Logo O POVO+
Começam as obras do data center do TikTok e água de reúso é descartada
Comentar
Economia

Começam as obras do data center do TikTok e água de reúso é descartada

| Tecnologia | Fase inicial é de R$ 50 bilhões, dos R$ 200 bilhões anunciados pelo TikTok, mas pode resultar em R$ 571 bilhões a partir da instalação de um hub de processamento no Complexo do Pecém
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
Comentar
RODRIGO Abreu afirmou que a primeira sala funcionará em 2027 (Foto: AURÉLIO ALVES)
Foto: AURÉLIO ALVES RODRIGO Abreu afirmou que a primeira sala funcionará em 2027

As obras do data center da big tech chinesa Bytedance, dona do TikTok, foram iniciadas no Ceará, segundo informou ao O POVO Rodrigo Abreu, CEO na Omnia Data Centers, e a água de reúso de esgoto prometida pelo Governo do Estado foi descartada. O projeto utilizará dois poços artesianos.

A empresa é responsável pela construção e operação do empreendimento, que será o primeiro dos cinco projetos no plano da Omnia de construir um hub de processamento de dados no Complexo do Pecém.

De início, os trabalhos se concentram no data center de interesse da Bytedance, na primeira fase prevista em R$ 50 bilhões e 200 megawatts (MW). O anúncio maior de investimento, de R$ 200 bilhões, é porque a chinesa pretende expandir, chegando a 1 gigawatt (GW).

Iniciados os trabalhos para a chinesa, a projeção de conclusão da primeira sala de data center funcionando é para o fim de 2027, com conclusão para 2028, segundo estima o executivo. 

"A nossa autorização já foi emitida para fazer todos os manejos. A gente começou a fase de obra na semana passada e agora é um processo gradual. Estamos fazendo a terraplanagem, supressão vegetal. Depois, entra na fase de fundação dos edifícios, construção, até a previsão de entrega, que é a primeira sala funcionando. Mas são várias entregas intercaladas", afirmou.

Questionado sobre a utilização de água de reúso do esgoto, que é um discurso propagado pelo Governo do Ceará, o executivo disse que descartou esse movimento e frisou a perfuração dois poços profundos no sistema de resfriamento dos equipamentos.

A origem dos recursos hídricos pelo empreendimento é o principal ponto de crítica por ambientalistas e comunidades da região do Pecém.

Abreu detalhou que o consumo previsto pelos equipamentos é de 3 mil litros de água por dia, o que, segundo ele, “equivale ao consumo de sete residências”.

Conforme O POVO apurou, esse montante, na prática, seria um consumo esperado para uma residência de alto padrão com muitos moradores (cerca de sete) ou equipamentos que consomem muita água (como sistemas de irrigação grandes, piscinas com reposição constante), ou estabelecimentos comerciais, como restaurantes ou pequenos hotéis, e pequenas indústrias.

“Além disso, haverá o consumo de cerca de 20 mil litros de água por dia para uso humano, como banheiros, alimentação e limpeza”, acrescentou.

De acordo com o executivo, água de reúso é uma alternativa apenas para indústrias ou empreendimentos de portes mais robustos, cujo consumo hídrico é muito mais elevado. 

Perguntado se havia conversado com o Governo do Ceará e a Utilitas (Parceria Público Privada-PPP liderada pela Cagece para fornecimento de água de reúso para as empresas do Complexo do Pecém), o CEO respondeu: “Até brinquei com o pessoal da Utilitas, que me apresentaram uma infraestrutura muito bacana de captura dessa água de reúso com capacidade de até 1.200 litros, 2.000 litros e 3.000 litros por segundo. Mas, se eu fosse fazer um contrato com eles, eu utilizaria alguns segundos de água por dia só. Então, realmente, não existe necessidade”, afirmou. 

E quando questionado do motivo pelo qual a licença prévia indicou 30 metros cúbicos (m³) de captação do manancial subterrâneo, porém, fora do documento as outorgas dadas pelo Estado indicam 88,24 m³ diários, quase o triplo, ele detalha que não existe em engenharia você dimensionar algo exatamente no volume de consumo que será feito e que é preciso ter margem de segurança. 

"Você pode passar dois, três dias, sem consumir água do poço e no quarto, quinto dia, ao invés de você consumir 3 mil litros por dia, você consumir 10 mil litros... A vazão é compatível com isso. (...) A média vai continuar sempre a mesma, de 3 mil litros por dia", garantiu.

