Vertical é a coluna de notas e informações exclusivas do O POVO sobre Política, Economia e Cidades. É editada pelo jornalista Carlos Mazza
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O senador Cid Gomes (PSB) endereçou ontem um recado controverso para o ministro Camilo Santana (Educação). À Folha de S. Paulo, o pessebista declarou que o petista é hoje "uma sombra para o governador Elmano de Freitas" e que, na hipótese de Camilo se desincompatibilizar do MEC, essa sombra "passa a ser um fantasma". Pois é. Sobre a saída em si do ministro da Esplanada, o Ferreira Gomes foi enfático: seria "terrível" para o chefe do Abolição.
Há muitas maneiras de ler as falas de Cid - nenhuma parece simpática à coesão da base de Elmano. Pelo contrário, soam como sinalização de uma contrariedade que vem num crescendo e, mal administrada, pode evoluir para novo racha - agora entre Cid e Camilo, sonho acalentado pela oposição dia e noite. Já explico.
Por que o titular do MEC seria uma "assombração" para o sucessor? A tese de Cid é que, uma vez que Camilo se desembarace da pasta, a pressão para que concorra será maior do que o desejo de que Elmano postule a reeleição.
Nesse contexto, o ministro não poderia dizer não - nem aos aliados no Ceará, que temem a candidatura de Ciro Gomes (PSDB), tampouco ao presidente Lula, a quem interessa sobretudo repetir a votação expressiva no Nordeste.
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Mas há mais no horizonte: o cálculo de Cid envolve a alternância de poder dentro de quatro anos, isto é, em 2030. Daí que venha repetindo a quem lhe pergunte: tem compromisso de apoio à reeleição de Elmano, e apenas dele.
Isso significa que uma candidatura de Camilo a um terceiro mandato (e talvez para um quarto) não é bem vista pelo senador porque compromete esse acerto apalavrado para indicação do próximo nome para o Governo do Estado.
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Uma derradeira leitura: Cid está tentando manter Camilo afastado do cenário local para evitar o desgaste do choque tanto entre o petista e Ciro quanto entre os irmãos Cid e Ciro. Segurá-lo no MEC, então, ajudaria a reduzir tensões.
As chances de que Camilo permaneça no ministério são mínimas, contudo. Dentro do arco governista, o ex-governador é o "curinga" para o caso de a gestão Elmano não chegar às eleições em condições ideais de competitividade.
O deputado estadual Francisco de Assis Diniz (PT) rebateu o posicionamento de Cid Gomes. Para o parlamentar petista, o ministro "tem um nome de peso, de relevância, com um ativo político que não pode ser considerado fantasma, muito pelo contrário".
Já o secretário da Casa Civil Chagas Vieira avaliou que "a presença de Camilo a partir de abril ajuda a fortalecer cada vez mais a campanha de reeleição de Elmano e de Lula". Ele acrescentou que o ministro tem perfil agregador.
Em reserva, todavia, um interlocutor palaciano fez saber à coluna que "a postura de Cid é confusa", dando margem a toda sorte de especulação sobre o risco de o senador do PSB se recompor com Ciro na corrida pelo governo estadual.
Começa hoje, 22, a 12ª edição da Mostra RetroExpectativa, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Com mais 50 filmes e produções inéditas, a programação se estende até 4/2 celebrando a atuação como eixo curatorial. A abertura está agendada para as 20h30min, no Espaço Rogaciano Leite Filho.
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