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Reportagem

As prioridades que o fortalezense elegeu para quem for escolhido prefeito

Saúde deve receber atenção especial da próxima gestão em Fortaleza. Pandemia seria uma das causas, mas não é a única
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 A PREFEITURA de Fortaleza aporta R$ 45 milhões mensais para o IJF (Foto: FÁBIO LIMA/O POVO)
Foto: FÁBIO LIMA/O POVO  A PREFEITURA de Fortaleza aporta R$ 45 milhões mensais para o IJF

Os próximos quatro anos trarão, sem dúvidas, desafios ao postulante à Prefeitura de Fortaleza que vencer a corrida eleitoral. Contudo, já para 2021, a preocupação do eleitorado sobre o novo chefe do Executivo municipal está quanto à sua capacidade de garantir melhores políticas para a saúde pública, segundo indica nova pesquisa O POVO/Datafolha, divulgada na última quarta-feira, 30.

O levantamento, realizado entre os dias 26 e 27 de outubro, ouviu um total de 868 pessoas. Quando perguntadas qual deveria ser a prioridade do próximo prefeito de Fortaleza, 41% responderam que, em primeiro lugar, deveria-se investir em "Saúde/hospitais/postos de saúde". A resolução de problemas de segurança pública para superação da violência e criminalidade vem em seguida, com 22%. Em terceiro lugar, está a educação, com políticas para escolas e creches, com 13%. 

Segundo a pesquisadora especialista da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ - CE) e coordenadora geral do Mestrado Profissional em Saúde da Família por esta mesma instituição, Anya Meyer, os dados são frutos de um aumento do conhecimento da população acerca da saúde pública, principalmente, em 2020, ano em que a situação epidemiológica mundial foi impactada com a pandemia do novo coronavírus.

"As pessoas sentiram na pele a importância da saúde. Apesar de toda a falta de alinhamento dos governos na hora de trabalhar essas questões da necessidade de atenção pública de qualidade, ficou muito claro como ela é resolutiva em salvar vidas", destacou a pesquisadora. Anya destaca o aumento no uso do Sistema Único de Saúde (SUS). "Com a alta do desemprego, muitas pessoas que estavam com plano de saúde, sem precisar do SUS, viram as possibilidades para quem não tem plano. Se não tivéssemos uma saúde pública universal e para todos eu não tenho dúvida de que a situação seria muito mais agravada e as pessoas perceberam isso", destacou.

A prova do aumento tanto do interesse quanto da preocupação com a saúde pública, segundo Anya, esteve evidente na última quarta-feira, 28, quando o presidente Jair Bolsonaro decidiu revogar o decreto que autorizava o Ministério da Economia a realizar estudos sobre a inclusão das unidades básicas de saúde (UBSs) no Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República (PPI). As unidades básicas de saúde integram o SUS, público. O PPI é o programa do governo que trata de privatizações, em projetos que incluem desde ferrovias até empresas públicas.

"Acho que as pessoas disseram que isso é de fato importante, é um direito que veio na Constituição de 1988, mas que as pessoas não valorizam. Quando está na iminência ou de perder ou de necessitar fortemente elas valorizam. São fenômenos que vemos agora", destacou a professora. Para ela, o quadro se reflete no ano eleitoral de Fortaleza por meio da divulgação de planos de governo que contemplem a saúde primária." A atenção primária que hoje é colocada em prática via Saúde da Família, é de respaldo do município, então faz muito sentido que os candidatos foquem nessas estratégias do programa" diz.

Para a também pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Ceará e doutora em Saúde Coletiva especialista em Educação Comunitária em Saúde, Vanira Pessoa, tanto a população quanto os políticos ampliaram o conhecimento da saúde como direito humano fundamental. "A percepção de que temos um sistema de saúde foi ampliada e consequentemente a priorização da saúde. Também tivemos muitas mortes, o que aumenta a compreensão da importância do serviço de saúde. Neste sentido, a pandemia contribuiu para a visibilidade da necessidade de investir em saúde, pois estamos todos susceptíveis a adquirir em qualquer fase da vida um acometimento", ressaltou.

O momento, segundo a médica, é de compreensão, por parte de políticos e população, da saúde como direito fundamental. "Perceber a Saúde como uma dimensão essencial para a promoção da vida digna deve ser uma prática cotidiana de gestores públicos, especialmente em municípios com extrema desigualdade social, como é o caso de Fortaleza", afirma Vanira.

A ocasião, segundo o cientista político Cleyton Monte, acontece devido à pandemia, momento em que não só se intensificou o interesse pela saúde pública, que já vinha sendo constantemente cobrada pelos eleitores desde os anos 80, como se acentuou o conhecimento da importância do Estado na saúde. "A pandemia não cria o interesse na área na saúde, isso já existia, mas agora esse percentual aumenta. Grande parte da população é pobre e utiliza o SUS, então você teve uma procura muito grande pelas unidades básicas, pelas Upas, hospitais de referência, então acredito que a doença demonstrou como a saúde pública é fundamental para o fortalezense", avaliou.

 


 

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