Quando da expansão, no aumento de projetos além da primeira fase, ele disse que apenas um poço é capaz de abastecer o data center inteiro da Bytedance. "O consumo é proporcional. Se você tem hoje, num data center de 200 MW da ordem de 3 mil litros para o sistema de refrigeração, no data center de 1 GW consumiria 15 mil litros", explicou. (Colaborou Armando de Oliveira Lima)

Mais notícias de Economia

Empresa capta investidores internacionais

Rodrigo Abreu, CEO na Omnia Data Centers, projetou para o fim de 2027 o primeiro data hall - uma espécie de sala, como ele diz, onde estão os equipamentos de processamento de dados para a Bytedance. Mas este é apenas um dos projetos do data center, sendo formado por dois edifícios que devem ser construídos na Área 2 da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará.

Ele prospecta investidores internacionais dos Estados Unidos, Europa e Ásia para novas etapas, além deste da dona do TikTok.

"Cada prédio (para a Bytedance) equivale a 70 mil metros quadrados (m²) de área construída, que estão localizados em uma área total de 380 mil m²", detalhou, acrescentando que cada edifício deve ser alimentado com 100 megawatts de energia para conseguir processar os dados do TikTok.

Mas outras áreas da ZPE já estão sendo reservadas para que o projeto de hub de processamento de dados possa existir. Estimado em R$ 200 bilhões, o data center feito para uso da Bytedance tem parceria com o governo cearense e o Governo Federal, com acerto de uma contrapartida das empresas de R$ 15 milhões, segundo já afirmou o governador Elmano de Freitas (PT).

Mas é apenas um dos cinco data centers planejados pela Omnia para o Complexo do Pecém. Há dez dias, a empresa recebeu a autorização do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) para a administração de um hub de dados no Estado.

Foi o segundo consentimento, após relatório favorável emitido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A projeção de investimentos para o hub mais que dobra o aporte inicial, chegando a R$ 571 bilhões.

O CEO da Omnia destaca ainda que a contrapartida do projeto para o Estado é focada no desenvolvimento local para a formação de um ecossistema de fornecedores com empresas locais.

"Muita gente fala: 'Ah, isso tem aqui muito impacto na hora de construção e depois não tem mais nenhum impacto'. Não, pelo contrário, a gente quer capacitar a gente que vai estar lá o tempo inteiro. E aí a gente está falando aqui de qualificar mão de obra em sistemas de potência, sistemas elétricos, refrigeração, fibra óptica, telecomunicações, manutenção de computadores, manutenção simples e a manutenção de sistemas elétricos."

Entenda o histórico do data center do TikTok no Ceará

O conceito da cearense Casa dos Ventos para o data center começou em meados de 2022 e 2023, mirando polos de grande demanda energia para além do hub de hidrogênio verde, período em que o mercado de data centers começou a crescer

Naquele momento, o Patria, fundo de investimentos ao qual a Omnia está vinculada, retornou, ao fim de 2023/começo de 2024, ao mercado de data center e entrou desde o começo do planejamento da cearense

Em 2025 foi o anúncio de que a Omnia estava entrando no projeto Data Center Pecém, somente após a aprovação do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), mesmo tendo participado de todos os processos de licenciamentos e autorizações

Em suma, atualmente, a Bytedance comprou a entidade Exportdata, da Casa dos Ventos, e ficou com a experiência total de todo o hub de data centers para exportar o serviço de dados. Já a Omnia comprou a parte CDVDC, também da Casa dos Ventos, na infraestrutura

Assim, a Casa dos Ventos deixou de fazer parte da operação e ficou apenas para o fornecimento de energia elétrica, com parques que não são na Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE-CE), mas ficam no Estado

Hoje, o data center em si é da Omnia, especializada em toda a infraestrutura, e a Casa dos Ventos foi a desenvolvedora do projeto, mirando a geração de energia exclusiva ao empreendimento. Ou seja, a Omnia que aporta capital próprio na construção

A Omnia aluga esses prédios de data center para as big techs, que no caso é a Bytedance, dona do TikTok, que é a responsável por exportar o serviço de processamento e armazenamento de dados

Então são duas licenças separadas de ZPE: uma é a licença da entidade exportadora, outra é a da entidade que vai construir infraestrutura para prestar serviço para a prestadora do serviço de data center

Além dos projetos da Casa dos Ventos fez ao CZPE, a Bytedance fez sua solicitação independente, para poder chegar a até 1 gigawatt de desenvolvimento no data center na ZPE. Uma vez com a autorização do CZPE, a big tech chinesa incorporou a primeira fase da Omnia no projeto dela

Isso significa que os primeiros 200 megawatts (MW) do 1 giga que a Bytedance pretende instalar, é o projeto que a Omnia estava desenvolvendo com a Casa dos Ventos

Nas próximas etapas, a Omnia pode continuar a desenvolver com a Bytedance ou com outras empresas. Estão na mira da companhia, sobretudo, investidores dos Estados Unidos, Europa e Ásia

Fonte: Rodrigo Abreu

O que diz a Omnia sobre o projeto de data center do TikTok

O que é um data center?

