Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
"Os Estados Unidos estão se tornando mais corruptos, protecionistas e autoritários. Já o Brasil, mesmo sendo punido pelo governo Trump por processar Bolsonaro, está determinado a proteger e fortalecer sua democracia"
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil e SAUL LOEB / AFP
Donald Trump e Lula
A revista britânica The Economist dedicou um substancioso texto sobre a situação atual no Brasil em comparação com o que ocorre nos Estados Unidos. No cotejamento entre as duas nações, a imagem do Brasil surge como uma país que luta para preservar sua democracia, enquanto nos Estados Unidos ela está em deterioração.
Tanto é que o título da reportagem é "O Brasil oferece uma lição de maturidade aos Estados Unidos".
Como exemplo do vigor democrático brasileiro a revista cita que os depredadores da sede dos Três Poderes e o responsável por "tramar um golpe" (Jair Bolsonaro) respondem na Justiça por suas ações.
E se aproxima o julgamento do “núcleo crucial” do golpe, formado por Jair Bolsonaro e outros sete réus: cinco militares, um ex-ministro da Justiça e um ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Informação (Abin). A primeira sessão na Primeira Turma do STF será no dia 2 de setembro.
Essa atitude, segundo a Economist, "faz do Brasil um caso de teste sobre como os países se recuperam de uma febre populista".
Escreve a revista:
"A comparação mais marcante do Brasil, porém, é com os Estados Unidos. Os dois países parecem trocar de lugar. Os Estados Unidos estão se tornando mais corruptos, protecionistas e autoritários — com Donald Trump, nesta semana, manipulando o Federal Reserve e ameaçando cidades controladas por democratas. Já o Brasil, mesmo sendo punido pelo governo Trump por processar Bolsonaro, está determinado a proteger e fortalecer sua democracia".
Segundo avalia a Economist, uma das razões pela qual o Brasil promete ser diferente de outros países [que capitularam ao populismo], é que ainda permanece viva a memória da ditadura, sendo a democracia restaurada em 1988.
"O Supremo Tribunal Federal, moldado pela 'constituição cidadã', promulgada naquele momento, ainda se vê como um baluarte contra o autoritarismo."
Continua o texto:
"Além disso, a maioria dos brasileiros têm consciência do que Bolsonaro fez. A maioria acredita que ele tentou dar um golpe para se manter no poder. Governadores conservadores, que disputam espaço para enfrentar o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do próximo ano, precisam dos votos dos bolsonaristas. Mas até eles criticam o estilo político do ex-presidente."
A reportagem ainda anota que "a maioria dos políticos brasileiros, da esquerda à direita, querem se afastar da "loucura bolsonarista", frente a uma agenda difícil, mas urgente de mudanças constitucionais. Paradoxalmente, diz a revista, "uma tarefa fundamental é conter o STF, apesar de seu papel como guardião da democracia", ressalvando que os próprios ministros reconhecem a necessidade de ajustes.
“Em teoria”, anota a Economist, “isso aponta um caminho a seguir. Bolsonaro deve ser julgado por seus crimes e punido, se culpado. No próximo ano, a eleição deve girar em torno de reformas mais amplas.
Mas a revista ressalva que nada será fácil, e que "um dos obstáculos é Trump". Mas, "felizmente", escreve a Economist, a interferência provavelmente terá efeito contrário, pois os ataques de Trump fortaleceram Lula nas pesquisas.
Ao final The Economista registra:
"Tensões, portanto, serão inevitáveis. Mas, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, muitos políticos tradicionais do Brasil, de todos os partidos, querem jogar segundo as regras e avançar por meio de reformas. Esses são sinais de maturidade política".
"Ao menos temporariamente, o papel de ‘adulto democrático’ do hemisfério ocidental mudou para o sul."
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