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Mulheres tiveram saúde mental mais afetada do que os homens na pandemia

Enquanto 86% delas manifestaram pelo menos um transtorno na saúde mental nos últimos meses, a taxa foi de 79% entre os homens
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Os impactos da pandemia na saude mental dos fortalezenses (Foto: luciana pimenta)
Foto: luciana pimenta Os impactos da pandemia na saude mental dos fortalezenses

A pandemia de Covid-19 vem trazendo diversos impactos negativos, inclusive para a saúde mental. Em Fortaleza, 83% dos eleitores relatam ter sentido ansiedade, stress, insônia ou outro transtorno psicológico nos últimos meses. Entre eles, as mulheres são maioria: enquanto 86% delas manifestaram pelo menos um sintoma, a taxa é de 79% entre homens. Os dados são da pesquisa O POVO/Datafolha divulgado na última quarta-feira, 28.

Em relação aos sintomas, quase metade das mulheres (48%) teve crise de ansiedade e 67% relataram ter ficado estressadas, essas questões se apresentaram para 31% e para 50% dos homens. O levantamento questionou ainda sobre depressão, insônia, medo de ficar doente e medo de morrer; todos se apresentaram em maior número, proporcionalmente, nas mulheres. A exceção da lista é o aumento do consumo de álcool, que foi de 19% entre os homens e de 17% entre as mulheres.

"A pandemia provocou uma reorganização social inesperada. Tivemos que lidar com uma doença desconhecida, com a imprevisibilidade quanto ao fim desse cenário e com a necessidade de mudarmos muitos hábitos", enumera a psicóloga Evelyn de Sousa Penas explicando os motivos para o adoecimento mental no período. Ela cita ainda o aumento do uso de mídias digitais, a redução de relações interpessoais e a crise econômica como pontos geradores de desequilíbrios. "A depender da história de vida, das dificuldades psicológicas já enfrentadas e das perdas vivenciadas durante os últimos meses, alguns sujeitos desenvolveram ou tiveram agravamento de transtornos psicológicos", concorda a psicóloga clínica Julia Shioga.

As profissionais analisam que os impactos para as mulheres são atravessados não apenas por questões psicológicas, mas também por fatores históricos, sociais, culturais e econômicos. "Sobretudo na dinâmica familiar que inclui crianças, o papel da mulher perpassa os cuidados com a casa, os filhos e o trabalho. Isto pode influenciar fortemente na estafa física e mental; além do reduzido ou ausente tempo para dedicar-se ao autocuidado", expõe Julia. "Outro ponto que pode influenciar sobre esse dado é o fator de desejabilidade social na resposta dos homens. Pode ser que o público masculino tenha tendência a responder conforme o desejado socialmente e não com fidedignidade", analisa.

De acordo com a pesquisa, os mais jovens também sofreram em maior número, proporcionalmente, do que os mais velhos com a pandemia. A taxa de quem teve insônia fica entre 41% e 43% nas faixas de 16 a 44 anos, ante 32% entre quem tem de 45 a 49 anos e 30% entre idosos. Três em cada quatro (73%) jovens tiveram medo de ficar doentes, índice que fica em 59% no segmento de 45 a 59 anos e cai para 56% entre idosos. "A análise precisa ser muito cuidadosa. Não é possível mensurar quem sofreu mais, mas é preciso entender que são pontos de sofrimento distintos", pondera Julia. "Se por um lado os jovens e as pessoas de meia idade estão enfrentando especialmente questões econômicas e de emprego, os idosos estão passando por privações e vulnerabilidades ligadas a serem grupo de risco."

Julia indica que, para cuidar da saúde mental durante a pandemia, é necessário compreender a forma como cada indivíduo está sendo afetado. "A partir disso, buscar estratégias alternativas e ajustes criativos para pensar sobre a pandemia de uma forma mais sustentável."

 

Covid-19

O Ceará chegou a 274.673 casos confirmados e 9.362 mortes pela Covid-19 ontem. No Brasil, o Painel Coronavírus do Ministério da Saúde informava balanço de 5,545 milhões de casos de contaminação pelo novo coronavírus com 160.074 mortes.

 

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