sido imposta por Sérgio Moro, à época juiz federal da 13ª Vara Criminal naquele estado sulista.
Deve-se ressaltar que esforço houve para levar gente às ruas, os apelos por greves, boicotes e outras manifestações do gênero tomaram de conta das redes sociais a partir de quando a notícia começou a circular, parlamentares do bloco bolsonarista insuflaram caminhoneiros, por exemplo, para que eles voltassem àquele movimento do final de 2023, época em que rodovias foram bloqueadas para protestar contra o resultado das eleições. Nada aconteceu.
A calma das ruas é parte de uma certa maturidade institucional e política da sociedade brasileira. A gente já consegue absorver as situações que antes teriam o efeito paralisante que gostariam apoiadores de líderes como Lula e Bolsonaro, entendendo que, enfim, mesmo eles precisam pagar pelos erros que cometerem e, à luz do que decida a justiça, tiverem suas responsabilidades por eles devidamente comprovadas. Pelo menos sob o ponto de vista da formalidade processual e isso acaba de acontecer em relação àquele que nos governou entre 2019 e 2022.
Agora, é flagrante que a paz que predomina nas ruas brasileiras desde o recolhimento de Bolsonaro à prisão tem frustrado muita gente. O correto seria que houvesse um esforço da parte deles e delas para entender as razões do fenômeno, considerando que Bolsonaro segue gerando reações de adoração e poderia mesmo, com seu recolhimento a uma sala do prédio da superintendência da Polícia Federal em Brasília, desde a manhã do último sábado, ter feito surgir um amplo movimento de massas em seu apoio a partir do sofrimento pessoal inegável que enfrenta.
Qual o problema, então? A questão é que Jair Bolsonaro parece ter frustrado seu público, desmobilizando-o de alguma forma, com sua postura errática e fragilizada, esforçando-se pouco para defender sua própria inocência e desde o começo pedindo clemência ao invés de justiça.
A linha assertiva de sua defesa era centrada nos ataques ao Judiciário, como um todo, ou na criminalização dos responsáveis pela acusação, sem qualquer atenção aparente às obrigações, como pessoa pública e ex-presidente da República, de preservar o ambiente institucional. Claro que se isso não o preocupava quando estava no cargo, deve preocupá-lo menos ainda agora que está fora dele.
Sei que a comparação dói pra muita gente, mas basta olhar para o exemplo de Lula, que viveu situação parecida às portas de um processo eleitoral no qual aparecia bem posicionado nas pesquisas, em 2018, também saia de situações pessoais graves à época (a perda da mulher e um tratamento contra câncer, por exemplo) e em nenhum momento vitimizou-se para além do aceitável.
Nunca utilizou parentes, filhos ou o que valha para pedir mobilizações, greves etc como forma de pressionar as forças políticas e optou - o que era o certo antes e segue sendo o certo agora - por fazer a luta através dos instrumentos que a justiça e a estrutura legal ofereciam.
Não houve familiar de Lula ou petista com voz de liderança apelando por medidas que atrapalhassem a vida do País em geral. Aconteceram os acampamentos nas proximidades de onde ele estava preso, a militância deu mostras objetivas de que seguia ao lado de seu líder, mas o Brasil tocou sua vida sem atropelos. Da mesma forma que segue agora, neste caso atual, com a diferença de que na quadra histórica do momento precisando resistir a apelos insistentes em contrário.
O paradoxal nessa história do Plano Diretor de Fortaleza aprovado na semana pela Câmara de Vereadores é que, às vésperas do envio da matéria, a coluna ouviu de um assessor do prefeito Evandro Leitão (PT) que havia uma preocupação com o que poderia acontecer no ambiente legislativo já que o texto era resultado de uma ampla discussão que durou anos e foi intensificada desde a posse do atual grupo.
Aconteceu, no fim das contas, que as mudanças que têm motivado fortes críticas de representantes de movimentos populares e até de apoiadores da gestão, gente do PT e do Psol, acabou sendo encaminhada e respaldada com amplo apoio da própria base. Vai levar um tempo para o prefeito explicar melhor o que aconteceu.
