Vertical é a coluna de notas e informações exclusivas do O POVO sobre Política, Economia e Cidades. É editada pelo jornalista Carlos Mazza
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Resumo
Articulações para montagem de chapas eleitorais em março.
Enfrentamento político marca novo momento após 20 anos da eleição de Cid Gomes.
Cenário de consolidação de lideranças, com ou sem a influência de Cid.
Eduardo Girão mantém pré-candidatura ao Executivo, alinhado à 'direita raiz'.
Cancelamento do Carnaval em três municípios cearenses por economia e escassez hídrica
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A confirmação da saída de Camilo Santana do MEC coincide com a movimentação mais aberta de Ciro Gomes (PSDB) na condução das articulações políticas no Estado. Na prática, isso significa que, talvez já em meados de março, os ex-aliados estejam enfronhados com a montagem das chapas que devem se bater pelo Abolição em outubro próximo. Não se trata de embate trivial.
Esse enfrentamento, ainda que o petista não seja candidato ao Executivo, demarca novo momento em um ano em que a eleição de Cid Gomes (PSB) ao Governo, marco inaugural desse ciclo político, completa duas décadas. Na hipótese de Camilo sair vitorioso, o que se verá é a consolidação de sua liderança, agora fora do raio de influência de Cid - mas mantendo-o cautelosamente por perto.
Se for Ciro a comemorar o resultado das urnas, é o encerramento de um arco histórico - e a volta dos Ferreira Gomes ao centro do poder, do qual estão afastados (Ivo perdeu em Sobral em 2024 e o próprio Cid opera pelas margens).
Em alguma medida, 2026 é ainda um tira-teima de 2022, ano do racha entre PT e PDT, legenda na qual se aninhavam os irmãos e seu entorno. De lá para cá, o PDT desidratou (só agora volta a respirar após uma recomposição o PT).
A propósito: se a política cearense fosse um BBB, o caçula dos FG, Ivo Gomes, ganharia distinção por não "pipocar" nessa dinâmica do "sincerão" made in Ceará. Sua série de entrevistas recentes garantiu a cota de animação de janeiro.
Mercurial, Ciro parece fazer mais o perfil inflamado, do tipo Sol Vega. Já Cid é cerebral e moderadamente agregador, a exemplo de Ana Paula, que também é dada a excessos -"achacador" é uma palavra que ela usaria, sem dúvida.
Saiu 2025 e entrou 2026, mas o grande impasse em torno da federação União/PP se mantém no horizonte dos partidos. Antônio Rueda, que não é bobo e acena a uns e outros, está interessado no melhor contrato para si e para o UB.
Após sucessivos adiamentos, o prazo para definição do comando da megaestrutura partidária é fevereiro - que logo deve virar março, já que nada de politicamente importante no Brasil se resolve de fato antes do Carnaval.
Em meio às tentativas de aproximação de Ciro com Eduardo Girão (Novo) em busca de fechar palanque único da oposição no Estado, o senador manteve sua pré-candidatura ao Executivo. Segundo ele, o tucano já teve a sua chance de governar o Ceará.
"Eu respeito o Ciro, e é um respeito mútuo. Também percebo que é um cara muito inteligente e que tem realmente uma folha de serviço prestado pelo Ceará, mas ele representa outros valores", declarou Girão à coluna nessa terça, 20.
Girão complementou a tese se colocando como único candidato representante da direita: "O Ceará precisa de um projeto que não foi testado, de direita, e não tem ninguém colocado como candidato que representa essa massa".
Carnaval: três municípios cearenses cancelaram a festa sob alegação de economia para os cofres públicos. É decisão razoável em cenários de escassez hídrica. Resta saber se esse ímpeto de contenção deve se estender a outros âmbitos da gestão - e em outras épocas, tal como no ano eleitoral, quando os gastos costumam disparar.
Aviso>> O jornalista Carlos Mazza está de férias e, neste período, Henrique Araújo escreve a coluna
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