Logo O POVO+
Fiec diz que, em setores raros, importador dos EUA prefere arcar com tarifaço
Economia

Fiec diz que, em setores raros, importador dos EUA prefere arcar com tarifaço

|NEGOCIAÇÕES| Na próxima semana, o Ceará receberá visita de dois importadores de cera de carnaúba, vindos dos Estados Unidos, um dos segmentos de natureza exclusiva e que o mercado de lá precisa mais
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
EXCLUSIVIDADE da cera de carnaúba confere posição favorável nas negociações com os EUA (Foto: JÚLIO CAESAR)
Foto: JÚLIO CAESAR EXCLUSIVIDADE da cera de carnaúba confere posição favorável nas negociações com os EUA

Semana que vem, o Ceará receberá a visita de dois importadores de cera de carnaúba, vindos dos Estados Unidos. Eles virão tratar com empresários locais sobre a tarifa de 50% imposta por Donald Trump aos produtos brasileiros. A informação é do presidente da Federação das |indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante.

Ele acrescenta que, em alguns casos, o percentual de participação do imposto no custo final para o comprador nos EUA não impacta tanto, e o comprador às vezes prefere pagar a ter de ficar sem o produto.

Cavalcante destaca a natureza tradicional dos setores, como o de carnaúba, onde a matéria-prima é encontrada quase exclusivamente no Nordeste do Brasil, confere-lhes uma posição única nas negociações. De acordo com o presidente da Fiec, os importadores dos EUA precisam dessas commodities e, por isso, se envolvem em negociações diretas e adaptadas às peculiaridades desses produtos.

De acordo com o líder industrial, os importadores dos EUA estão desempenhando um papel significativo na forma como os exportadores do Ceará, particularmente o de carnaúba e castanha, estão conduzindo as negociações. Além disso, alguns empresários cearenses estão embarcando para os EUA a pedido desses importadores.

Na avaliação de Ricardo Cavalcante, isso demonstra um intercâmbio direto e ativo, com ambas as partes buscando soluções personalizadas.

É justamente devido à peculiaridade de cada setor, explica Cavalcante, que cada um está buscando e encontrando uma solução diferente, indicando que não há uma solução única para todos.

Essa dinâmica de negociação com os importadores permite aos exportadores cearenses atingidos pelo tarifaço a buscar soluções individualizadas e diretas. Foi por isso, segundo Cavalcante, que a Fiec e as empresas exportadoras locais optaram por não integrar a missão, liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que irá aos EUA. semana que vem, para tratar do tarifaço.

“A Fiec ofereceu-se para ir, mas eles acharam melhor esperar um pouco para ver se o diálogo local avança”, disse Ricardo Cavalcante. De acordo com ele, os setores do Ceará preferiram não ir à missão da CNI e um dos motivos é o pacote que o governo cearense está elaborando para atendê-los nos próximos 120 dias.

Ricardo Cavalcante destaca que tem intermediado reuniões envolvendo empresários com o governo estadual. Marcou ontem mesmo um encontro com uma empresa de pescado com a Secretaria da Fazenda (Sefaz).

Reuniões setoriais com a Sefaz

Ontem, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), recebeu a diretoria da ArcelotMittal, maior produtora de aço do Brasil. "Seguimos em diálogo construindo parcerias e buscando caminhos para fortalecer ainda mais a atuação da empresa no Ceará, reduzindo os impactos dos tarifaço dos EUA", postou Elmano nas redes sociais.

Danilo Serpa, presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), informa que as reuniões para tratar do tarifaço estão acontecendo na Sefaz e em módulos de três empresas, focando nos setores mais prejudicados.

Segundo o presidente da Adece, o principal objetivo desses encontros e das ações do estado é incentivar as empresas a diminuir o impacto da medida imposta pelo governo dos EUA e, crucialmente, evitar demissões e garantir que nenhum funcionário seja penalizado.

“O governador (Elmano de Freitas) tomou a frente disso e está chegando junto das empresas para diminuir qualquer impacto e para não ter nenhuma demissão”, diz Serpa.

Mais notícias de Economia

O que você achou desse conteúdo?