Para cumprir uma promessa que se fez e aos seus seguidores, o senador Luiz Eduardo Girão (Novo) não pode utilizar suas movimentadas redes sociais, ontem, para animar o clima de expectativa em torno do evento que realiza hoje em Fortaleza para o lançamento de sua pré-candidatura ao governo do Ceará.
O certo é que ele, com apoio tímido de lideranças oposicionistas locais, aposta na presença de muita gente de peso nacional para mostrar musculatura no seu projeto para 2026.
O trunfo maior será a participação (até agora confirmada) da ex-primeira dama Michele Bolsonaro, que aparece nas peças de divulgação com o destaque merecido, mais pelo aspecto político e simbólico na disputa de apoios no campo ideológico do qual o senador faz parte do que pelo potencial que ela tenha de gerar votos.
Quem quiser conferir será no Hotel Gran Mareiro, a partir de 9 horas.
Com o deputado federal mineiro Aécio Neves assumindo o comando nacional do PSDB espera-se que cresça a pressão sobre Ciro Gomes para que ele aceite um projeto de candidatura à presidência da República em 2026.
O novo dirigente tem uma leitura de que abriu-se um espaço para uma terceira via na disputa nacional pela situação em que Jair Bolsonaro está inelegível, por um lado, e, segundo avalia, do outro tem-se o presidente Lula em baixa junto à opinião pública.
O tucano, que já disputou a presidência em 2014, quando perdeu para Dilma Rousseff, projeta que o bolsonarismo apoiaria Ciro sem maiores restrições num segundo turno contra Lula. Para ele, com o mesmo entusiasmo que demonstra aqui para abraçar uma candidatura dele ao governo.
O senador piauiense Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e até outro dia um dos luminares políticos do bolsonarismo, disparou processo para todo lado nos últimos dias contra jornalistas e veículos de comunicação que andaram envolvendo-o com escândalos recentes.
A partir de evidências fortes, diga-se. Com gente muito próxima a ele investigada nas últimas operações da Polícia Federal contra o crime organizado, pela estrutura de cima, parte dele passando pela Faria Lima, o parlamentar quer ser ignorado no noticiário.
Pediu à justiça que todo mundo seja proibido de citar seu nome, que as notícias anteriores que o citam sejam apagadas e que os profissionais autores das matérias façam retratações públicas. Gabaritou aquilo que a direita chama de ataque à liberdade de expressão quando parte de alguém da esquerda.
Domingos Filho, presidente do PSD no Ceará e secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, tem dado recados a cada dia mais claros no ambiente interno da aliança governista: é pra valer a disposição do partido de ocupar um dos quatro postos majoritários do palanque oficial de 2026.
Não se descarte, a essa altura, o nome de Patrícia Aguiar, muito elogiada como prefeita de Tauá e que vem a ser casada com Domingos Filho, como nome a ser considerado para a posição de vice de Elmano de Freitas. Dificilmente deixará de ser uma mulher e Jade Romero (MDB), hoje no posto, não dispõe de sustentação política para repetir a dobradinha.
Germano Lima estaria sendo preparado por uma ala do Psol para entrar na disputa pelas duas vagas ao Senado, o que, certamente, contraria a ideia inicial da cúpula de se integrar de corpo e alma ao palanque montado sob orientação do Palácio da Abolição. Onde já existe confusão suficiente com o excesso de nomes.
A ideia de candidatura própria ao Senado tem a simpatia de nomes como o deputado estadual Renato Roseno e o vereador Gabriel Aguiar. As duas maiores forças eleitorais da sigla no Ceará hoje, mas que não conseguem transformar isso em controle da estrutura partidária. Ou seja, a tendência é que a burocracia prevaleça mais uma vez sobre a política.
Roberto Costa Filho (PSDB), prefeito de Iguatu, tem recebido informação de muita gente sobre movimentos do presidente da Câmara de Vereadores, Diego Felipe (Avante), até onde sabia seu aliado, para herdar a cadeira que ficaria vaga caso a cassação de seu mandato fosse confirmada pela justiça eleitoral, o que não aconteceu.
O próprio Felipe tem negado qualquer articulação nesse sentido, mas o que se fala é que ele havia se juntado ao antecessor de Roberto Filho, Ednaldo Lavor, do PSD, para viabilizar-se como candidato a concluir o mandato em eleição extraordinária que aconteceria em caso de afastamento. A cizânia está criada.
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