Data centers são instalações de alta segurança que concentram milhares de servidores responsáveis por processar, armazenar e proteger dados digitais utilizados diariamente por milhões de pessoas.

Nesses ambientes operam sistemas que viabilizam o funcionamento da internet, como vídeos, mensagens, documentos, aplicativos e plataformas digitais essenciais à vida moderna.

Operando de forma ininterrupta, 24 horas por dia, os data centers garantem a disponibilidade, a integridade e a segurança das informações, desempenhando um papel estratégico na conectividade global e na expansão das tecnologias que chegam aos usuários em todo o mundo.

Por operarem de forma contínua, os equipamentos de um data center geram calor e exigem sistemas de resfriamento permanentes.

Por esse motivo, a eficiência no uso de energia e de recursos hídricos é um dos principais temas associados a esse tipo de infraestrutura.

Quais as tecnologias do projeto do TikTok no Ceará?

O projeto adotará tecnologias de última geração, com destaque para um sistema de resfriamento em circuito fechado, projetado para reduzir de forma significativa o consumo de água.

Na prática, esse modelo elimina a retirada contínua de água do meio ambiente. A mesma água é reutilizada diversas vezes dentro do sistema, circulando internamente para absorver o calor gerado pelos equipamentos e retornar ao processo de resfriamento, o que reduz drasticamente a necessidade de reposição hídrica.

Diferentemente de plantas mais antigas, que não incorporavam critérios ambientais desde a concepção, o projeto foi desenhado para eliminar qualquer competição por água potável e minimizar desperdícios.

Quando estiver em operação, o consumo hídrico estimado será de aproximadamente 30 m³ por dia.

Desse total, apenas cerca de 10% (aproximadamente 3 m³/dia) será destinado ao sistema de resfriamento, enquanto o restante corresponderá ao consumo humano e predial.

Além disso, o data center será operado com 100% de energia verde renovável, proveniente de novos parques eólicos e solares, fornecida com exclusividade pela Casa dos Ventos.

Porém, O POVO relembra que equipamentos para dar segurança a quedas de energia serão instalados. Serão 120 geradores a diesel.

Oportunidades levantadas pela Omnia

A proposta é que o data center atue como indutor de um novo ecossistema de desenvolvimento, promovendo a geração de empregos, a capacitação de mão de obra local e a atração de novos negócios para Caucaia e São Gonçalo do Amarante.

A iniciativa projeta crescimento econômico sustentável, com impactos positivos em cadeias complementares como hospedagem, serviços, lavanderias e desenvolvimento imobiliário, sempre com atenção aos critérios ambientais.

Emprego, renda e desenvolvimento econômico

O projeto deve gerar mais de 20 mil postos de trabalho diretos e indiretos na região.

Oportunidades em execução civil, operação e manutenção de plantas elétricas e sistemas de automação, segurança, saúde e meio ambiente, logística e transporte, tecnologia, administração e serviços gerais.

O projeto estabelece prioridade para moradores locais, com ampla divulgação das vagas, assegurando transparência, acesso e inclusão da população da região.

Capacitação e formação

Programas previstos no Plano de Contrapartidas para qualificar mais de 1.000 profissionais.

Aumento da demanda por serviços como alimentação, hospedagem, transporte, manutenção, comércio e serviços de apoio, fortalecendo o empreendedorismo e a economia de bairro.

Na prática, a expectativa é de maior circulação de renda na região, com efeitos positivos sobre o comércio local, a prestação de serviços e a dinâmica econômica cotidiana.

Entenda quem é a Omnia

A Omnia é uma plataforma de data centers hiperescaláveis criada para atender à crescente demanda por capacidade e eficiência da indústria de infraestrutura digital, especialmente impulsionada pelas tecnologias de cloud, inteligência artificial (IA) e computação de alto desempenho.

Investida de fundos do Pátria Investimentos, a Omnia possui foco no desenvolvimento de Data Centers de grande escala na América Latina, oferecendo infraestrutura de ponta capaz de suportar cargas computacionais intensivas.

Seu primeiro projeto, o Data Center Pecém, será o maior empreendimento hyperscale da região, com 200 MW de capacidade.

O projeto prioriza a sustentabilidade, com operação prevista para ser 100% movida a energia renovável em parceria com a Casa dos Ventos, além de soluções avançadas de resfriamento de baixo consumo hídrico, com circuitos fechados de reuso de água.

A empresa irá ajudar a consolidar a América Latina como polo estratégico da nova economia digital, atendendo a demandas globais de tecnologia.

Fonte: Omnia

O que você achou desse conteúdo?