Por Hamilton Nogueira. Pedagogo, jornalista, ex-analista de sistemas e mestre em Ciência Política com trabalho em Desinformação. Escreve sobre Tecnologia na perspectiva do comportamento, desenvolvimento e esperança de dias melhores
Por Hamilton Nogueira. Pedagogo, jornalista, ex-analista de sistemas e mestre em Ciência Política com trabalho em Desinformação. Escreve sobre Tecnologia na perspectiva do comportamento, desenvolvimento e esperança de dias melhores
O Gartner divulgou recentemente uma análise que ratifica muitas de nossas abordagens. A empresa, que é referência global em consultoria para TI, diz que após três anos de crescimento exponencial da inteligência artificial generativa, o mercado começa a superar a fase lúdica e diversionista para entrar numa era de maturidade e aplicabilidade.
A empresa se apoia no fato de que os gastos globais com IA devem superar US$ 2 trilhões em 2026. Perceba que estamos falando de dólares. É razoável imaginar que a experimentação começa a dar lugar a implementação em larga escala de soluções que prometem mudar a relação entre pessoas e o mundo digital. Agentes autônomos intermediando compras, comunicação, relações contratuais, serviços.
Esqueça as mágicas, a exemplo de municípios do semiárido vendo suas ruas debaixo de neve para entrar numa trend. Aliás, pensando bem, não esqueça a mágica. Algumas delas estão prontas para serem usadas nas eleições. Áudios e vídeos ofensivos do seu candidato causando discórdia e destruindo reputações serão usados. Está barato e de fácil operacionalidade.
Para se defender da maioria dos males, a chave está no ser humano, que não tem tempo ou oportunidade para entender o que está acontencendo. Sobre tempo, este mudou. A vida ficou mais rápida. Além de todos os processos que nos envolvem, ainda é preciso rolar os reels aproximadamente quinhentas mil vezes por dia para atender ao estímulo do dono do mundo: o algoritmo.
Muito desse hype, desse modismo, tem a ver com a forma fantasiosa com a qual entendemos as disrupções causadas pela tecnologia. Superestimamos as mudanças esperando revoluções do dia para a noite. Essa primeira coluna de 2026 não muito difere da última de 2025. Exceto pela esperança de que cresçamos e entendamos as mudanças necessárias, reguladas por um poder público responsável, com algum ideal de país.
O Brasil é líder na América Latina em atração de Data Centers, com o novo protagonismo do Ceará nesse contexto. Publicação da Fortune Business diz que o mercado de tecnologia verde pode passar de US$ 21 bilhões para mais de US$ 100 bilhões em 2032. Porque é preciso soluções ambientais para garantir a proteção dos recursos naturais e reparar danos passados.
Precisamos de letramento digital, precisamos aplicar as melhores ferramentas de IA para alavancar nossa produtividade, precisamos proibir redes sociais para menores de determinada idade, algoritmos globais são propriedades humanitárias que devem ser controlados por colegiados universitários e científicos, precisamos cuidar da saúde mental e viver uma vida um pouco mais analógica, precisamos não esquecer o que disse o Felca, é preciso lembrar que influenciadores estão também nas páginas dos livros, e é preciso ter autonomia.
Para dar conta de quase tudo isso lembre do Paulinho da Viola: “Faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar”. Porque ao lembrar que vem carnaval, articulações para as eleições, copa do mundo e eleição presidencial, restará tempo apenas para desejar um feliz 2027.
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