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Moda múltipla: Cândida Lopes e a produção slow no Ceará
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jornalista, com pós-graduação em Propaganda e Marketing (Uni7) e em Moda e Comunicação (Universidade de Fortaleza). Já atuou como assessora de comunicação, repórter do Núcleo de Revistas do O POVO, jornalista na área de branding e design, e produtora de conteúdo no Penteadeira Amarela, um dos primeiros blogs de comportamento do Ceará. A ligação com a moda surgiu ainda na faculdade, quando teve contato com os bastidores da moda, passando a vê-la como forma de expressão individual, de manifestação cultural e de reflexão social. Atualmente, é editora-adjunta de projetos do O POVO.

Larissa Viegas arte e cultura

Moda múltipla: Cândida Lopes e a produção slow no Ceará

Cândida Lopes está entre os nomes que fazem a moda slow do Ceará. Com uma bagagem repleta de experiências, foi no fazer manual que aprendeu a desacelerar
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O slow fashion de Cândida Lopes, na Cândida Autoral, é marcado por peças em algodão e bordadas à mão (Foto: FOTOS Rafa Eleutério/Divulgação)
Foto: FOTOS Rafa Eleutério/Divulgação O slow fashion de Cândida Lopes, na Cândida Autoral, é marcado por peças em algodão e bordadas à mão

Quantas paixões cabem em uma pessoa? Cândida Lopes é a prova de que é possível, sim, ser encantada por vários fazeres. Há mais de 20 anos atuando no mercado, a comunicadora, designer de moda e bordadeira, como ela se autodefine, atuou por décadas no segmento do fast fashion, mas foi no fazer manual que encontrou equilíbrio para superar um momento difícil e, ao mesmo tempo, imprimir sua assinatura em uma marca.

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Foi, inclusive, o bordado que a fez ampliar os horizontes e ultrapassar algumas fronteiras da moda. Até que os caminhos percorridos a levaram ao seu atual cenário: estilista da marca Vai Maria, projeto do Iprede; consultora; apresentadora da instassérie Papeando; diretora de relacionamento da Associação de Design do Ceará e produtora e figurinista no audiovisual.

O POVO - Como a moda entrou na sua vida, já que a sua formação é em Comunicação?

Cândida Lopes - Eu entrei na Universidade Federal do Ceará (UFC) em 2000 e em paralelo, eu sempre trabalhei com moda. Fui logo atrás de estágios, de desenvolver, de "atirar para tudo quanto é lado", porque eu sou uma pessoa extremamente curiosa. Gosto de ação, de fazer, de estar em campo. Trabalhei por muitos anos no mercado de Fortaleza, como designer, no chão de fábrica. Foram mais de 20 anos em uma marca local, a Produção, que em 2023 fechou as portas. A partir de 2023, comecei a direcionar a minha profissão, não trabalhei mais em fábrica. Foi quando comecei no Instituto Primeira Infância (Iprede), amando o que eu faço desde que eu entrei. Trabalhar com essas mulheres, desenvolver esse projeto… Quando eu entrei, já existia o (projeto) Vai Maria, mas depois que a gente entrou, deu uma impulsionada e ele começou a despontar mesmo. Hoje, creio que o Vai Maria é, no Brasil, a única marca social totalmente sustentável, porque a gente vai da capacitação das mulheres ao desenvolvimento do produto. A marca é toda feita pelas mulheres que são formadas pela Instituição e, no final do ano, cada uma recebe sua máquina de costura e viram nossas "mini-oficinas", elas fazem as nossas roupas dentro da sua casa.

OP - Como é trabalhar em projetos como o Vai Maria?

Cândida - O Vai Maria me fez ampliar a minha visão, de trabalhar com mulheres e comunidades. E por isso, comecei a me inserir em projetos. Participei do projeto Renda Gera Renda, onde a gente fazia um trabalho de resgate de duas tipologias do nosso estado que estão em extinção, que é o labirinto e a renda de bilro. Trabalhei com o labirinto em Beberibe, durante praticamente um ano, onde a gente fazia as apostilas para essas mulheres e desenvolvia aulas junto com as mestras de cultura, as mulheres que são detentoras dessas tipologias. Foi um projeto bem bonito. E hoje eu também trabalho na Central de Artesanato do Ceará (CeArt) como consultora convidada, com a minha marca (Cândida Autoral) e estou na Nordestesse.

OP - Seu trabalho, hoje, tem muito a pegada do slow, do feito à mão. Como surgiu o encanto pelos fazeres manuais?

Cândida - Eu trabalhei muito com fast fashion e tinha muita vontade de fazer o slow fashion, para ir para outra direção. Porque o fast fashion era muito trabalho para o outro. Aí eu senti essa falta do meu, específico. Quando quis fazer o meu autoral, eu tinha que trabalhar com alguma tipologia e o bordado sempre me encantou. Sempre achei bonito. Consegui ter contato com um grupo de bordadeiras e comecei a fazer algumas peças. Em 2016, comecei a fazer um curso de bordado pela necessidade de mostrar às bordadeiras algumas coisas que eu queria que elas fizessem e eu não conseguia me expressar. Quando terminou o curso, fiz um grupo com as minhas colegas. Em janeiro de 2017, a minha mãe sofreu um AVC e eu fiquei cinco meses com ela no hospital. Foi quando comecei a fazer os meus microbordados, que são os meus escapulários e que hoje são meu carro-chefe de vendas.

OP - Acredita que a moda pode ser mais sustentável, ambiental, econômica e socialmente falando?

Cândida - Sim, eu acredito que a moda pode ser mais sustentável. Eu já tento trabalhar essa moda sustentável, já faço isso no Vai Maria. Hoje, a gente tenta trabalhar com tecidos sustentáveis. E tem um trabalho também de menos desperdício possível. A gente está fazendo a nossa parte, mas eu acho que todos, de uma maneira geral, podem sim trabalhar melhor essa economia mais ambiental, mas totalmente sustentável e social, sempre.

OP - Para quem está começando agora na moda, o que você indica e quais são as áreas que você aposta para o futuro?

Cândida - Tem que experimentar um pouco de tudo e saber realmente o que quer e focar. Quando a gente foca em algo, sempre dá o nosso melhor.

 

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